BERLIM - Os alemães ergueram um monumento para as dezenas de milhares de homossexuais perseguidos pelos nazistas, cujas leis foram usadas para julgar os gays uma geração depois da Segunda Guerra Mundial.O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, gay assumido, comemorou o memorial de concreto, considerando-o um reconhecimento tardio da repressão aos homossexuais.
Cerca de 50 mil deles foram condenados pelos tribunais nazistas durante os 12 anos do regime de Adolf Hitler. "O monumento consagrado hoje é um recordação dos horrores do passado para todos nós e chama a atenção para o grau da discriminação que existe hoje", disse Wowereit. "Grandes esforços ainda precisam ser feitos antes que a visão de dois homens ou duas mulheres a beijarem-se seja aceite pela sociedade em geral, aqui, em Moscovo ou em qualquer lugar do planeta."
O cubo de 600 mil euros, instalado no parque central de Tiergarten, em Berlim, fica diante do monumento aos 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas e foi desenhado pela dupla de dinamarco-noruegueses Michael Elgreen e Ingar Dragset. As autoridades nazistas ordenaram a castração dos gays, além de mandar milhares deles para os campos de concentração, onde eram assassinados ou morriam de fome e doenças.
Até 1969, quando os Social Democratas chefiaram o governo pela primeira vez desde a República de Weimar, as leis nazistas continuaram a ser aplicadas nos julgamentos de homossexuais. A Associação e Gays e Lésbicas do país disse que, durante anos, os homossexuais alemães foram isolados da cultura oficial de memoriais e não foram recompensados.
"Memoriais têm de ter consequências", disse um comunicado do grupo. "A reabilitação dos condenados pelas leis nazistas deve ser o próximo passo", disseram.(X)

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