segunda-feira, 20 de julho de 2009
60 anos depois, o Scala vai vender sapatos, roupas e mobílias
sábado, 18 de julho de 2009
Espectáculos: para ver e não para ouvir
Edmundo Galiza Matos"Os músicos podem ser muito diferentes mas o objectivo é sempre o mesmo: tocar as pessoas emocionalmente através do som”.
Brandford Marsalis, “Público”
Amigos meus e ocasionais ouvintes do “Clube dos Entas” têm estranhado o facto de nunca me terem enxergado nos espectáculos de música realizados nas cidades de Maputo e Matola. Consideram até que, sendo eu produtor de um programa de rádio, mais virado para a música e para factos com ela relacionados, seria natural que me interessasse também pelos eventos que amiúde têm lugar nas duas cidades. Até para me documentar e informar sobre a quantas anda a nossa música...
Porque nunca fui capaz de lhes satisfazer a curiosidade, não lhes restou outra alternativa senão conjunturar que o meu alheamento só podia residir ou num absurdo pedantismo ou então que a idade já não me permitia passar pelos excessos, habituais entre nós, sobretudo em eventos musicais. Logo eu, um credenciado noctívago e cervejeiro ajuramentado... É mesmo estranho, não encaixa.
“Pedantismo” ou “velhice”, em qual das duas categorias me situo? eis uma questão sobre a qual nunca procurei dar uma reposta, mesmo para comigo próprio, pese embora este “comportamento desviante” me azucrine a cachola, sempre que se anuncia mais um espectáculo.
Hoje, muito embora não se conheça para breve qualquer evento cultural musical, não resisti à tentativa de procurar uma resposta para o enigma, “clicada” após a leitura de uma entrevista de Brandford Marsalis, esse grande saxofonista norte-americano, conceddida à jornalista Cristina Fernandes, do jornal português “Público”, no passado dia 10.
No excerto dessa intervenção do Brandford, que a seguir transcrevo, julgo que pode estar a residir uma das razões porque ando na contra-mão da “moda” dos espectáculos: Em muitas sociedades, como é o caso da norte-americana, as pessoas ainda vão aos concertos para ver e não tanto para ouvir. É por isso que quando se fala do Michael Jackson os temas são as luvas, as jaquetas, o seu comportamento ou as coisas estranhas da vida dele, mas há muito pouca discussão sobre a voz”.
Ora aí está: Haverá por aí quem possa desmentir esta leitura de um dos rebentos da família Marsalis? Ninguém, pelo simples facto de que as grandes assistências dos nossos eventos culturais serem movidas por outros motivos que não os estritamente culturais. Ou seja: pretexto para a troca de copos, fuga a uma realidade cada vez mais incontrolável, exibição das mais extravagantes futilidades, para não dizer quinquilharias (telefones, vestuário, carros, etc)
Objectivamente, está-se perante mais um fénomeno de alienação das multidões e não do que devem ser os eventos culturais dignos desse nome.
De outra faceta tão interessante quanto aquela se revestem os espectáculos musicais que se realizam entre nós, mormente os que se dizem de Jazz, a maioria dos quais, tendo como cabeças de cartaz nomes nacionais e uns tantos estrangeiros.
Confesso o receio de parecer pedante mas não posso esconder o meu desacordo quanto a esta matéria, sobretudo quando os nossos promotores de espectáculos, erradamente, atribuem a este ou aquele artista ou grupo, a qualidade de executantes do género Jazz.
Se me pedirem uma definição do que é Jazz direi sem rodeios que não a tenho. De uma coisa porém estou certo: Jazz, meus senhores, pode ser tudo, menos o que se ouve em qualquer “Senta Baixo” deste país e, na melhor das hipóteses, nos momentos que antecedem a chegada dos recém-casados aos tradicionais “copos d’Agua”. Bob James e o seu “Four Play” e Jimmy Dludlu, só para citar dois nomes conhecidos, entre uma garfada e outra, sabem muito bem aos comensais esfomeados que pululam as nossas festas. O Jazz não cabe neste esquema. Tenho dito.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Leilão de retrato de Michael Jackson pintado por Andy Warhol adiado por excesso de licitações
Uma galeria de Nova Iorque anunciou hoje o adiamento de um leilão de um retrato de Michael Jackson pintado por Andy Warhol em 1984, devido ao grande número de licitadores que se mostraram interessados na obra."O leilão despertou grande interesse e comprovar que todos os participantes dispõem de fundos bancários exige tempo", explicou Vered, a artista e co-proprietária da galeria que tem o seu nome, adiantando que o leilão se vai manter até ao dia 15 de Agosto.
O quadro - que, segundo Vered, teve ofertas que alcançaram um milhão de dólares - reproduz numa tela de 76 por 66 centímetros um Michael Jackson sorridente envergando o emblemático traje vermelho que o popularizou com o album "Thriller".
Trata-se de um retrato do "rei da pop" pintado pelo "rei da arte pop", que em cinco anos duplicará o preço. É um grande investimento", assegurou Vered.
A galeria obteve a obra de um colecionador privado, após a morte do cantor no passado dia 25 de Junho.
A venda do quadro, que estava prevista para o passado domingo, pode alcançar os dez milhões de dólares.
domingo, 12 de julho de 2009
Vídeo inocenta Obama de “admirar” jovem brasileira na Itália
A cena do vídeo mostra, entretanto, Obama a ajudar uma mulher. Já Sarkozy, em destaque, desviou o seu olharO vídeo mostra o Obama virando-se para ajudar uma mulher a descer os degraus no momento em que Mayara passava e por isso, segundo o canal americano, isenta o presidente. O mesmo, entretanto, não se pode dizer de Sarkozy, que aparece no vídeo a desviar o olhar em direcção à jovem e mostra-se "interessado" na imagem divulgada. Mayara esteve em Áquila a representar o J-8, grupo de jovens que acompanha o encontro do G-8.
“Sei quem assassinou Michael”, diz Latoya Jackson
Latoya Jackson é a capa neste domingo, 12, de dois dos principais jornais sensacionalistas britânicos, o "News of the World" e "The Mail on Sunday", nas quais a irmã do "rei do pop" assegura que Michael foi assassinado e que ela sabe quem são os assassinos.No "News of the World" Latoya afirma que são várias as pessoas responsáveis pela morte do seu irmão e que a razão foi "uma conspiração para ficar com o dinheiro de Michael". As suas declarações foram feitas dois dias depois que o chefe da polícia de Los Angeles admitiu que o assassinato era uma das linhas de investigação, algo sobre o que Latoya não tem dúvidas.
