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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tete: O Kudeca saiu de cena. Actores 5 estrelas sobem ao palco

O emblemático “Cine Esplanada Kudeca”, sala de cinema ao ar livre da cidade de Tete, erguida em meados da década 70, está a ser destruido para, no seu lugar, ser erguido um hotel 5 estrelas, propriedade do Grupo Hotel Vip.

O “Kudeca”, cujas obras de construção iniciaram depois do 25 de Abril de 1974, resultado de uma réplica de um estabelecimento idêntico localizado em Luanda, a capital angolana, foi concluído e inaugurado no dia 25 de Junho de 1975, dia da independência de Moçambique.

Isaías Marrão, um dos sócios-administradores de “Kudeca”, disse que o objectivo para o qual foi erguido foi ofuscado, tal como aconteceu com outras salas de cinema pelo país fora, pela “invasão” e massificação da televisão em Moçambique. As tentativas para contornar o problema, através da exibição de eventos culturais, não conseguiram inverter a fuga de espectadores.

A história do “Kudeca”

“A ideia da construção de Kudeca, não foi minha, mas sim da Moçambique Filmes, pertença de um empresário ligado ao Vaticano e que tinha casas de cinemas em Angola e em Moçambique. Nos meados da década 70 lembrou-se então de fazer em Tete o “Kudeca”, igual a um outro construído na capital angolana. Convidou várias personalidades de Tete incluindo a mim, para idealizar o projecto e foi assim que o construímos, no tempo recorde de cerca de um ano. No dia 25 de Junho de 1975 inauguramos o recinto”, disse Isaías Marrão.

Em 1978, o “Cine Esplanada Kudeca” foi, tal como outras salas de cinema, nacionalizado pelo Governo, o que fez com que a sociedade “Kudeca” quase sumisse, vendendo as suas acções a Marrão.

“Foi assim que o Instituto Nacional de Cinema na altura representando o Governo, enviou dois indivíduos a Tete que chegaram a minha casa e me pediram as chaves do cinema e os entreguei. Foi desta maneira que tomaram conta do cinema. Mas porque a direcção toda do Kudeca ainda se encontrava coesa e constituída por moçambicanos, indagamos pelo procedimento, trocando correspondências com o governo provincial e central numa autentica guerra que levou cerca de 14 anos”, explicou Isaías Marrão, um dos sócios administradores do então “Cine Esplanada Kudeca”.

O que agora deixará de ser “Kudeca” está situado num terreno paisagisticamente privilegiado, donde se pode observar o nascer do sol, reflectido sobre as aguas do rio Zambeze e a Ponte Samora Machel.

As cercas de 720 cadeiras de madeira valiosa foram oferecidas ao Conselho Municipal da Cidade de Tete.

Piloto mais antigo de Moçambique e Portugal morre aos 92 anos

O comandante Luís dos Santos da Costa Branco, o piloto mais antigo da aviação moçambicana e portuguesa, morreu ontem, quinta-feira, aos 92 anos, no Hospital da Universidade de Coimbra, informou um ex-comandante das Linhas Aéreas de Moçambique.

O comandante Costa Branco fez toda a sua carreira profissional em Moçambique, sendo uma referência na aviação moçambicana, onde contou mais de 33 mil horas de voo.

Nascido em Portugal em 1917, Costa Branco foi agraciado em 1945 pelo governador-geral da então colónia de Moçambique, tendo também sido distinguido por dois Presidentes da República de Portugal.

Costa Branco realizou o seu último voo em Moçambique, a 22 de Maio de 1976, ao comando de um Boing-737 e percorrendo as ligações Lourenço Marques-Joanesburgo-Lourenço Marques.

No blog “Voandoemmozambique”, José Vilhena escreveu que o malogrado “Foi um dos decanos da DETA (hoje LAM) e durante vários anos seu Instrutor, Verificador e Piloto Chefe. A Aviação em Moçambique muito ficou a dever ao Comandante Luís Santos da Costa Branco, pelo grande labor, empenhamento, esforço e entusiasmo. Para as novas gerações de pilotos foi sempre um marco e uma referência”.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Jaimito: Um louco ou o homem que devia ter nascido amanhã?


Numa dos muros da vedação do jardim botânico Tunduru, mesmo defronte do edifício-sede da Rádio Moçambique, em Maputo, estão expostos em papel normal ou cartolina, algumas reflexões, em texto, de um homem que chama a atenção de todo o transeunte da zona, mais precisamente da Rua da Rádio. Estes escritos são de autoria de Jaime Machatine, mais conhecido por Jaimito, seu nome artístico.

Não estão registados em algum caderno ou simples bloco de notas e muito menos em livro, mas estão disponíveis para quem os quiser consultar, interessado em conhecer e compreender o que aquele homem, que um dia foi considerado um dos melhores guitarristas moçambicanos no seu tempo, pensa de si e da sua vida e dos que o rodeiam.

“Os escritos do Jaimito”, assim me atrevo a chamá-los, podem ser entendidos como sendo fragmentos do pensamento do seu autor sobre os mais díspares assuntos, que vão da música ao cinema, passando pela literatura e religião, que é o que ele mais gosta de dissertar nas suas notas e em conversa com aqueles que o conhecem.

Um outro assunto sobre o qual ele escreve tem a ver com a sua longa e misteriosa permanência fora de Moçambique e sobre a qual os pormenores são escassos e dispersos e deles o Jaimito jamais se refere.

São também escassas referências a pessoas ou instituições com quem se relacionou no período em que permaneceu fora do seu pais, embora, numa conversa corriqueira das muitas que tenho mantido com ele quando juntos tomamos uma “Bica” de café, se tenha referido “a minha mulher” a propósito de uma das obras musicais de Joni Mitchel, cantora canadiana, versátil, que disse apreciar particularmente. Disse-me que tanto ele como aquela a sua companheira – de nacionalidade americana – partilhavam a mesma opinião sobre Mitchel, recordando até “compramos um LP” com uma foto da cantora sentada numa pedra nas margens de um lago ou riacho envolto numa paisagem tipicamente da América do Norte.

Num dia particularmente diferente dos demais Jaimito “soltou” um pouco a língua, talvez porque acabara de lhe oferecer uma cassete contendo a gravação do álbum “Thick As A Break” dos Jethro Tull, que me pedira havia muito tempo. Interessante como ficou agitadissímo quando comprovou no seu mal-tratado gravador o teor da gravação, que disse ter reconhecido logo de imediato ao ouvir os acordes da guitarra acústica iniciais da obra. Educadamente confidenciou-me que da banda liderada por Ian Anderson tinha particularmente preferência pela obra “ Benefit”, lançada dois anos (1970) antes dos Jethro Tull terem gravado o épico poema do pequeno Gerald (Little Milton) Bostock.

Apenas para se aferir dos conhecimentos que Jaimito tem da música, é interessante a sua surpresa quando lhe informei que uma das últimas obras discográficas de Joni Mitchel que me chegaram as mãos tinha a ver com uma parceria entre a cantora e Charles Mingus, que este nunca viria a conhecer porque morrera uns dias antes da sua edição. Jaimito ficou extremamente interessado nos pormenores daquela que lhe parecera uma “estranha” mas ao mesmo tempo agradável colaboração entre uma assumida cantora folk e um jazzman esquizofrénico como o era Mingus. Fez-me prometer-lhe uma cassete com o registo da obra, tal era o seu interesse em ouvir que sonoridades Joni Mitchel e Charles Mingus poderiam produzir e oferecer que pudessem agradar aos seus fãs divididos quanto aos géneros.

Pois então, contou que viveu 16 anos nos Estados Unidos, após dois ou três anos de permanência em Portugal. Em Lisboa e no Algarve, o guitarrista terá tocado em clubes nocturnos, com moçambicanos, angolanos e cabo-verdianos, nomeando Bana como tendo sido um deles. Não se recorda de alguma vez ter trabalhado com o Fu, um reputado baterista moçambicano radicado há vários anos em Portugal, muito conhecido nos meios musicais no Algarve.

Disse que com um certo Mitó Dickson (com quem se conhecera ainda em Moçambique) fez algumas gravações de músicas de autores moçambicanos, entre os quais de Wazimbo. Desconhece o paradeiro desses registos mas diz ter uma vaga ideia de que terão sido editados em disco pelo Mitó Dickson.

Em Portugal terá conhecido a “minha mulher”, americana, que entretanto engravidara. A filha de ambos, gerada naquele pais europeu, viria a nascer em 1982 nos Estados Unidos, por vontade expressa da mãe. Zara Jaime Machatine assim se chama a filha de Jaimito, tendo hoje 28 anos de idade. O que fazia e de que vivia Jaimito nos Estados Unidos tal continua envolto num mistério, sendo certo porém que foi naquele país onde todos os seus problemas actuais tiveram origem. Sabe-se apenas que dez dos dezasseis anos nos EUA foram vividos em cadeias e estabelecimentos psiquiátricos a mando dos tribunais, onde, como ele próprio me confidenciou, passou por experiências terríveis e conheceu gente da “pior espécie”.