"Houve uma conspiração. Acho que foi tudo pelo dinheiro. Michael valia mais de US$ 1 bilhão em ativos por direitos de difusão musical e alguém o matou por isso. Valia mais morto que vivo", diz a irmã mais velha do cantor, que não dá nomes em nenhum momento sobre quem possam ser os assassinos.
Latoya assegura que esse "grupo de pessoas" roubou US$ 2 milhões em dinheiro e várias joias da casa do seu irmão, que o viciaram nas drogas, que o isolaram da sua família e amigos "para que se sentisse só e vulnerável", e que o obrigaram a trabalhar "até a extenuação" para continuar a ganhar dinheiro.
Michael, segundo o testemunho de Latoya, não queria dar a série de 50 shows que deviam ter começado nesta segunda-feira em Londres. "Há menos de um mês, eu disse que pensava que Michael ia morrer antes das actuações de Londres porque estava rodeado de gente que não abrigava as melhores intenções no seu coração", diz Latoya, que define o seu irmão como uma pessoa "muito dócil, calada e carinhosa, da qual as pessoas se aproveitavam".
"Nunca achei que Michael vivesse até ficar idoso", assinala a entrevistada, convencida de que Michael Jackson era "a pessoa mais só do mundo" e que "antes ou depois ia lhe acontecer algo terrível".
Nas entrevistas revela outros detalhes, como que o cantor não morreu na sua cama, mas na do médico que vivia com ele, Conrad Murray, o qual acusa de desaparecer do hospital ao qual foi levado o cantor quando ela começou a fazer-lhe perguntas. Latoya assegura que foi ela quem insistiu em que fosse feita uma segunda autópsia no cadáver após ver que "tinha marcas de picadas no pescoço e nos braços", e antecipou que conhecer os resultados finais "será um choque" para todo mundo.
Também afirma que espera que se encontre um testamento do seu irmão posterior ao de 2002, no qual Michael Jackson expressa o seu desejo que os seus filhos vivam com Diana Ross, e que "as histórias que o seu coração foi tirado (durante a autópsia) não são verdade".
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Autor Dan Brown muda para Washington por novo livro
O autor Dan Brown está de mudança para Washington para continuar com a sua bem-sucedida série de livros sobre a teoria da conspiração "O Código Da Vinci".O último romance de Brown, "O Símbolo Perdido", será lançado a 15 de setembro e de novo retrata o simbologista fictício de Harvard Robert Langdon, numa história que se realiza num período de 12 horas.
O local e a trama do livro estavam guardados em segredo até que a editora lançou duas capas do livro nesta quarta-feira, no início de uma campanha promocional que inclui palavras cruzadas online e códigos.
A capa norte-americana do livro traz uma imagem do Capitólio com um lacre de cera vermelho contra um fundo de símbolos, enquanto a capa na Grã-Bretanha e na Austrália traz o Capitólio e uma chave.
O editor de Brown nos Estados Unidos, Jason Kaufman, da Knof Doubleday, uma marca da editora Random House, disse em um comunicado que o livro é "em grande medida" passado em Washington, mas "é uma Washington pouco reconhecida".
"Como podemos esperar, o escritor tira o véu - revelando um mundo não visto de misticismo, sociedades secretas, e locais escondidos... que mostra uma época anterior da América", disse Kaufman.
"O Símbolo Perdido" terá 6,5 milhões de cópias na primeira impressão em língua inglesa - a maior impressão da Random House, uma unidade do grupo alemão Bertelsmann AG.
"O Código Da Vinci" teve mais de 81 milhões de cópias impressas desde seu lançamento em 2003 e ficou no topo dos livros mais vendidos no mundo todo, com uma história que despertou indignação no Vaticano e em muitos católicos devido à história ficcional sobre conspiração na Igreja.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
McCartney nega que Michael quisesse ceder músicas dos Beatles
Em declaração divulgada no seu site oficial, McCartney afirma que "há algum tempo, a imprensa apareceu com a ideia de que Michael Jackson iria deixar-me a sua parte sobre os direitos dos Beatles no seu testamento". Segundo o músico, essas informações "foram completamente inventadas".
"Agora a informação é de que estou desolado ao saber que não me deixou as canções. Isto é completamente falso. Não tinha pensado nem por um minuto que as primeiras informações fossem verdade e, portanto, as notícias de que estou desolado são também totalmente falsas. Não acreditem em tudo o que leem", escreveu o ex-Beatle.
Michael Jackson comprou a empresa Northern Songs, que era a proprietária da maioria das canções compostas por Paul McCartney e John Lennon como membros dos Beatles, em meados dos anos 80, em um leilão no qual ofereceu mais dinheiro do que o baixista do grupo.
Esses 50% sobre os direitos das músicas dos Beatles é um dos ativos mais rentáveis e com garantia de futuro do falecido cantor, já que o seu valor estimado está em torno dos US$ 480 milhões.
McCartney declarou que, embora a amizade que manteve com Jackson nos anos 80 tenha se debilitado ao longo do tempo, ambos nunca deixaram de se considerar amigos, e tem "uma lembrança carinhosa" do tempo que passaram juntos.
"Em momentos como este, a imprensa tende a inventar coisas. Portanto, de vez em quando sinto a necessidade de deixar as coisas claras", termina o comunicado.
Moçambique: Caça furtiva, uma chaga
A Polícia moçambicana (PRM) deteve a 25 de Junho último dois cidadãos estrangeiros, na cidade da Beira, capital da província central de Sofala, por crime de abate ilegal do animal protegido, caça em período de defeso, posse ilegal de armas de fogo e furto de dispositivo electrónico.Segundo o Departamento de Comunicação do Parque Nacional de Gorongoza (PNG), trata-se de Victor Ildefonso Anselmo, 47 anos, e Juliene Raymond, 56 anos, de nacionalidade portuguesa e francesa respectivamente.
Leia mais: Estrangeiros detidos por caça ilegal de elefantes
Ambos são indiciados de abate ilegal de um elefante e apoderado indevidamente de um colar – transmissor do sinal via satélite do PNG, no dia 18 ou 19 de Junho último, perto de Chiramba, no distrito de Chemba.
Segundo o director do Departamento de Conservação do PNG, Carlos Lopes Pereira, “o elefante denominado G4, facilmente identificável pelo colar – transmissor de grande porte que levava ao pescoço, movimentava-se, frequentemente, entre o Parque e o rio Zambeze, passando pelas Coutadas de Caça, facto conhecido pelos responsáveis e pelas comunidades”.
terça-feira, 7 de julho de 2009
A última homenagem a Michael Jackson
A cerimônia privada com familiares e amigos íntimos de Michael Jackson será às 8 horas da manhã desta terça-feira, 7, (19 no horário de Moçambique), no cemitério Forest Lawn, em Los Angeles, duas horas antes do início da cerimônia pública no Staples Center. Não será permitida a presença de TVs ou imprensa no cemitério. A família não informou se após a cerimônia o corpo de Michael será sepultado ou se seguirá em procissão até o Staples Center. As autoridades locais não recomendam a procissão, pois temem haver comoção pública.A cerimônia pública vai reunir diferentes gerações de artistas, de Stevie Wonder a Usher, com uma plateia de quase 20 mil pessoas. Mas a sua transmissão ao vivo pelas cadeias NBC, ABC, CNN, MSNBC e E! Entertainment deve atingir uma audiência global de 1 bilhão.
Leia mais: Fãs e familiaresprestam última homenagem a Michael Jackson
Para essa cerimônia, mais de 1,6 milhão de pessoas se registaram para concorrer aos 8.750 ingressos. As chances de conseguir uma entrada eram poucas.
A lista de artistas anunciados pela família Jackson traz músicos de peso, como Stevie Wonder, Lionel Richie e Smokey Robinson, e outros sem a mesma importância histórica, como Mariah Carey. Segundo o jornal New York Post, Diana Ross e Elizabeth Taylor abririam com um discurso. A lista não trazia nomes como Quincy Jones, Liza Minelli, Paul McCartney e Madonna.
Debbie Rowe, ex-mulher de Jackson e mãe de seus dois filhos mais velhos, desistiu de aparecer por causa da "violência da atenção da mídia", segundo sua advogada.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Mia Couto – Homenageado no Brasil, afirma que reforma ortográfica não faz sentido
Antes da unificação da grafia da língua portuguesa nos países africanos que falam oficialmente o português, é preciso discutir questões do âmbito social e político, defende o escritor moçambicano Mia Couto para quem a reforma ortográfica não faz sentido."Eu não tenho uma posição militante em relação a isso, não dou essa importância. Reconheço que pode haver algumas razões para se fazer uma reforma ortográfica. Eu sou crítico ao discurso que foi feito para justificar o acordo para ficarmos mais próximos, para nos entendermos melhor, isso é mesmo mentira", disse.
Para Mia Couto, os falantes da língua portuguesa já se entendem, "é mentira que tenhamos nos afastado do ponto de vista cultural do conhecimento". E complementa que "nós já nos entendemos, eu sempre li brasileiros sem dificuldade nenhuma".
De acordo com o sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras que está no Rio de Janeiro para o Festival de Teatro da Língua Portuguesa, o que afasta o mundo lusófono são as "opções políticas e estratégias que as elites desses países têm". Se estas questões não forem discutidas, segundo disse à Lusa o escritor moçambicano, "vamos criar um mal entendido pensando que automaticamente, por uma razão técnica, nós vamos chegar a uma maior proximidade".
Mia Couto diz sentir prazer em ler autores brasileiros com "elementos gráficos diferentes para que essa diversidade esteja presente". E refere não ter "medo de uma língua que tenha diversidades com a tradução de marcas culturais e geográficas, não temos que ter medo disso".
Ele afirma-se resistente ao Acordo Ortográfico que no Brasil vigora desde 1 de Janeiro deste ano. Para o escritor, os países pobres de língua portuguesa precisam "resolver uma série de outras coisas antes (da reforma) que não sei se estão a ser discutidas".
"Entendo que em Portugal este assunto foi tido com muito mais nervos e componentes psicológicos" e contrapôs que em Moçambique, um país com mais de 25 línguas africanas, o português é tido como segunda língua. "As pessoas lá são quase sempre multilíngues, pois falam duas ou três línguas africanas."
Com seu livro recém lançado no Brasil "Antes de nascer o mundo", cujo título em Portugal e em Moçambique é "Jesusalém", Mia Couto considera-se antes de tudo um poeta e diz que o que lhe fascina na prosa é o "poder fazer a criação poética, não só em cima da linguagem, mas em cima da narrativa".
"Para mim a poesia não é só um gênero literário, é uma maneira de eu ver o mundo, de eu sentir o mundo", salientou ao destacar que a literatura ainda pode causar encantamento e criar utopias.
"A literatura pode mostrar o gosto de se poder sonhar e se poder construir outros dias. Não é o escritor que desenha um caminho para a saída, mas ele mostra que há um prazer em encontrar um mundo para além desse", declarou.
Após 16 anos de guerra civil com um saldo de um milhão de mortos, Mia Couto se diz céptico, mas que a literatura pode ajudar a cicatrizar as feridas.
"Eu faço arte, literatura, e sou movido por este desejo de ter um compromisso ético de criar uma sociedade nova em Moçambique, um mundo mais justo com mais verdade", explicou.
Mia Couto é homenageado na abertura de Festival de Teatro no Brasil
O escritor moçambicano Mia Couto foi o homenageado no Festival de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip) que decorre até dia 12, no Rio de Janeiro, e leva ao Brasil onze espectáculos teatrais de seis países lusófonos.
"Estamos a consolidar uma parte da cultura de nossa língua portuguesa. O Mia Couto é homenageado pelo que ele representa e pelo incentivo que dá aos grupos de teatro. É uma pessoa que o teatro de língua portuguesa tem se alimentado", afirmou na noite de abertura do festival a idealizadora do evento, a actriz e produtora Tânia Pires.
Esta segunda edição do festival que já integra o calendário cultural carioca reúne 80 profissionais de teatro de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.