É de supor que Jaimito, guitarrista dotado acima do normal para os padrões de Moçambique e Portugal, não tenha singrado em terras americanas onde o mercado musical é certamente mais exigente e bastante concorrido. Sem trabalho e sem meios para uma vida desafogada e independente, terá então ficado na dependência da mulher, situação que, acredito, se lhe tornou insuportável e geradora de conflitos com a parceira, a quem, diz-se, terá violentado por diversas ocasiões. O seu caso – e continuo nas meras suposições – terá sido comunicado as autoridades judiciais que não se fizeram de rogado perante um “estranja”.

A mais recente informação dá conta que, depois de várias anos de encarceramento em penitenciárias, a sua nacionalidade e a língua portuguesa, terão criado um natural interesse e simpatia de um psiquiatra americano de origem cubana. Tornaram-se amigos de longas e proveitosas conversas, o suficiente para o especialista caribenho lhe propor duas alternativas para solucionar o embróglio em que Jaimito se encontrava amarrado: ir viver para Cuba ou ... regressar ao seu país.

O nosso guitarrista não hesitou: acompanhado por dois “gorilas” do FBI, voou dos EUA, com escala em Johanesburgo, até Maputo, onde foi entregue às autoridades moçambicanas.

De um dia para outro, ei-lo que encontra na Rádio Moçambique a sua casa e galeria de exposição dos seus textos “filosóficos”. Os escritos estão sobre papel A4 normal mas, na falta deste, o autor fa-los em pedaços de cartões de embalagem de produtos alimentares ou bebidas, material fornecido por amigos e conhecidos, ou que ele próprio recolhe na rua ou nos cestos de lixo.

O lugar onde ele escreve as suas notas não podia ser mais inspirador para o Jaimito: num local público bastante concorrido por homens e mulheres das mais diversas profissões, a maior parte deles ligados a música e destes, alguns antigos membros de bandas que ele integrou antes de “dar o fora” de Moçambique.

É no Centro Social da Rádio Moçambique onde preenche os seus dias, toma as refeições que lhe são oferecidas e dorme ou passa a noite numa das entradas daquela rádio pública. Todos os que por ali passam já se habituaram a vê-lo acocorado ou sentado a escrever as suas notas, compenetrado no que faz, aparentemente alheado do rebuliço da estrada.

O local tem todas as condições para que o Jamito se inspire para o que vai escrevendo, pois para além de se encontrar e conversar com os que foram seus amigos de outrora, testemunha como ninguém os mais diversos comportamentos dos frequentadores do estabelecimento.

De madrugada, contam os homens que velam pela segurança do centro, Jaimito entrega-se normalmente a tarefa de “publicar” os seus pensamentos, pregando-os numa frondosa árvore plantada no jardim dos serviços administrativos da Rádio Moçambique, qual um jornal de parede. Por estes dias, a “exposição” pode ser vista num dos muros do jardim botânico Tunduru, defronte da RM.

Após pregar o material, o nosso “escritor de rua”, faz o que todos fazemos – ou devíamos fazer: dirige-se as casas de banho do centro, onde cuida da sua hegiene pessoal. Senta-se depois num pequeno muro situado na rampa que dá acesso ao bar do centro, folheando velhos e rasgados livros, ou então escutando música de um pequeno gravador de cassete com auscultadores minúsculos ofertados certamente por uma alma compreensiva.

Registei em imagem fotográfica alguns dos seus escritos com a sua devida autorização. Antes faço notar que quando lhe pedi para lhe fazer um retrato ou uma fotografia em conjunto recebi dele um redondo “não”, justificando a recusa com o intrigante argumento de “eu não quero mais problemas com ninguém”. Anui e dei-me por satisfeito, não sem deixar de me perguntar a que problemas se referia e com quem.

Morre o fotógrafo que imortalizou as estrelas de Hollywood

É dele a famosa foto de James Dean caminhando pela Times Square em Nova York em 1955

O fotógrafo Dennis Stock morreu em 11 de janeiro aos 81 anos na sua casa em Sarasota, na Flórida, segundo informou o Washington Post. A notícia foi divulgada pela Magnum, mítica agência em que ele desenvolveu grande parte da sua carreira profissional, conforme o jornal espanhol El País.

Stock, nascido no Bronx, em Nova York, é autor de fotos que imortalizaram estrelas de Hollywood como James Dean, o universo musical do jazz e a contracultura dos anos 60, lembra o El País. São suas as fotos de Louis Armstrong com roupa de baixo no seu camarim, a de Marlon Brando relaxado e vestido de Napoleão nos bastidores das filmagens. A de Audrey Hepburn ensimesmada enos seus pensamentos enquanto olha para fora de um carro, a de James Dean a caminhar pela Times Square em Nova Iorque em 1955.

Após um trabalho inicial na Life Magazine, começou a trabalhar na Magnum em 1951, onde ficou por 50 anos. Publicou 27 livros e fez exposições nas mais prestigiadas galerias do mundo, como o Centro Internacional de Fotografia de NY, a National Gallery de Washington e o Museu de Arte Moderna de Paris.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sismo no Haiti: podem ser mais de meio milhão de mortos

Já há uma certeza: o primeiro-ministro do Haiti anunciou que o sismo de ontem (12) à noite provocou mais de uma centenas de milhares de vítimas. "Há mais de 100 mil mortos", disse Jean Max Bellet. Trata-se do primeiro número oficial que o governo haitiano avança desde o sismo de ontem. No entanto, o primeiro-ministro afirma que o número de vítimas poderá ultrapassar as 500 mil pessoas.

Cerca de três milhões de pessoas - um terço da população do Haiti - terão sido atingidas pelo sismo, revelou a Cruz Vermelha Internacional. O departamento de estado norte-americano disse que espera um "número avultado de vítimas". As Nações Unidas estão já a preparar uma operação de socorro internacional em larga escala para o Haiti, que foi abalado por um sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter. 
Até ao momento, não há número de vítimas oficial, mas devido à fragilidade das habitações na região, o governo acredita que os danos serão imensos.

O maior sismo da história do Haiti

De acordo com o USGS, o maior sismo reportado até ao momento na região foi em Junho de 1984, um abalo de 6.7 na escala de Richter.
O epicentro localizou-se a 140 quilómetros de Les Caye, no Haiti e a 145 quilómetros de Barahona, na República Dominicana.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Estrada da Namaacha: a "curva do açucar” do nosso chá da morte

Por Edmundo Galiza Matos

As muitas estradas que sulcam o país possuem a sua “curva da morte”, umas mais perigosas que outras, mas todas elas suficientemente traiçoeiras para meter respeito ao mais competente dos automobilistas.

Que me lembre, a primeira vez que transitei numa estrada com uma dessas curvas, foi no troço que vai de Diaca a Mueda, muito famosa mais por ter sido palco de emboscadas sangrentas dos guerrilheiros da Frelimo contra as colunas militares portuguesas, do que por capotamentos de veículos conduzidos por incautos.

Não é preciso ser muito atento para se perceber que grande parte dos acidentes de viação mais mortíferos em Moçambique, têm ocorrido nas curvas acentuadas, apesar de os sinais da sua proximidade serem facilmente notados.

A Estrada Nacional Número 2 (EN2), que vai da capital do país a vila fronteiriça da Namaacha, tem também a sua “curva da morte”, curiosamente plantada a escassos cento e cinquenta metros de um posto de controlo policial. Foi responsável pela morte de muitos automobilistas e pessoas que praticavam o contrabando de produtos ilegalemente importados da Swazilândia, fugitivas das autoridades. No local, para além de sulcos feitos no pavimento pelos veículos acidentados, brilham os cacos de vidro das garrafas de bebidas alcoólicas, restos de favos de ovos e plásticos das bacias e baldes de diversas cores, produtos que se espalhavam por ali cada vez que o carro do “mukherista” capotava. Morria gente e perdiam-se os produtos.

De há uns anos para cá, a “curva da morte” na EN2 não tem sido palco de mortes de importadores ilegais pela simples razão de que o contrabando foi em grande medida travado.

Hoje assiste-se, de tempos a tempos, ao capotamento de veículos de grande porte, transportando quase sempre açucar que o reino vizinho exporta através do porto de Maputo. Nos trés últimos casos de que tenho conhecimento, perderam-se consideráveis toneladas de açucar e ficaram feridas trés pessoas, curiosamente mulheres, que na fronteira haviam apanhado boleia.

No passado sábado, 9, um desses veículos pesados, capotou, espalhando a toda a largura uma quantidade considerável de açucar branco. A mulher que ia no veículo ficou gravemente ferida, correndo o risco de ver amputado um dos seus braços.

Os residentes nas imediações da “Curva do açucar”, pois é assim como agora se chama, são o que mais beneficiam cada vez que um daqueles camiões vira de pneus para o ar. Munidos de sacos de ráfia, baldes e bacias, panelas, capulanas e outros utensílios, toda a gente espera que as autoridades terminem a peritagem do sinistro para, quais abutres, se atirarem ao produto com uma voracidade tal que, em alguns minutos, o local deixa de ser branco para retomar a cor do alcatrão.

Livro: “Cadernos das Memórias Coloniais”, ou testemunhos do racismo em Moçambique (*)

por FERNANDA CÂNCIO (Diário de Notícias/Portugal)

Nascida em Moçambique, deixou a sua terra aos 12 anos, em 1975, para a segurança e o desprezo da metrópole. O seu recém-publicado “Caderno das Memórias Coloniais” é a história de uma retornada que assume o racismo português.

Todos os lados possuem uma verdade indesmentível. Nada a fazer. Presos na sua certeza absoluta, nenhum admitirá a mentira que edificou para caminhar sem culpa ou caminhar, apenas. Para conseguir dormir, acordar, comer, trabalhar. Para continuar. Há inocentes-inocentes e inocentes-culpados. Há tantas vítimas entre os inocentes-inocentes como entre os inocentes-culpados. Há vítimas-vítimas e vítimas-culpados. Entre as vítimas há carrascos.

Passa muito tempo até termos a voz, até termos saldado, a bem ou a mal, a dívida que pensámos dever; até cuspirmos no dever e na honra e na fidelidade, essas cordas tão sujas, tão forçadas. Até não nos importarmos de ser apenas umas cabras, párias do sangue e da raça. Até perder a fé e a cortesia. Tudo.

Isabela tem 46 anos, um blogue criado em 2005 (Mundo Perfeito) e um livro, publicado agora na Angelus Novus, a editora do crítico literário e poeta Osvaldo Silvestre, que dá pelo nome de Caderno de Memórias Coloniais e compila textos do blogue e textos sem ser do blogue, textos mais curtos ou mais compridos mas todos densos, sanguíneos, doces e brutais, como algo que vem das entranhas. "Comecei a escrever e a gostar do que estava a escrever. Achei que estava a sair bem, Com ternura mas também com violência. Claro que tenho medo de ser mal interpretada. Mas sinto muito alívio. Libertei-me de um fardo que carreguei comigo a vida toda."

O livro desfaz o postal da África colonial mitificada, doce, dos fins de tarde rosa, dos vestidos brancos, dos criados negros calados, "naturalmente submissos" e agradecidos, a quem "se tratava muito bem". Não:"É terrível falar disto mas a verdade é que nós vivíamos num país onde se podia atropelar um negro e não ir para a prisão. Não tinham direitos. E por muito terrível que tenha sido o que aconteceu no fim aos portugueses,e foi, era inevitável que saísse aquela raiva por algum lado."

Sim, Isabela é capaz de ver e dizer isto, esta coisa arrepiante: houve uma espécie de justiça nos massacres dos brancos. Mesmo se ela sabe que quando em Setembro de 1974 mataram famílias conhecidas à catanada, espalhando-lhes os restos pelas machambas, animais e pessoas, tudo o que era branco, à mistura, só por sorte inaudita ela e os pais não fizeram parte das contas. "Quando começaram os tiros escondemo-nos no corredor da casa, deitados no chão.

Sabiamos que se entrassem não escapávamos. Não sei por que não nos atacaram - ainda hoje me pergunto se foram os nossos vizinhos negros que nos protegeram". Os vizinhos negros com quem ela estava proibida de se dar, como o menino da casa ao lado com quem queria brincar, ele em cima da árvore, ela sobre a garagem, a conversar até a mãe os apanhar em flagrante. "As minhas memórias de infância estão cheias desses interditos. Nós não podiamos dar-nos com os pretos e tudo o que eu queria era dar-me com eles. Queria usar capolanas, andar descalça, aprender a língua... E tudo isso me era era proibido."

Até há 15 anos, nunca tinha falado disto com ninguém. E até ter começado a escrever no blogue, nunca tinha falado como tinha de falar de África, de Moçambique, das suas memórias de infância e do seu pai, o homem enorme que a pegava ao colo e a levava para todo o lado, para as obras onde era electricista e onde dirigia "os seus muitos pretos" e os agredia com palavras e porrada, para as tardes de camarão grelhado e penalties com os outros homens em que aprendeu a linguagem do racismo, para as aldeias onde espancava um empregado faltoso, "um preto de merda", "um preto cabrão", para os longos passeios pelo mato onde se perdia por picadas que não davam para lado nenhum, o homem que lhe disse sempre: "Tens de ser independente, dona da tua vida".

O pai contraditório, monstruoso e deslumbrante e inultrapassável que morreu em 2001, já em Portugal, depois de ter ficado em Moçambique mais dez anos com a mãe, depois de ter estado preso um ano e perder metade do peso por "dizer mal de Samora Machel" ("Se não tivesse vindo para cá acabariam por matá-lo"), o pai para quem toda a gente que não via "os pretos" como ele era "comunista", o homem que mandou em lágrimas a filha única e adorada aos 12 anos, em 1975, para "a metrópole" onde ela andou uma década de casa em casa, uma refugiada de avó em tia, sempre com a roupa numa mala debaixo da cama, sem gavetas nem armários e um cão, o Farrusco que segura ao colo na foto da capa do livro, como única companhia até ser envenenado por uma das familiares (e os olhos ainda se carregam agora, como se nessa atrocidade estivesse tudo - passar a porta de vidro do aeroporto para o avião e para o "slide cinzento" que Portugal lhe foi, nunca mais voltar, viver em "casas metidas para dentro", deitar fora a roupa colorida para não a apontarem na rua "olha a retornada exploradora dos pretos", o silêncio ante os insultos: "Dizer que não era mentir, dizer que sim era trair o meu pai").

Trair o pai. Isabela, o nome que Isabel Figueiredo Almeida Santos, agora professora, antes jornalista, adoptou no seu blogue, nunca quis fazê-lo. "Tinha de me posicionar de forma muita ambígua - tinha de gostar dos meus pais e ao mesmo tempo lidar bem com a minha consciência. Escrevi este livro porque senti que esta história ninguém a contava. E que contar a história do meu pai era contar a história dos portugueses. Porque ele não era diferente." Porquê só depois da morte dele? "Muitas pessoas pensam que isto é um pontapé no pai morto, mas não é. Ele sabe que não estou a mentir".

Saldar, a bem ou a mal, a dívida que pensava dever, não se importar de ser uma cabra, pária de sangue e de raça, escreve. A pária que retrata no pai Portugal e a história do colonialismo e que mantém a mãe protegida do que escreveu e sentiu - mesmo se, reconhece, "apesar de falar muito menos com ela que com o meu pai, às vezes ela surpreende-me nas coisas que sabe de mim". A "traidora" que caminha na fronteira entre todas as lealdades: "É imperdoável que o governo da altura, sabendo o que se tinha passado noutras descolonizações, tenha deixado ali as pessoas. A descolonização foi muito mal feita - e podia não ter sido. As pessoas foram entregues."

(*) Título da minha responsabilidade

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

National Geographic apresenta em Maputo documentário sobre Parque Nacional da Gorongosa

Moçambique quer recuperar para o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) o estatuto de um dos melhores de África, garantiu o ministro do Turismo, no dia em que foi apresentado um documentário sobre o local, da National Geographic.

Com estreia para Janeiro nos EUA e em Março no resto do mundo, "Gorongosa National Park Africa´s Lost Éden" teve a sua ante-estreia no dia 15 em Maputo, numa cerimónia com direito a discursos e promessas de que o PNG voltará ao que era antes da guerra civil, causadora da morte da esmagadora maioria da fauna.

"Com este filme, Moçambique passa a dispor de mais um valioso instrumento de promoção nacional", frisou o ministro, Fernando Sumbana, salientando que se trata de um documentário de 50 minutos onde surgem 54 ecossistemas distintos e a vida dos diferentes habitantes do parque em várias épocas do ano.

O documentário da National Geographic começa no final da época das chuvas (Março/Abril) e lembra que aquele que já foi considerado dos melhores parques de África sofreu uma verdadeira carnificina, durante a guerra civil do país.

Recorda, por exemplo, que dos 14.000 mil búfalos restaram 15, que das 13.000 zebras restaram cinco e que dos 500 leões ficaram seis, e mostra a colaboração entre o Kruger Park, da África do Sul, que tem estado a oferecer elefantes, tanto mais que a sua população actual de 13.000 é excessiva.

O documentário mostra mesmo a captura de um deles no Kruger e o seu transporte para o PNG, onde acaba por ser morto por caçadores furtivos, um dos problemas com que o PNG tem também de se debater.

Os elefantes, os hipopótamos e os crocodilos são as "estrelas" do documentário, filmados também na época seca e depois no regresso das chuvas, em Dezembro.

A Gorongosa é "um dos lugares mais bonitos de África e um dos mais importantes em termos de biodiversidade", disse Greg Carr, presidente da Fundação Carr, que está a gerir o Parque, mediante um acordo com o governo de Moçambique.

O responsável garantiu que a fauna e flora do PNG têm vindo a "recuperar muito bem" e desejou que depois da projecção do filme "turistas de todo o mundo venham visitar Moçambique", lembrando ainda que a direcção do Parque tem vindo a ajudar as comunidades locais, quer através de emprego e construção de infra-estruturas quer através de distribuição de parte dos lucros.