Cada país será representado por duas companhias, a excepção de Guiné-Bissau, que faz sua estreia no Festlip com montagem do Grupo do Teatro do Oprimido, criado no país pelo recém-falecido dramaturgo Augusto Boal.
Na programação, além da palestra de Mia Couto cujo tema será a "metamorfose da literatura para o teatro", será encenado pelo Grupo Tijac, de Moçambique, o espectáculo "Mar me Quer", baseado na obra de sua autoria.
Mia Couto disse ter tido dúvidas se aceitava o convite para o festival e afirmou ter pensado em declinar e dedicou a homenagem a todos os "heróis fazedores de teatro".
O escritor disse que na reprodução das suas obras literárias para o teatro e para o cinema, há uma "tentação de que aquilo que fizemos pelo menos não morra".
"Significa que há um diálogo entre linguagens diferentes. Transplantar significa exactamente semear no outro terreno e o que vai nascer será uma outra coisa, eu noto que meu trabalho serviu de inspiração, de ponto de partida", afirmou, ao referir que procura não ter a expectativa de que o que está a ser feito possa ser um "prolongamento" de sua obra.
Nascido em Beira, Moçambique, em 1955, Mia Couto é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. Além de jornalista, ex-militante político e biólogo, Mia Couto é considerado um dos grandes escritores contemporâneos africanos de literatura de expressão portuguesa.
Entre seus prémios, o moçambicano foi distinguido pelo conjunto da sua obra com o Prémio Vergílio Ferreira 1999 e também recebeu o Prémio União Latina de Literaturas Românicas em 2007.
A expectativa para este ano é de que cerca de 18 mil pessoas circulem pelas eventos culturais e assistam aos espectáculos teatrais, todos com entrada franca.
O segundo Festlip conta com apoio das embaixadas de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal, Instituto Camões, Ministério da Cultura, Fundação Palmares e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Michael Jackson homenageado em Nova Iorque horas antes de o seu corpo começar a ser velado
Durante várias horas, milhares de fãs de Michael Jackson reuniram-se junto ao cine-teatro Apollo, em pleno Harlem (Nova Iorque), para prestar homenagem ao malogrado cantor. O “Rei da Pop” pisou o palco do Apollo quando tinha nove anos, integrado nos Jackson 5, o grupo que formava com os irmãos mais velhos. Na sexta-feira, o corpo do cantor começa a ser velado no rancho de Neverland.Milhares de pessoas formaram uma longa fila à porta do cine-teatro para assistirem a um tributo musical de 45 minutos que se repetiu ao longo do dia no ecrã do cinema.
“Ele é nosso irmão, nosso amigo”, disse Al Sharpton, activista dos direitos humanos e amigo de Michael Jackson, às primeiras pessoas a chegarem à sala de cinema. “Hoje vamos amar o Michael”, indicou Sharpton, citado pela Reuters.
Michael Jackson morreu de paragem cardíaca em Los Angeles na passada quinta-feira, a poucos dias de começar uma nova série de concertos que tinham como objectivo reanimar a sua carreira, parada desde 2005, altura em que foi acusado – e mais tarde ilibado – pela justiça americana de abuso sexual de crianças.
Medicamento usado em anestesias encontrado em casa do cantor
Ainda há mais especulações que certezas acerca da causa da morte de Michael Jackson. As análises toxicológicas ao sangue do cantor ainda devem demorar vários dias até que produzam resultados conclusivos.
De acordo com o site TMZ.com - o primeiro a anunciar a morte do cantor - terá sido encontrado na casa onde Michael Jackson veio a morrer um medicamento usado em anestesias cirúrgicas. O fármaco só pode ser vendido a pessoal médico e um dos principais efeitos secundários do Propofol é a paragem cardíaca, se for tomada a par com analgésicos.
Uma antiga enfermeira de Michael Jackson, Cherilyn Lee, anunciou, por seu lado - citada pela CNN -, que a estrela pop a pressionou, sem sucesso, para que esta lhe comprasse Diprivan, o nome genérico do Propofol.
Neverland será o cenário do último adeus
Entretanto, o rancho californiano de Michael Jackson – Neverland, a 150 quilómetros a noroeste de Los Angeles – prepara-se para acolher o funeral do “Rei da pop”, cujo corpo deverá ser exposto publicamente a partir de sexta-feira.
Depois da cerimónia pública de vigília, o cadáver deverá ser enterrado numa cerimónia privada, reservada aos membros da família e amigos próximos, no domingo, embora esta informação ainda não tenha sido confirmada pelas autoridades do condado de Santa Barbara, onde está instalado rancho. As autoridades locais estão apreensivas quanto às cerimónias fúnebres, uma vez que é esperada uma legião de fãs, curiosos e jornalistas no último adeus ao cantor. De acordo com a AFP, a estrada de acesso a Neverland já estava ontem à noite cheia de camiões de transmissão por satélite das principais cadeias de televisão americanas e os hotéis da região ficaram completamente esgotados.
A decisão da família de transportar o corpo cantor para Neverland poderá indicar que a família quer fazer do rancho a última morada de Michael Jackson, à imagem de Graceland, onde está enterrado Elvis Presley.
Michael Jackson comprou o rancho de mais de mil hectares em 1988, numas colinas chamados Los Olivos, e instalou no seu perímetro um jardim zoológico e um pequeno parque de atracções, que foram desmantelados em 2005, em parte para pagar as custas judiciais do seu julgamento por abuso de menores.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Mia Couto no Brasil para lançar o livro “Antes do Sol Nascer”, “Jerusalém” em Moçambique
O escritor, jornalista e dramaturgo moçambicano Mia Couto está desde quinta-feira no Brasil - primeiro em São Paulo para lançar o seu novo romance -, e depois no Rio de Janeiro para ser homenageado.O livro, que é lançado simultaneamente em vários países, tem uma particularidade: em Moçambique, Angola e Portugal chama-se Jerusalém; no Brasil tem como título Antes de Nascer o Mundo. O romance conta a história de um lugar, Jerusalém, onde vive o que restou da humanidade e de Silvestre Vitalício, dos seus dois filhos, um tio dos rapazes e um empregado.