As filmagens de "Gorongosa National Park Africa´s Lost Éden" decorreram entre Janeiro de 2008 e Maio de 2009.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

As chuvas intermitentes que se abateram sobre alguns distritos do sul de Moçambique, entre eles o da Namaacha, foram suficientes para reavivar o curso de água que alimenta aquelas cascatas, para delícia dos residentes da vila-sede do distrito e dos visitantes provenientes das cidades de Maputo e Matola.

Situadas a escassos quilométros das linhas de fronteira que separam Moçambique, África do Sul e Swazilândia, as cascatas da Namaacha são um potencial turístico adormecido que, ao que consta, vão poder beneficiar de um projecto de exploração. Irá ser lançado um concurso público para os interessados, sabendo-se desde já que as autoridades ligadas as estradas e pontes prontificaram-se a reabilitar a muito degrada estrada serpenteada que da acesso ao local.

As várias piscinas formadas entre as rochas a jusante das cascatas estão já a ser disputadas pela criançada, sob o olhar atento dos mais velhos. Jovens namorados, muitos deles estudantes de ferias, tomaram conta daquelas piscinas, sobretudo nos dias e horas de menor movimento.

As fotografias por mim registadas, ilustram a beleza do local. Está convidado a visitar as Cascatas da Namaacha.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Matias Mboa: “A luta pela independência foi uma escola”, afirma autor de um livro sobre a epopeia libertadora

“Memórias da Luta Clandestina” é o mais recente livro de um combatente pela independência de Moçambique a ser lançado no país, num acto que teve lugar ontem em Maputo.

O seu autor é o ex-preso político Matias Mboa, líder da 4ª Região Militar da luta armada de libertação nacional (operando no sul do país), que foi preso pela polícia política portuguesa, PIDE, em 1964, e acabou nas celas da cadeia da Machava.

O lançamento desta obra contou com a presença do Presidente da República, Armando Guebuza, também ele veterano da guerra que, desencadeada em 1964 pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), viria a culminar com a assinatura dos Acordos de Lusaka (7 de Setembro de 1974) e dando espaço à proclamação da independência nacional em 1975.

Guebuza é, aliás, o autor do prefácio desta obra que ele considera cativante para o leitor a embrenhar-se no passado de heroicidade dos destemidos combatentes pela luta de libertação nacional.

A luta clandestina a que se refere Matias Mboa no seu livro corresponde à forma que caracterizou o engajamento dos moçambicanos pela independência nacional no sul do país.
As outras vertentes desta luta foram o combate militar, levado a cabo no norte e centro do país, e a luta diplomática, que consistia na angariação de apoios junto de nações estrangeiras para a causa dos moçambicanos.

Para o Presidente Guebuza, estes relatos de heroicidade contidos em “Memórias da Luta Clandestina” constituem “importantes referências e fontes de orgulho e de inspiração e fontes de orgulho para continuarmos a enfrentar, com o mesmo sucesso de ontem os desafios do presente e do futuro”.

Por sua vez, o autor, que foi parco em palavras, referiu-se ao modo como foi desenvolvido o combate pela independência como “uma escola”, uma vez que inspirou vários grupos de jovens a abraçar a causa dos moçambicanos nos tenebrosos anos de 1960.

Matias Mboa começa o seu livro com um poema que escreveu durante os tempos que passou na cadeia da Machava. Pelas sevícias por que passou nas mãos da temível PIDE, o ex-preso político refere-se à cadeia da Machava como algo de que se quer esquecer para “apagar as tristes recordações” que teimam em continuar a habitar a sua memória. Todavia, no mesmo poema, o autor refere que essas memória são indeléveis, pelo que delas não se desenvencilha.

Livro “Janelas de Mim” de Miguel César: misto de artes e retratos da sua vida

“Janelas de Mim: desenhos do seu percurso” é o título do livro do escritor, artista plástico e arquitecto Miguel César, lançado nos princípios da noite de ontem no Instituto Camões, em Maputo. A obra comporta 112 páginas e é editada pela Alcance Editores, com o patrocínio da empresa de telefonia móvel mcel.

Ao longo das páginas do “Janelas de Mim” encontramos um misto de artes, a de escrever, relatar suas vivências, assim como retratos da sua vida de pintor.

O livro já se encontra disponível nas livrarias da cidade de Maputo e quase em todo o país, num circuito de distribuição levado a cabo pela Alcance Editores em parceria com a sua rede de parceiros.

A historiadora Alda Costa explica que a primeira impressão face ao conjunto de desenhos que juntou para esta publicação foi a de uma actividade quase não interrompida. Com o auxílio da tinta-da-china, do acrílico, do lápis de cor registou no papel o universo visual do seu percurso de vida, da sua vontade de participar, das memórias de uma geração que abraçou uma causa.

“Os temas são os que, desde muito cedo, o interessaram: a mulher porque, ‘sem a mulher não há país’ ou o corpo e o desejo ou ainda o universo popular, o uso da tradição, a noite, as janelas, cada vez mais janelas. Janelas de todo o tipo povoam o seu trabalho. Porque gosta delas, porque olha através delas, porque o que deseja lhe entra pela janela, porque a sua profissão assim o sugere”, diz a historiadora.

Miguel César dos Anjos Santos nasceu na cidade da Beira, em 1957. É licenciado em Arquitectura e Planeamento Físico e membro fundador das associações Moçambicana do Desenvolvimento Urbano e da de Arquitectos de Moçambique.

Participou em exposições colectivas, tais como a III e IV Exposições Juvenis de Artes Plásticas no Pavilhão dos Desportos na cidade da Beira, em 1972 e 1973, na exposição de pintura e desenho, entre tantas outras.

Na sua apresentação ao autor de “Janelas de Mim”, a historiadora Alda Costa diz: “O desenho e Miguel César dão-se bem”.

Ele pintou vários murais na década de setenta e é ainda autor de muitas capas de livros de escritores moçambicanos, destacando-se Heliodoro Baptista (Por cima de toda a folha); Mia Couto (4 Peças para um Cenário Roído, e Vozes Anoitecidas) e Carlos Serra (para a História da Arte Militar Moçambicana).

sábado, 24 de outubro de 2009

Brasileiro que fotografou independência de Moçambique expõe em Tóquio

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado apresentou nesta sexta-feira (23) no Japão a sua mostra "África", um trabalho de mais de 30 anos no continente. Com as suas fotografias, ele diz querer "contar histórias" que necessitam do compromisso da imprensa e das ONG para poderem ser mudadas.

A exposição "África" começa este sábado e vai até o dia 13 de dezembro, no Museu Metropolitano de Fotografia de Tóquio. Salgado, de 65 anos, viajou por todo o mundo fotografando pessoas e lugares com as suas imagens em preto e branco e que já lhe renderam diversos prêmios internacionais, consideradas por ele "mais intensas" que as composições em cor.

Na sua opinião, os protagonistas de suas fotos "podem ser pessoas empobrecidas, mas não deprimidas, nem miseráveis". Nas suas viagens por África, Salgado teve a oportunidade de retratar o processo de independência de Angola e Moçambique e tragédias humanitárias como a crise de fome na África Central ou os deslocamentos de comunidades no Ruanda.

O fotógrafo brasileiro disse que o fotojornalista actual precisa "emoldurar o seu trabalho na realidade. Para isso, é necessário ter conhecimentos amplos em economia, sociologia e geopolítica", e não somente um domínio técnico.

O fotógrafo disse ainda que o jornalismo tem que ser honesto, ter controle e não fomentar estereótipos, diferente do que acontece actualmente.

Para Salgado, continentes como a África ou a América Latina estão a viver uma época de desenvolvimento e crescimento, como é o caso de Botswana e África do Sul ou Argentina e Brasil.

"A África não é um continente subdesenvolvido, tem o desenvolvimento que tem. Está a procura da sua identidade. Os pobres não necessitam de piedade ou de caridade, mas compressão e assistência", ressaltou Salgado.

O fotógrafo disse ainda que com a chegada dos Jogos Olímpicos ao Rio de Janeiro em 2016 "será feita justiça", pois é necessário que o hemisfério sul e a América Latina organizem aquele acontecimento mundial.

Mostra em Londres retrata explosão musical dos anos 1960

Cilla Black
Uma exposição na National Portrait Gallery de Londres capta a década de 1960 na Grã-Bretanha através de fotos de grupos musicais, desde a apresentação dos Beatles na casa nocturna Cavern até a explosão psicodélica nos anos 1970.

A mostra de 150 fotos, capas de álbuns e de revistas, partituras e outros itens celebra a ascensão do pop britânico e de gigantes do rock como os Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin e Pink Floyd, ao lado de nomes norte-americanos da mesma época como Jimi Hendrix e Bob Dylan.

Os retratos clicados por fotógrafos aclamados como David Bailey, Cecil Beaton, Don McCullin e uma multidão de outros estão organizados em décadas, passando da inocência da juventude no início da década de 1960 para a psicodelia decadente, movida a drogas e a libertação sexual que caracterizaram o "verão do amor" de 1968 e os anos seguintes.