À “Folha de São Paulo”, o escritor explica: "No interior de Moçambique deparei com famílias que viviam numa quase completa condição de marginalidade. Estavam aparentemente longe de tudo. Trabalhei com essas comunidades e reparei sempre que, depois de um primeiro olhar, a ligação umbilical com o mundo de hoje estava presente". É dessa ligação que Vitalício, o líder do pequeno lugar, tenta sair. Mais concretamente das recordações que o mundo real lhe traz - a morte de Dordalma, mãe dos seus filhos. A tentativa de apagar o passado é também uma fuga da guerra que fez um milhão de mortos no país.
"Os moçambicanos escolheram o esquecimento. Quem hoje viaja pelo país não sente sinal nenhum dessa guerra. Esse esquecimento é uma sabedoria, uma percepção de que os demónios do passado ainda não foram enterrados. Mas é um falso esquecimento, como quase sempre sucede com os lapsos de memória", diz Couto à “Folha de São Paulo”.
Depois de ter participado, sexta-feira, num debate no Sesc Avenida Paulista, é a vez de ser homenageado, dia 3 de Julho, no Festival de Teatro da Língua Portuguesa. A partir de 12 Julho, Mia Couto estará em Portugal para o lançamento de Jerusalém.
Mia Couto, 54 anos, lançou 23 livros e ganhou muito prémios, entre os quais o Virgílio Ferreira (1999), União Latina de Literaturas Românticas (2007) e o título de um dos 12 melhores livros africanos do século XX com Terra Sonâmbula.(X)
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Flauta de 35 mil anos é o mais antigo instrumento musical
Uma equipe liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, montou a flauta a partir de 12 fragmentos de osso de abutre, espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels, no sul da Alemanha.
Juntas, as peças formam um instrumento musical de 22 centímetros com cinco furos e uma extremidade em forma de "V". Coranrd disse que a flauta tem 35 mil anos de idade.
"É, sem dúvida, o mais antigo instrumento musical do mundo", disse o arqueólogo. A descoberta está descrita na edição desta semana da revista Nature.
Outros arqueólogos concordaram com a avaliação de Conard.
A arqueóloga especializada no período paleolítico April Nowell, da Universidade de Victoria, no Canadá, disse que a data da flauta é anterior à de outros instrumentos, "mas não tão mais antiga que chegue a ser surpreendente ou polémico". Ela não tomou parte no trabalho de Conard.
A flauta de Hohle Fels é mais completa e um pouco mais velha que fragmentos de osso e marfim de sete outras flautas, também encontradas no sul da Alemanha e documentadas por Conard e colegas nos últimos anos.
Outra flauta, descoberta na Áustria, teria 19 mil anos, e um conjunto de 22 flautas encontradas nos Pirineus franceses foram datadas de 30 mil anos atrás.
A equipe de Conard escavou a flauta em setembro de 2008, o mesmo mês em que descobriu seis fragmentos de marfim em Hohle Fels que compõem uma estatueta feminina que, acredita-se, é a mais antiga escultura de uma forma humana.
Juntas, flauta e estatueta - descobertas na mesma camada de sedimento - sugerem que seres humanos anatomicamente modernos haviam estabelecido uma cultura avançada na Europa há 35 mil anos, disse o arqueólogo Wil Roebroeks, da Universidade de Leiden, na Holanda, e que não tomou parte em nenhuma das duas descobertas.
Roebroeks disse que é difícil saber qual o grau de inteligência ou de desenvolvimento social desse povo. Mas os vestígios materiais que deixaram - escultura, instrumentos musicais, adornos - combinam com objectos associados ao comportamento dos seres humanos modernos.
"Isso mostra que, já no momento em que os humanos modernos entraram na Europa... em termos de cultura material, eram tão modernos quanto possível", disse ele.
Neandertais também viviam na Europa na época em que a flauta e a estatueta foram feitas, e frequentaram a caverna de Hohle Fels. Tanto Conard quanto Roebroeks acreditam, no entanto, que os depósitos de vestígios deixados por ambas as espécies, ao longo de milhares de anos, indicam que os artefactos foram criados por humanos.
"O registoo material é tão completamente diferente do que aconteceu nas centenas de milhares de anos anteriores, com os neandertais", disse Roebroeks. "Eu apostaria que humanos modernos criaram e tocaram essas flautas".
Em 1995, o arqueólogo Ivan Turk encontrou um osso de urso numa caverna da Eslovénia, e que ficou conhecido "a Flauta de Divje Babe". Turk datou o objecto de 43 mil anos atrás e sugeriu que fosse uma flauta usada por Neandertais.
Mas outros arqueólogos puseram a hipótese em questão, sugerindo que os furos feitos no osso eram marcas dos dentes de um animal carnívoro.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Kodak anuncia o fim do rolo de diapositivos a cores mais antigo do mercado
O retrato icónico que Steve McCurry captou da afegã Sharbat Gula, em 1984, parece confirmar a descrição que muitos fizeram das cores presentes nas fotografias registadas em rolos Kodachrome - tonalidades “vibrantes, ricas e intensas”. A imagem que correu mundo e que foi capa da National Geographic passará a fazer parte de um memorial muito particular ligado ao suporte com que foi conseguida já que a Eastman Kodak Company anunciou ontem que deixará de produzir este tipo de película, 74 anos após ter sido colocada à venda.Aquele que era o mais antigo rolo a cores do mercado – celebrado também na música por Paul Simon numa canção de 1973 cujo refrão pedia: “Mamã não me tires o Kodachrome” - tinha um processo de fabrico complexo e uma revelação igualmente complicada. Nos últimos anos, o aparecimento de rolos com resultados a nível da cor semelhantes e menos dispendiosos, bem como a massificação do suporte digital (o próprio Steve McCurry fotografa preferencialmente em digital) fizeram com que as vendas significassem uma pequena parcela do um por cento de receita que a Kodak tem com as películas.
As exigências técnicas da revelação dos Kodachrome transformaram-se também num obstáculo ao ponto de hoje existir apenas um laboratório no mundo (Dwayne`s Photo, Kansas, EUA) capaz de dar vida a este tipo de imagens. A empresa estima que os stocks de diapositivos Kodachrome deverão terminar no início do Outono. Por seu lado, o Dwayne`s Photo anunciou que só revelará os filmes até afinal de 2010. Steve McCurry terá o privilégio de usar os últimos rolos e as fotografias que deles saírem serão entregues ao museu Eastman House, em Rochester (EUA).
Perante um cenário em que os rolos eram utilizados por um grupo muito restrito de fotógrafos, a empresa americana não precisou de pedir à mãe de ninguém para acabar com o Kodachrome. Ela própria tirou-o do mercado.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Zena – essa grande diva da música Macua
Conheci-a nos primeiros anos da década de 80 do século passado em Nampula. Ela, o Gimo (Mendes) Abdul Remane e o Salvador Maurício.
Os três tinham fortes ligações com a Casa da Cultura, organismo sob responsabilidade da Direcção Provincial de Educação, à frente da qual estava o actual ministro do pelouro, Aires Ali.
Zena Bacar (seu nome completo), com quem raramente cruzo no emaranhado das ruas e avenidas de Maputo, continua ligada a música e muito recentemente esteve num evento cultural na China, integrada num grupo do qual fazia parte o meu amigo Chico António, também ele um artista musical de grande calibre. Disse-me, a Zena, no último encontro que está na forja o seu primeiro disco a solo, a ser gravado num dos estúdios de Maputo.
O Gimo (Mendes) Abudl Remane, esse divide a sua vida, privada e artística, entre a Dinamarca e a Ilha de Moçambique, esse património mundial defronte do qual fica Mussoril, sua terra natal. Sei que para além de se apresentar em espectáculos, tanto nas escandinavas como em Moçambique e outras paragens, o Gimo dedica-se, aqui e ali, a dar aulas ou a proferir palestras sobre música, sobretudo a tradicional. Tem gravado um disco, “A Luz”, de 2005, com o selo da “Gateway”. Tomo conhecimento que acaba de ser nomeado, juntamente com o seu compatriota, Deodato Siquir, para a categoria de Melhor Artista Africano – Dinamarca (DK) 2009, cuja indicação dos premiados está prevista para Outubro próximo.
O Salvador Maurício, como se sabe, já não está no mundo dos vivos. Deixou-nos uma obra antológica, considerada o primeiro registo em disco de canções cantadas em Ximácua. Uma das suas canções, “Os Ratos Roeram Tudo”, muito popular, viria a ser banida na Rádio Moçambique, então única estação radiofónica no pais. Razões: de cariz eminentemente política, a letra criticava os dirigentes, no caso provinciais, de se apoderarem de todos os produtos alimentares e outros, escassos no mercado na altura, deixando para o grosso dos consumidores (população) quantidades insignificantes. Do género “Eles Comem Tudo, Não Deixam Nada” de Zeca Afonso.
Estava-se na era do monopartidarismo em Moçambique.
Outros contextos históricos bem determinados, onde, curiosamente, a “filtragem” do que podia ou não ir para o “AR” na RM e outros media públicos de então era selada por alguns escribas que hoje, em jornais ditos “independentes”, “berram” aos quatro ventos contra a existência de uma Foice para capar os jornalistas mais atrevidos. Um deles – exactamente aquele que achou por bem banir a música “Os Ratos Roeram Tudo”, acabou ele próprio por zarpar para as Costas Ibéricas.
E porque estava a falar sobre o Salvador Maurício, vale a pena referir que ele legou-nos dois discos, ambos gravados e editados pela RM: On Hipiti (Ilha de Moçambique) em 1982 e, um ano depois, “Salvador Maurício”. Enquanto na primeira obra pontificaram as colaborações de músicos do então grupo RM (Sox, José Guimarães, Milagre Langa, Zeca Tcheco, Pedro Ben, Wazimbo, Ernesto Zevo, José Mucavele e Alípio Cruz (Otis) e ainda Hortêncio Langa), na segunda o Salvador socorreu-se dos préstimos da “malta” da sua terra, Nampula, nomeadamente, Roque, Orlando, Eurico e Valentim Centura, nomes então desconhecidos mas que terão imprimido na obra sonoridades daquela região do país. Fernando Azevedo e António Francisco Cuna, já falecidos, foram os técnicos que registaram as duas obras, editadas em suporte vinil.
Mais tarde, os três (Gimo, Salvador e Zena) formariam então aquela que viria a ser a primeira banda estruturada da província de Nampula, o Eyuphuro, na qual pontificaram outros nomes, entre eles o Omar Issá. Uma banda incontornável no cancioneiro nacional, autora de três discos gravados em Maputo – um dos quais pela Rádio Moçambique – e na Grã-Bretanha.
Se é verdade que o trio só viria à ribalta da música moçambicana após a gravação da canção “Os Ratos Roeram Tudo”, não o é menos o facto de o primeiro registo das suas músicas ter sido feito por mim, em fita magnética “Scotch”, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique em Nampula. Deve ter sido entre 1983/84. Infelizmente tal registo perdeu-se no emaranhado dos vários quilómetros de fita em bobines que existiam na discoteca daquele emissor.
A gravação foi feita nas antigas e degradadas instalações do emissor, num estúdio equipado com uma consoleta dos anos 30/40 (RCA, a válvulas) e a que acoplei um misturador romeno de má qualidade, com seis entradas para os microfones. O gravador era uma Revox PR 99, mono, moderna e um luxo na altura.
Para os padrões de então, a qualidade do registo era razoável e convenço-me agora que terá sido aquela tosca experiência que terá levado a Zena, o Gimo e o Salvador a pensar em “voos mais altos” e, de violas a tiracolo, rumarem para a sede da Rádio Moçambique, em Maputo, onde tinham melhores condições técnicas de gravação e edição das suas canções. A aposta deu certo.
Hoje, tal como referi, a Zena Bacar prepara-se para pôr no mercado o seu disco a solo, juntando-se assim a outras mulheres de Nampula, entre elas as irmãs Domingas e Belita. Recentemente, a “Diva da Música Macua” esteve na República Popular da China, integrada num grupo que incluía o Chico António, para se apresentar num evento cultural sino-africano. Ao que me contaram, não se saíram nada mal.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Clube dos Entas (*): Conjunto “João Domingos”, a música e o "Whisky Time" para a Frelimo
O Texto que se segue, de autoria do Luís Loforte, é parte da edição do “Clube dos Entas” a ser transmitido Quinta-feira, 18, e Segunda-feira, 22, na Antena Nacional da Rádio Moçambique. É ilustrado com músicas do Conjuntos João Domingos e Djambu.Muitos ouvintes (leitores) quererão saber as circunstâncias em que João Domingos da Conceição se interessou pelo mundo da música.