Os primeiros anos mostrados na exposição focam sobretudo os Beatles, Rolling Stones e grupos britânicos menos conhecidos fora do país, como Cilla Black e Cliff Richards, mas Rod Stewart aparece ao lado de Long John Baldry num retrato de grupo chamado Steampacket feito em 1964.

"Quisemos reflectir os maiores astros de cada ano", disse à Reuters na sexta-feira o curador da exposição, Terence Pepper.

Mas Pepper disse que a mostra também revela a rapidez com que os Beatles, Rolling Stones, David Bowie, Pink Floyd e Led Zeppelin transformaram a paisagem musical e conquistaram o mundo.

"Era tudo completamente novo, estava tudo a acontecer na época. A música pop nem sequer tinha chegado às rádios".

Alto-falantes tocam sucessos da década para intensificar o ambiente da exposição, que também inclui itens de moda originais dos anos 1960, de Biba e Mary Quant.

A mostra ressalta a rivalidade entre os Beatles e os Rolling Stones em imagens feitas por vários fotógrafos de primeira linha, que os ajudaram a criar e confirmar as suas imagens em transformação.

Pepper disse que o título da exposição ilustra como a década dominada pelos Beatles no seu início acabou por dar lugar a astros como David Bowie, que ganhou força no final dos anos 1960 e ainda mais nos anos 1970.

Outras secções são dedicadas à mini-invasão de astros norte-americanos, entre eles os Walker Brothers e, mais tarde, Jimi Hendrix, que se mudaram para a Inglaterra para lançar as suas carreiras.

Pastor anglicano está farto de escutar Tina Turner nos funerais

Um pastor anglicano declarou no seu blog que está farto de realizar funerais ao som de canções de Tina Turner e outros ídolos da música pop.

Ed Tomlinson, de 35 anos, queixa-se que "as mensagens doces das estrelas do pop tenham substituído os hinos e as orações do passado", informou o jornal Telegraph.

Segundo o sacerdote, embora os partidários de uma sociedade laica acreditem ter conseguido uma vitória sobre a Igreja, os infiéis "vão acabar na fogueira sem esperança alguma de ressurreição".

"Pensei em assistir a uma cremação como um limão e perguntar-me que fazia eu num funeral durante o qual os alto-falantes vomitavam melodias de Tina Turner ou outras sentimentais de algum poeta humanista", comentou no seu blog.

Segundo o sacerdote, o aumento do número de funerais laicos é um sinal da actual marginalização da Igreja.

"É preocupante o facto de que o cuidado pastoral fique nas mãos de pessoas cujo único objectivo é fazer dinheiro", afirma.

domingo, 18 de outubro de 2009

Uma tremenda farra

Os parceiros musicais Roberto e Erasmo Carlos já declararam a sua afeição mútua na antológica canção “Amigo”. Na vida privada, as proclamações de amizade são menos convencionais. Nos anos 80,num restaurante de Los Angeles, Roberto repreendeu Erasmo pela sua suposta falta de asseio: o Tremendão – como é conhecido desde os tempos da jovem guarda, movimento que lançou o rock brasileiro nos anos 60 – não havia lavado as mãos antes de ir aos lavabos. Hipocondríaco, conhecido pelas suas estranhas manias, Roberto Carlos tentou convencer o parceiro de que o órgão sexual masculino é uma peça frágil, susceptível a todo tipo de infecção – tocá-lo com as mãos sujas indicaria descuido com o próprio corpo.

Para provar a sua sintonia com o corpo, Erasmo embarcou numa candente defesa do próprio instrumento (não musical, bem entendido). "Ele obedece-me, entende-me, está sempre pronto para a guerra. É o meu melhor amigo", disse. "Ele já te emprestou dinheiro?", perguntou Roberto. E, diante da negativa de Erasmo, concluiu: "Então eu sou o seu melhor amigo". Esse diálogo esquisito é uma das muitas anedotas incluídas por Erasmo em “Minha Fama de Mau”, que chega a partir de sexta-feira às livrarias.

Despretensioso e muito bem-humorado, o livro, com texto final do jornalista Leonardo Lichote, não é uma autobiografia minuciosa do cantor – trata-se antes de uma espécie de álbum de memórias, uma reunião de casos vividos por Erasmo em cinquenta anos de carreira, com flagrantes impagáveis da música brasileira do período.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Filme “A Ilha dos Espíritos” apresentado na sede da UNESCO em Paris

O filme moçambicano, “A Ilha dos Espíritos”, sobre a Ilha de Moçambique, foi projectado para um auditório constituído pelos participantes da 35ª.Conferência Geral da Organização para a Educação, Ciência e Cultura das Nações Unidas (UNESCO), que decorreu na sua sede, Paris, semana passada. A projecção fez parte de uma sessão especial sobre Moçambique, que teve como tema a “Diversidade Cultural e Desenvolvimento Sustentável”.

“A Ilha dos Espíritos”, um documentário de 63 minutos, foi realizado por Licínio de Azevedo e co-produzido pela Ebano Multimédia e Technoserve. Foi estreiado durante o IV Dockanema, Festival do Filme Documentário, que decorreu em Maputo de 11 a 20 de setembro último.

A película aborda a história da Ilha de Moçambique, que muito antes de dar o nome ao país, durante séculos, teve um papel fundamental no Oceano Índico, como ponto de escala para navegadores do Oriente e do Ocidente que procuravam alargar as fronteiras do mundo conhecido até então. Nela (película) intervêem um historiador especializado na ilha e um arqueólogo marítimo que traz à superfície tesouros há muito perdidos em naufrágios.

O quotodiano dos habitantes da Ilha de Moçambique, actividades, hábitos, cultura, é nos dado a conhecer por inúmeros outros personagens: um pescador que relata as aventuras na sua frágil embarcação; o “porteiro” da ilha que controla quem entra e sai dela pela ponte que a liga ao continente; uma famosa dançarina e animadora cultural; uma coleccionadora de capulanas e jóias antigas; uma conhecedora dos seres mágicos que povoam o imaginário colectivo dos ilheus.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11 de setembro: o inferno em Nova Iorque

Nesta sexta-feira completam oito anos de um dos maiores atentados da história. A 11 de setembro de 2001, quatro aviões foram sequestrados nos EUA.

Dois atingiram as torres do World Trade Center, em Nova Iorque, outro atingiu o Pentágono e um quarto caiu em Shanksville, na Pensilvânia.

Os ataques fizeram mais de 3.000 mortos. No Slide que apresentamos, imagens dos atentados. (Fotos: AP)

“O 11/9 foi uma fraude”, diz Charlie Sheen

Oito anos após os atentados contra o World Trade Center, em Nova York, teorias conspiratórias ainda produzem eco dentro e fora dos Estados Unidos. Uma delas acaba de ser reavivada pelo actor Charlie Sheen, para quem "a história oficial do 11/9 foi uma fraude". O astro da série "Two and a Half Men" foi mais longe, e pediu ao presidente Barack Obama que abrisse uma nova investigação sobre os ataques.

O apelo foi feito dois dias antes do aniversário dos atentados na forma da transcrição de um encontro fictício com o líder americano, publicada no site www.prisonplanet.com, do radialista Alex Jones. Nela, Sheen afirma que o governo de George W. Bush estava por trás dos ataques, que seriam, na verdade, apenas um pretexto para invadir o Iraque. A comissão criada para investigar o caso, segundo o actor, foi uma tentativa de encobrimento.

Sheen sugeriu ainda que Osama Bin Laden trabalhava para a CIA na ocasião e questionou como os passaportes que identificavam os sequestradores dos aviões resistiram às chamas. "Não podemos permitir que governos continuem a tocar a sua agenda política explorando pretextos forjados", disse o astro, acrescentando que a população está a acordar para a "bandeira falsa do terrorismo".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

The Beatles: integral remasterizada e jogo hoje nas lojas

A edição integral das canções remasterizadas digitalmente dos Beatles chega hoje ao mercado, acompanhada por textos que contextualizam a evolução da banda e fotos inéditas, tal como o jogo de vídeo "The Beatles: Rock Band".

"A ideia que presidiu à feitura dos textos foi contextualizar historicamente cada álbum, isto é, dar a conhecer além da informação relacionada com o álbum, as outras coisas que os Beatles estavam a fazer como digressões, espectáculos para a rádio e para a televisão, digressões, etc..", disse Kevin Howlett, um dos autores dos textos.

Outro autor dos textos é Mike Heatley, que sublinhou que os "fabulous four" tinham "uma agenda cheia e eram muito solicitados, acrescentando a tudo isto o facto de terem gravado dois álbuns por ano".

"Procurou-se dar uma cronologia tão exaustiva quanto possível, e, por outro lado, às fotografias já conhecidas da edição de 1987 juntar mais fotografias, algumas inéditas", disse Heatley.

"O que fizemos foi tentar acompanhar o grupo, e há muito material de arquivo que permite perceber a sua evolução, até das canções, e logo ter um ideia mais próxima do seu modo de trabalhar", disse Howlett.