Nasceu em Maio de 1933 e cresceu até os 14 anos na vila de Inharrime, 70 quilómetros a sul da cidade de Inhambane. É em Inharrime que João Domingos tem as suas primeiras paixões pela música, primeiro como disc jockey dos gramofones e respectivos vinis de 78 rotações, e depois assistindo, fervorosamente, a actuações da popular «Ossumane Valgy Jazz Band», ida de Zandamela.
Em conversa telefónica que mantivemos recentemente com ele, João Domingos surpreendeu-nos ao fazer questão de nos dizer que Ossumane Valgy tocava a “verdadeira marrabenta”, o que nos pareceu com isso querer esbater a percepção que alimentávamos de que teria aprendido a ouvir e a tocar a marrabenta nos subúrbios da então cidade de Lourenço Marques.
Com ou sem essa percepção, a verdade é que o guitarrista, vocalista e compositor Ossumane Valgy inspirou várias gerações de músico nacionais, como o intérprete Fernando Luís, que ficou célebre, nos anos 80, por interpretar temas da banda de Zandamela, nomeadamente Zavala Tótè. Mas aqui falamos do conjunto «João Domingos».
Nós acreditámos que o conjunto «João Domingos» terá sido o agrupamento que mais palcos pisou, quer nacionais, quer internacionais, pelo menos ao seu tempo. Até ao extremo-oriente se fez representar, representando-nos, afinal, a todos nós.
De todos esses palcos queremos, porém, destacar um em especial, nomeadamente
o da Associação Africana da então cidade de Lourenço Marques.
Destacamo-lo não somente pelos espectáculos memoráveis que o conjunto «João Domingos» lá deu, mas também pelo seu contributo no enriquecimento da folha de serviços sociais, culturais e políticos que a agremiação acumulou ao longo dos anos da dominação colonial. Só quem não sabe, ou finge que não sabe o valor histórico da Associação Africana pode tolerar que aquele espaço físico seja votado àquele abandono, ou a actividades que não sejam mais dignas da sua estatura política.
Como podemos dizer aos mais novos, olhando para aquilo que é hoje aquele espaço, que era ali onde se editava o «Brado Africano»? E isto para perguntarmos porque é que aquele espaço não é declarado um monumento nacional, tal como em tempos foi declarado, e muito merecidamente, o Centro Associativo dos Negros da Província de Moçambique? Um preconceito de alguns?
Lamentações à parte, a verdade é que a Associação Africana foi um grande palco do João Domingos da Conceição, do «Gonzana», do «Young» Issufo, do «Globe Trotter» e do Filipe Tembe. Mas também de grandes dançarinos que os acompanhavam, como foram os casos de Mussá Tembe, Alfredo Caliano, Elarne Tajú, Carolina Albasine, Lázaro, Saíde Mundle, esse grande futebolista que jogou ao lado de Eusébio, e ainda Arlindo Haridás.
E já agora, uma pequena curiosidade, só digna de pessoas com coragem.
Contrariamente ao que hoje acontece, em que as festas são abrilhantadas por música em regime contínuo, naqueles anos havia o chamado Whisky Time, um intervalo geralmente destinado ao arrefecimento dos amplificadores da aparelhagem, mas também ao retemperar das forças pelos músicos.
O que acontece é que no toque de chamada para o grupo subir ao palco, o João Domingos usava o acorde principal do indicativo musical do programa radiofónico da Frente de Libertação de Moçambique. Só pessoas restritas sabiam desse temerário atrevimento de João Domingos”.
(*) O “Clube dos Entas”, é um programa radiofónico da Rádio Moçambique, transmitido na sua Antena Nacional (FM 92.3). É produzido por Edmundo Galiza Matos, Luís Loforte e Nassurdine Adamo. Pode ser escutado também na Net: "http://www.rm.co.mz/". Vai para o “AR” as quintas-feiras (22H05) e segundas-feitras (02H05)
terça-feira, 16 de junho de 2009
Companhia Nacional de Canto e Dança actua na Alemanha
A Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) parte no dia 22 de Junho para Alemanha onde vai actuar nas cidades de Berlim, Hamburgo e Munique, no âmbito da realização da Semana Cultural de Moçambique, por ocasião das celebrações do 34º aniversário da proclamação da independência.Organizada pela Embaixada moçambicana naquele país europeu a Semana Cultural insere-se no quadro das celebrações do 34º aniversário da Proclamação da Independência de Moçambique.
A CNCD, que escala pela quarta vez a Alemanha, sendo a ultima em 1997, integra uma delegação que inclui escritores, artistas plásticos e músicos.
A Semana Cultural de Moçambique, que vai decorrer de 23 a 30 de Junho, contará igualmente com a presença de altos dignitários de Moçambique e da Alemanha e os titulares das Pastas dos Negócios Estrangeiros dos dois Países irão presidir a abertura da Semana, e o Ministro da Educação e Cultura Aires Ali, por seu turno, irá proceder ao encerramento da Semana Cultural, no dia 30 em Munique.
A CNCD, que é o prato mais forte da Semana Cultural, vai orientar Workshops e apresentará dois espectáculos em Berlim, onde se inclui a Gala da Independência, a ser apresentada no dia 26 de Junho no “Haus Fur Kulture der Welt” (A Casa para a Cultura do Mundo), um dos maiores e mais moderno Teatro da Europa.
Nesta gala, a CNCD vai apresentar as suas obras mais emblemáticas – o “N’TSAY”, um bailado criado por David Abílio, que conta a história de Moçambique, e em “MOÇAMBIQUE O SOL NASCEU”, um espectáculo do mesmo autor, que é uma amostra das danças mais representativas do País inteiro.
Depois de Berlim, considerada capital cultural da Europa, a CNCD ainda vai escalar as cidades de Hamburgo e Munique, onde, para além de apresentar as danças mais representativas do país, vai apresentar um concerto de música tradicional, com enfoque para Timbila, proclamada pela UNESCO como obra-prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade.