O investigador referiu que "há por exemplo as 'masters' de cada fase de gravação de uma canção, permitindo perceber assim como a foram construindo".

Para este trabalho "foi essencial o arquivo dos Beatles nos estúdios de Abbey Road, a cargo de Alan Ralph", disse Howlett.

Os textos permitirão, segundo os investigadores, "conhecer algumas curiosidades da banda de Liverpool, e sistematizar a sua história".

Mike Heatley referiu que os álbuns editados pelos Beatles no reino Unido e na Europa eram diferentes dos editados nos Estados Unidos, "havendo variações por exemplo no alinhamento. Só a partir do álbum 'Sergent Peper's'[Junho de 1967] é que passaram a ser iguais".

Neste caso os Beatles não se distinguiram de outros artistas, pois segundo Heatley "isso acontecia frequentemente com outros artistas na década de 1960".

"Para se ser grande nos Estados Unidos é preciso ter-se um comportamento e atitude diferente da que se tem no seu país de origem", referiu o investigador.

Heatley deu ainda outros exemplos como singles editados nos Estados Unidos que não o foram no Reino Unido, caso de "Let it be", ou vice-versa.

A canção "Eight days a week", outro exemplo, foi single nos Estados Unidos, sem nunca ter entrado em qualquer álbum, contou.

A EMI e a Apple disponibilizam a discografia completa em duas caixas e também os CD avulso.

Uma caixa completa com a remasterização digital em estéreo, constituída por 16 CD, dois deles duplos, e um DVD, no valor de 230 euros, e outra, intitulada "The Beatles in Mono" que reúne todas as gravações do grupo que foram misturadas para edições em mono na década de 1960, e o DVD, com o custo de 270 euros.

Vendidos à unidade, os CD custarão cada um, 16.95 euros, enquanto os dois CD duplos, "White album" e "Past masters", 24.95.

Os dois investigadores concordam que "todas as gerações acabam à sua maneira por descobrir a música dos Beatles, que é de excelente qualidade. Se era boa na década de 1960, é também agora e será sempre"

Bee Gees reúnem-se para concertos, seis anos após a morte do irmão

Robin e Barry Gibb têm planos para novos concertos, seis anos após a morte de Maurice, o terceiro elemento dos Bee Gees. O anúncio foi feito pelo próprio Robin à BBC, dizendo que os dois irmãos estiveram juntos recentemente em Miami, onde terão acordado ensaios e uma série de concertos agendados para muito breve.

sábado, 5 de setembro de 2009

Sandokan, inédito de Hugo Pratt, e adaptado para o Teatro na Rádio Moçambique, chegou às livrarias em França

Banda-desenhada foi encomendada ao autor no final dos anos 1960

Uma versão em banda desenhada de Sandokan, "O Tigre da Malásia", da autoria de Hugo Pratt, acaba de ser editada em França pela editora Casterman, meses após a publicação em Itália.

A banda desenhada foi encomendada a Hugo Pratt, no final dos anos 1960, pelo "Corriere dei Piccoli", um suplemento infantil do diário italiano "Corriere della Sera", mas manteve-se inédito até aos nossos dias provavelmente devido ao êxito de “Corto Maltese”, que o autor começou a desenvolver na mesma época, lê-se no site da editora francesa.

Sandokan, “O Tigre da Malásia”, foi muito popular em Moçambique nos finais da década de 70, quando a Rádio Moçambique decidiu passar a obra para o teatro radiofónico no programa “Cena Aberta”.

A saga foi adaptada por Gulamo Khan e Leite de Vasconcelos e realizada por Álvaro Belo Marques, Carlos Silva e António Scwhalback.

Teodósido Mbanze, hoje assessor jurídico da Rádio Moçambique, desempenhou o principal papel, “Sandokan”, enquanto Machado da Graça representou o de James Bruck, Santa Rita (hoje nos EUA) esteve no papel do “português” Eanes e Teresa Sá Nogueira, já falecida, era a bela e misteriosa jovem inglesa - Lady Mariana.

O “Cena Aberta” de Sandokan, “O Tigre da Malásia” da Rádio Moçambique, era transmitido todos os dias depois do noticiário das 21 com uma audiência tal que as ruas da cidade de Maputo ficavam desertas àquela hora para escutar as peripécias do príncipe malaio, inimigo dos ingleses.

Recorde-se que à época não existia em Moçambique nenhum canal de televisão, pelo que a Rádio era o único meio de comunicação acessível à quase totalidade dos moçambicanos. A televisão só viria a ser instalada em Moçambique em 1980, a TVExperimental, nas mãos do governo, com José Luís Cabaço à frente do projecto.

Já sem uma audiência por aí além, o “Cena Aberta” continua a ser transmitido na empresa moçambicana de radiodifusão pública, aos sábados, as 21 horas.

Gulamo Khan e Leite de Vasconcelos, já falecidos, Santa Rita e Machado da da Graça, foram jornalistas da Rádio Moçambique.

História de Sandokan

A história do “Tigre da Malásia” não foi alimentada por Pratt além de desenhos e pranchas dispersos, tendo sido posta de lado por volta de 1973, quando o "Corriere della Sera" se limitava a uma trintena de páginas. Esquecidas numa caixa na editora, as pranchas da história inacabada de Sandokan de Pratt foram finalmente redescobertas pelo jornalista Alfredo Castelli, 40 anos mais tarde, encontrando finalmente o caminho das livrarias. A editora italiana de Pratt, Rozzoli-Lizard, foi a primeira a publicar este trabalho, já em 2009.

A saga de Sandokan foi criada pelo escritor italiano Emilio Salgari (1862-1911) que lhe dedicou onze livros, uma obra clássica da literatura de aventuras. Os desenhos de Pratt contam o início da saga, situada em 1849 no mar da Malásia, a algumas milhas da costa ocidental do Bornéu. Na ilha selvagem de Mompracem assolada pela tempestade, encontra-se uma inquietante personagem: o príncipe malaio Sandokan, um temido pirata que os ingleses pretendem capturar e que é conhecido por Tigre da Malásia.

Uma personagem central é o aventureiro português Eanes, leal amigo de Sandokan. É ele quem fala ao pirata sobre uma jovem esplêndida com cabelos de ouro que mora em Labuan e cuja reputação de beleza se expandiu por toda a região.

Galvanizado pela descrição do seu amigo, Sandokan decide fazer-se ao mar rumo a Labuan, para contemplar com os próprios olhos a bela e misteriosa jovem - Lady Mariana - e para se vingar dos ingleses que assassinaram a sua família.

A existência do "Sandokan" de Hugo Pratt era referida no livro de Dominque Petitfaux "De l'autre côté de Corto", editado pela Casterman em 1996. Mas ninguém tinha visto esta história inacabada e inédita, adaptada em texto por Mino Milani a partir da obra de Salgari.

Hugo Pratt nasceu em Rimini (Itália) em Junho de 1927 e morreu em Grandvaux (Suíça) em Agosto de 1995. O mais conhecido herói de Pratt é Corto Maltese, cuja primeira aparição data de 1967, na revista Sgt.Kirk. O marinheiro romântico era então uma personagem secundária.(X)

Columbia Records editou (o seu) Miles Davis completo

Uma caixa monumental que inclui todo o Miles gravado na Columbia, entre os discos "Round Midnight" (1955) e "Filles de Kilimanjaro" (1968)

Agosto foi o mês em que se assinalou o cinquentenário da edição de "Kind of Blue", o álbum gravado pela Columbia Records e lançado no dia 17 de Agosto de 1959 que com o tempo se tornou na mais vendida gravação em estúdio da história do jazz, para além de ser considerado um dos melhores discos da história da música. Mas este vai ser também o ano em que a etiqueta americana marca a celebração da arte de Miles Davis (1926-1991) com a edição de uma caixa monumental - pela extensão, mas principalmente pelo conteúdo -, que incluirá todo o Miles gravado na Columbia, entre os discos "Round Midnight" (1955) e "Filles de Kilimanjaro" (1968).

A caixa, intitulada "The Complete Album Collection"/Columbia Legacy, contem 70 CDs com todas as gravações conhecidas e inéditas do genial compositor e trompetista (entre as últimas, está o concerto de Miles no Festival da Ilha de Wight em 1970). Mas a "pièce de résistance" é um DVD também absolutamente inédito, "Live in Europe'67". E como bónus, um livro de 250 páginas...

Toda esta informação foi avançada pelo "site" de música Pitchfork Media, que anuncia o lançamento para 10 de Novembro, especificando que a caixa só poderá ser adquirida via Amazon. Custa tudo 369,98 dólares (pouco mais de 258 euros), o que Tom Breihan, autor da notícia, considera "uma pechincha". E é! E será também, certamente, uma edição para fazer história, como a de "Kind of Blue".(X)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Jackson sepultado perto de Walt Disney e Clark Gable

A família e os amigos mais próximos de Michael Jackson reuniram-se esta madrugada (cerca das 20:00h locais) para prestar uma última homenagem ao músico, no cemitério de Forest Lawn, em Glendale, Los Angeles, onde repousam figuras como Walt Disney e Clark Gable.

O funeral de Michael Jackson realiza-se mais de 70 dias depois da sua morte e reuniu familiares e amigos próximos do cantor, como Elizabeth Taylor ou Macaulay Culkin.

A comitiva familiar composta por mais de duas dezenas de viaturas chegou ao local às 20:00 (04:00 GMT de sexta-feira) escoltadas pela polícia e com uma hora de atraso em relação ao previsto depois de ter percorrido os cerca de 30 quilómetros que separam a residência da família do cemitério.

A cerimónia, ao ar livre prolongou-se por cerca de uma hora e teve entre os convidados Elizabeth Taylor, o pastor Jesse Jackson, o actor Macaulay Culkin e o coreografo Kenny Ortega.

Entre os amigos, a imprensa falou de outros nomes como Diana Ross, Corey Feldman, Broke Shields, Steve Wonder e a ex-mulher do cantor Lisa Marie Presley.

A música do funeral foi responsabilidade da cantora Gladys Knight.

Michael Jackson foi sepultado na área restrita e protegida do cemitério onde repousam também os restos mortais de celebridades como Clark Gable, Bette Davis, Carole Lombard, Walt Disney ou Sammy Davis Jr., protegendo assim a sepultura dos curiosos, fãs ou saqueadores.

O cemitério foi encerrado ao público e foram estabelecidas fortes medidas de segurança para garantir a privacidade do acto depois das cerimónias fúnebres públicas realizadas após a morte do cantor a 25 de Junho.

Depois da cerimónia no cemitério, a família preparou uma recepção no restaurante italiano Villa Sorriso, em Pasadena, a cerca de 12 quilómetros do cemitério, um acto classificado como uma "celebração" à vida de Michael Jackson.

Filha de Obama faz lembrar filho de John F. Kennedy

A Casa Branca divulgou uma fotografia de Sasha Obama que faz lembrar os tempos de John F. Kennedy à frente dos destinos da nação mais poderosa do mundo.

Na imagem, de 5 de Agosto deste ano, a filha do presidente norte-americano Barack Obama aparece escondida atrás de um sofá da Sala Oval, espreitando o pai enquanto este trabalha.

Numa fotografia tirada na mesma sala, em 1963, John F. Kennedy Jr., filho do antigo presidente John F. Kennedy, brinca escondido debaixo da mesa de trabalho do pai.

Alguns títulos da imprensa internacional sugerem que Sasha Obama teve com a publicação desta fotografia o seu "momento Kennedy".

Barack Obama já foi comparado, muitas vezes, a John F. Kennedy. O próprio senador Ted Kennedy, falecido na semana passada, considerava Obama um herdeiro do legado político do seu irmão, assassinado quando era presidente dos E.U.A., e apoiou Obama na histórica campanha que o colocou à frente dos destinos da nação mais poderosa do mundo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Jimi Hendrix vai ter um "biopic"

Desta vez parece que nem a meia-irmã, Janie, vai impedir que a coisa avance (pelo menos até certo ponto): depois de vários projectos recusados pela entidade gestora do legado de Jimi Hendrix, presidida por Janie, a Legendary Pictures vai avançar com um "biopic" sobre aquele que foi o maior guitarrista "rock" de sempre ("Rolling Stone" dixit). Dados os exemplos do realizador John Hillman e da Dragonslayer Films, em 2006 (não conseguiram direitos da música), a ideia é inverter o processo: arrancar com o filme primeiro e conseguir autorização depois.

A chegar aos cinemas, segundo a "Variety", o filme deve retratar a vida do músico desde a sua passagem pelo exército norte-americano e o super-estrelato atingido em Woodstock até à morte, a sua pouco explicada morte num hotel de Londres em 1970, com compridos e álcool à mistura.

Depois dos planos abortados em anos recentes envolvendo músicos como Lenny Kravitz e Andre Benjamin dos Outkast, não houve ainda comentários sobre o elenco. Sabe-se apenas que Thomas Tull e Bill Gerber seriam os produtores e que o argumento é de Max Borenstein.

Mafalda tem estátua em Buenos Aires desde domingo

Uma escultura da popular Mafalda está instalada desde domingo no bairro de San Telmo, em Buenos Aires, em homenagem ao criador da personagem, o desenhadar argentino Quino.

Mafalda está sentada num banco com uma altura de 80 centímetros, na rua Chile de San Telmo, onde decorria a história da personagem, a uns escassos metros do local onde vivia o seu criador, Joaquín Salvador Lavado (Quino).

A estátua, da autoria do escultor argentino Pablo Irrgang, celebra a curta vida de uma personagem que se tornou símbolo da contestação e do inconformismo nos anos 60 e 70.

Quino deu vida a esta criança céptica em 1964, numa série de tiras publicadas em três jornais até 1973, ano em que decidiu pôr fim à aventura.

O autor foi ser homenageado pelo governo argentino. De regresso a Buenos Aires, onde viveu vários anos e onde criou Mafalda, lamentou que a cidade se encontre arruinada e irreconhecível.

Quino nasceu em Mendoza em 1932 e reside actualmente em Itália.

O desenhador confessou que todas as personagens da Mafalda têm um pouco dele próprio, e que se identifica mais com Felipe, Miguelito e Libertad. Sublinhou que Mafalda é uma personagem feminina porque "as mulheres são muito mais astutas do que os homens".

Ainda que se sinta orgulhoso com o êxito internacional de Mafalda, Quino reconheceu que isso às vezes o assusta.

"Ter uma história fixa limita muito, porque fazer um desenho sempre com as mesmas personagens retira a liberdade de movimentos", concluiu.

Morte de ex-guitarrista dos Rolling Stones investigada novamente

A morte do antigo guitarrista dos Stones está a ser novamente analisada, noticia a BBC. Brian Jones, que morreu com 27 anos, foi encontrado no fundo duma piscina em Hartfield, em Sussex (Reino Unido), em 1969. Na altura, a investigação concluiu que a morte tinha sido acidental, excluindo os rumores de assassinato. No entanto, surgem agora novas provas que levam os investigadores a reapreciar o caso. A polícia afirma que é demasiado cedo para comentar o assunto.

Segundo o jornal “El Mundo”, há várias teses sobre a morte do músico, todas elas apontando para o cenário de homicídio. A primeira remete para o filme “Stoned” (2006), de Stephen Woolley, segundo o qual o músico tinha uma dívida de mais de 9000 euros (8000 libras na altura) para com um construtor chamado Frank Thorogood. Como forma de intimidação para que Jones pagasse a dívida, o construtor terá metido a cabeça do músico debaixo de água, acabando por afogá-lo.

A segunda teoria é de Trevor Hobley, fundador de um clube de fãs de Brian Jones, que compilou uma série de documentos, alegando serem provas de um homicídio. Segundo o jornal espanhol, Hobley assegura que os assassinos colocaram a cabeça de Jones dentro de um balde com água para o afogar, vestindo-o de seguida de fato de banho. No final, colocaram o corpo dentro da piscina. Todas estas teses foram ignoradas ao longo dos anos pelos responsáveis pela investigação, convictos de que a morte fora acidental.

Brian Jones foi um dos fundadores dos Rolling Stones e tocou com a banda durante a década de 60. Morreu pouco depois de ter abandonado o grupo de Mick Jagger, Keith Richards e Ian Stewart.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Autoridades dizem que morte de Michael Jackson foi homicídio

(Foto mostra o "rei do pop" dias antes de morrer)

O Instituto de Medicina Legal de Los Angeles anunciou sexta-feira que considera a morte de Michael Jackson, ocorrida em 25 de junho, como "homicídio", causado por uma "intoxicação aguda por propofol" e outros cinco remédios. O artista completaria 51 anos no sábado, 29.

Além do propofol, sedativo de acção rápida usado para anestesia geral, a autópsia determinou que havia no corpo de Jackson "benzodiazepina", um psicotrópico que produz efeitos sedativos e hipnóticos, ansiolíticos, anticonvulsivos, amnésicos e um relaxante muscular.

Propofol e lorazepam foram identificados como as principais drogas responsáveis pela morte", diz o comunicado do instituto. "Outras detectadas foram: midazolam, diazepam, lidocaína, efedrina." O informe final dos legistas inclui o exame toxicológico completo, que será mantido como documento confidencial a pedido da Polícia e da Promotoria de Los Angeles.

A família Jackson afirmou, em nota, esperar "ansiosamente o dia em que se faça justiça".

Na segunda-feira passada, documentos judiciais revelaram que o astro tinha "níveis letais" de propofol e indicaram que Murray, vinha administrando no astro remédios fortes para tratar a sua insônia. Murray havia admitido que começou por injectar 50 miligramas de propofol e nos dias seguintes foi baixando a dose.

Quando a dose chegou à metade, ele decidiu adicionar lorazepam e midazolam, também sedativos. Murray teria parado de dar propofol ao músico dois dias antes de sua morte. Mas, no dia 25, ele voltou a administrar a droga, após já ter injectado Valium e lorazepam.

Após aplicar o propofol, Murray se ausentou do quarto do cantor por alguns minutos e, quando voltou, viu que Jackson não mais respirava. Ele afirmou ter tentado reanimá-lo e chamado os paramédicos, que levaram o astro ao hospital da Universidade da Califórnia, onde foi declarada a sua morte.

O enterro do artista está previsto para a próxima quinta-feira, com uma cerimônia privada no cemitério Forest Lawn.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Disco natalício de Bob Dylan pode ajudar 1,4 milhões de famílias

A editora de Bob Dylan confirmou esta quinta-feira, 27,o lançamento de um disco com canções de Natal interpretadas pelo cantor, para efeitos de caridade.

O álbum vai intitular-se "Christmas in the Heart" e as receitas obtidas com a sua venda revertem a favor da "Feeding América", uma organização de caridade que fornece alimentos a mais de 25 milhões de pessoas, anualmente, nos Estados Unidos.

Nos restantes países, a editora de Bob Dylan está em negociações com organizações semelhantes para que os lucros sejam canalizados para efeitos de caridade.

"É uma tragédia que mais de 35 milhões de pessoas, apenas neste país [Estados Unidos] - 12 das quais crianças - vão frequentemente para a cama com fome e acordam todas as manhãs sem saberem onde vão conseguir a sua próxima refeição", explica Bob Dylan. O músico, que vai interpretar algumas das canções clássicas de Natal neste álbum, espera que o seu disco consiga trazer alguma segurança alimentar às pessoas necessitadas durante essa época especial do ano. As previsões apontam para que 1,4 milhões de famílias sejam ajudadas pelas receitas do disco.

Depois de "Together Through Life", que alcançou o número 1 do top norte-americano, este é o segundo lançamento de Dylan em 2009. O disco deverá chegar ao mercado em meados de Outubro.

Microsoft troca negro por branco em publicidade

Uma imagem publicitária da Microsoft foi alterada, gerando polémica. Nos Estados Unidos aparece um homem negro, na Polónia o rosto foi trocado por o de um homem branco. Esqueceram-se foi de mudar a cor da mão...

A Microsoft está a ser acusada de racismo. Em causa está um anúncio publicitário colocado no site polaco da empresa, onde aparece uma imagem alterada: a cabeça de um cidadão negro foi trocada pela de um homem branco.

No Estados Unidos, a Microsoft lançou a campanha com uma imagem de um asiático, um negro e uma mulher branca. Contudo, embora a publicidade tenha abrangência mundial, na Polónia o mesmo anúncio surge com o rosto de um homem branco entre os outros dois parceiros sorridentes. Pior: quem fez a montagem mudou apenas o rosto e esqueceu-se de disfarçar a cor da pela da mão, visível na imagem.

A empresa já pediu desculpas públicas, inclusive via twitter: "Estamos a analisar o caso. Apresentamos as nossas desculpas e vamos retirar a imagem".

sábado, 15 de agosto de 2009

Woodstock completa 40 anos de paz, amor e rock neste sábado

Janis Joplina, morreria um ano depois
A Feira de Música & Arte Woodstock faz 40 anos neste sábado. A 15 de agosto de 1969, na pequena fazenda de 2,4 quilômetros quadrados de Max Yasgur, na localidade rural de Bethel, Nova York, a grande mostra da Era de Aquarius exibiu ao mundo a sua face libertária, provocadora, iconoclasta, naturalista, enlameada e confusa.

A utopia hippie, ao tornar-se quarentona juntamente com Woodstock, celebra o seu renascimento circular. Durante as décadas de 80 e 90, o "bicho-grilismo" encenado pelos hippies de Woodstock era uma coisa a se evitar. Nos anos 00, virou o estilo e a meta a ser perseguida. Hoje em dia, olhando algumas bandas de rock como Magic Numbers e Kings of Leon, com as suas barbinhas e batinhas e roupinhas sujinhas, parece que não se passou nem um dia sequer.

Parece insano discutir hoje o mérito musical de Woodstock, quando na verdade o festival detonou principalmente uma revolução comportamental. Mas o facto é que algumas performances foram muito mais importantes do que outras - a Sony Music relançou esta semana no Brasil as performances integrais de Janis Joplin, Johnny Winter, Santana, Jefferson Airplane e Sly and the Family Stone. É material essencial para entender o que se passou do ponto de vista artístico naquele marco dos anos 60.

O cantor, violonista, guitarrista e compositor Richie Havens abriu o festival por conta da própria natureza improvisada da festa. Ele lembra que não estava escalado para ser o primeiro a subir naquele palco (seria o quinto, na verdade), mas foi içado pela organização para cantar porque os outros que cantariam estavam presos no imenso congestionamento que se formou na estrada - esperavam 70 mil pessoas, apareceram 400 mil, o que levou o município a pensar em decretar estado de calamidade pública.

"Eram 5 da tarde e nada ainda estava a acontecer", contou Havens anteontem. "Mas eles tiveram de me colocar em primeiro. Eu me senti tipo “eles vão me matar se eu subir ao palco primeiro, dá um tempo, preciso daquelas quatro atrações antes de mim para esquentar a platéia”. "Mas não teve jeito. As pessoas foram bacanas. Eu deveria cantar por 40 minutos, o que fiz, mas ali do lado do palco eles diziam: “Richie, mais quatro canções?” Eu cantava e já ia sair e eles diziam: “Richie, mais quatro canções?” E eu continuei tocando por duas horas e 45 minutos, depois que já tinha cantado todas as canções que sabiam.” Entre essas canções, estava Freedom, que foi apresentada no documentário de 1970 sobre o festival, ganhador de um Oscar.

Havens, que está actualmente em digressão a promover o seu disco de 2008, Nobody Left to Crown, disse o seguinte esta semana, falando à Reuters: “Todos os tipos de música subiram ao palco naqueles três dias, e todos eles tinham o senso do que era necessário - e do que ainda é necessário em termos de informação para atravessar as barreiras e continuar em frente.”

De facto, a música era diversificada, com uma predominância do blues, rock e do folk, que eram os gêneros "jovens" da época. Mas houve também a novidade, começando com a fabulosa apresentação de um jovem guitarrista mexicano da Bay Area, Carlos Santana, que ganhou apenas US$ 1,5 mil para tocar e se apresentou no dia 16. As 8 músicas que Santana tocou estavam impregnadas de um latin rock fundido com blues, uma força instrumental turbinada por congas, bateria, baixo e percussão.

Quarenta anos depois, ainda é difícil entender o poder daquela versão que Santana apresentou de Soul Sacrifice. Ao contrário de Hendrix, a outra força motriz do festival, Santana esmerava-se na busca de um acento latino, polirítmico, específico e étnico para a sua guitarra. Filho de um músico mariachi de Navarro, no México, o guitarrista inventava um novo léxico.

Outra notável performance foi a do fantástico grupo de Black Music Sly &; The Family Stone, que tocou 9 canções na jornada. Formado por Sylvester “Sly Stone” Stewart e os seus brothers Vaetta, Freddie e Rose Stone, mais Gregg Errico (bateria), Jerry Martini (sax), Cynthia Robinson (trompete e vocais), Larry Graham (baixo), o grupo tinha lançado em maio daquele ano o disco Stand!, a mais bem acabada síntese de funk, soul, gospel, psicodelia e rock - e ativismo, com faixas como Don’t Call me Nigger, Whitey.

Janis Joplin, que morreria de forma trágica no dia 4 de outubro de 1970, estava a desvencilhar-se da sua banda Big Brother and The Holding Company e a iniciar a mais curta (e impactante) carreira-solo do rock internacional.

Dois anos antes, ela cantava folk e blues em bares de São Francisco e Venice Beach, na Califórnia. Em 1966, voltou a Austin para cantar numa banda de country, mas um empresário a convenceu a montar uma banda. Assim, juntou-se à mitológica Big Brother and the Holding Company, que tinha recém-abandonado nas vésperas de Woodstock.

Janis cantou 10 músicas no festival, no dia 17 de agosto de 1969. Quando ela empunhou Ball and Chain, de Big Mama Thornton, encerrando o seu show, estava patente que ali não se apresentava uma artista comum, mas alguém destinada a reescrever a história da música popular, embora de forma tão precária.

Do mundo psicodélico, houve uma baixa importante - o Greateful Dead teve a sua apresentação maculada por problemas técnicos. Mas o Jefferson Airplane fez bem a sua parte, misturando peças viajandonas conhecidas, como White Rabbitt, com outras do disco que lançariam em seguida, como Volunteers, Eskimo Blue Day e Wooden Ships.

Um ano depois daquela loucura, banhos pelados debaixo da chuva, balés e meditação para Sol e Lua no mato, Jimi Hendrix morreria em Londres. Woodstock teve outras edições, como a violenta farra de 1999. Na época, o baixista do Red Hot Chili Peppers, Flea, disse que chorou ao ter notícia, ainda nos bastidores, da ocorrências de abuso sexual e violência generalizada entre o público. Durante os momentos de mosh do show do Limp Bizkit, houve uma sessão de quebradeira e saques promovida por uma juventude vitaminada, cheia de sucrilhos e de classe média. Os tempos mudaram, definitivamente.