A realização desta Semana Cultural insere-se na divulgação das potencialidades culturais, turísticas e artísticas de Moçambique, como também reavivar a chama patriótica dos moçambicanos lá residentes, a amizade e cooperação com a Alemanha.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
O “Até sempre Ricardo Rangel” é hoje em Maputo
Vão hoje a enterrar no cemitério de Lhanguene, em Maputo, os restos mortais do proeminente fotojornalista moçambicano, Ricardo Rangel, falecido na noite da passada quinta-feira,O estado moçambicano tomou a si a responsabilidade das cerimónias do último adeus a este ícone da fotografia moçambicana, aguardando-se que várias centenas de pessoas, entre colegas, familiares, fazedores de arte, membros do governo, da sociedade civil e outros, prestem o derradeiro adeus a Rangel.
A urna contendo os restos mortais do foto-jornalista estará depositada nos Paços do Conselho Municipal da cidade de Maputo, após o que será transportada para a sua derradeira morada.
A morte de Rangel ocorreu de forma súbita, quando ele se encontrava em sua residência por volta das 20 horas desta Quinta-feira. No mesmo dia, ele havia estado a trabalhar no Centro de Formação Fotográfica (CFF), onde ele era director.
Contudo, desde Setembro de 2006, Rangel padecia de problemas cardiovasculares, tendo ficado hospitalizado durante perto de um ano. Por causa deste problema, foi-lhe amputada uma das suas pernas em 2007, mas desde lá vinha recuperando, apesar de sofrer recaídas de quando em vez.
Considerado decano dos fotojornalistas moçambicanos, Ricardo Achiles Rangel foi um dos primeiros jornalistas de imagem do país não-brancos com carreira iniciada no tempo colonial.
Ao longo do regime colonial português, diversas fotografias de Rangel foram banidas devido ao seu carácter crítico. Aliás, em entrevista dada a BBC em Junho de 2005, Rangel chegou a dizer que os “censores” da era colonial não eram muito inteligentes.
“Muitas vezes eles não se apercebiam da mensagem que transmitia certo texto ou determinada fotografia: não sabiam ler as fotografias. Passaram algumas que eram declaradamente contra o regime, mas a grande maioria só foi publicada depois da independência”, disse ele, na altura.
Ao longo da sua careira, Rangel fotografou diversos acontecimentos que documentam diversos acontecimentos de carácter socio-económico e cultural do país.
Ele faz parte do grupo de jornalistas da revista Tempo, a primeira publicação a cores do país, bem como trabalhou para os jornais “A Tribuna”, “Domingo”, entre outros, tendo depois fundado o CFF, onde era director desde 1983.
Ano passado, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição do ensino superior do país, distinguiu Rangel com o titulo de Doutor Honoris Causa em História Visual, em reconhecimento da sua contribuição para o país ao longo do seu percurso humano e profissional.
É o único fotojornalista moçambicano que, graças à grandiosidade e universalidade da sua obra, foi seleccionado para figurar numa lista mundial de ouro, que integra apenas os melhores mestres da arte de fotografar de todo o mundo. Actualmente, conta com 327 nomes compilados nos últimos 200 anos.
Outro facto que mostra que Rangel foi um grande mestre na arte de fotografar, é que essa lista de ídolos fotográficos mundiais, encabeçada pelo pioneiro francês desta arte Louis Daguerre, nascido em 1787 e falecido 73 anos antes do nascimento de Rangel – é que o nosso RR é apenas um dos três africanos que fazem parte dessa galeria de ouro dominada por grandes mestres fotográficos dos EUA, França, Grã-Bretanha e vários outros países desenvolvidos, como Itália, Alemanha, Suécia, Suíça, Japão, Canada e Austrália.
Os outros dois mestres do nosso continente são Gary Schneider, da África do Sul e Samuel Fosso, apresentado na lista como sendo apenas um africano.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Morreu Ricardo Rangel, decano do foto-jornalismo moçambicano
Ricardo Rangel, uma referência na área da fotografia em Moçambique, através da qual denunciou a ditadura colonial, participou em dezenas de exposições em diversos países.
Começou a trabalhar na área da fotografia aos 17 anos, num laboratório, passou pelo jornal bi-lingue “Lourenço Marques Guardian” e depois entrou para o jornal “Notícias da Tarde”, onde foi o primeiro foto-jornalista não branco.
Em 1996, chegou o seu reconhecimento internacional, quando foi incluído na mostra “Fotógrafos africanos de 1940 aos nossos dias” (Museu Guggenheim, Nova Iorque) e numa homenagem prestada pelos Encontros da Fotografia Africana em Bamako, no Mali. Foi condecorado com o grau de Oficial das Artes e Letras pelo governo francês.
O seu percurso começou em 1941, como aprendiz do fotógrafo Otílio Vasconcelos.
Lourenço Marques Guardian , Notícias, Notícias da Tarde , A Tribuna , Diário de Moçambique, Voz Africana e Notícias da Beira , foram jornais onde trabalhou.
Fundou a revista “Tempo”, o Sindicato Nacional dos Jornalistas – SNJ e a Associação Moçambicana de Fotografia – AMF . Em 1983, foi nomeado para fundar e dirigir o Centro de Formação Fotográfica.
Expôs em Moçambique, Mali, Itália, África do Sul, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Zimbabwe, Holanda, Suécia e França.
Sebastião Salgado, fotográfo português, disse, numa exposição em Paris, ter sido bastante marcado pelas fotos de Ricardo Rangel, quando as viu, em 1974, na sua primeira viagem a Moçambique.
Numa entrevista ao jornal “Público”, em Junho de 1991, Rangel afirmou que começou a tomar consciência da importância das suas fotografias pelo facto de a censura as cortar.
Licínio de Azevedo, cineasta brasileiro radicado em Moçambique, fez em 2006 um documentário de 52 minutos intitulado “Ricardo Rangel – ferro em brasa” em que Rangel nos conduz pela sua vida e obra, onde a cidade de Maputo, a boémia e o jazz tem um lugar especial.
40 anos de Woodstock comemorados em caixa
Este ano comemoram-se os 40 anos desde a primeira edição do festival Woodstock, um dos marcos da década de 60. Para se celebrar este aniversário, será editada uma caixa com seis discos com gravações inéditas de artistas como Jimi Hendrix, The Who, The Grateful Dead ou Jefferson Airplane.Esta caixa tem por título Woodstock - 40 Years On: Back to Yasgur's Farm e será editada no dia 18 de Agosto, pela editora Rhino Records. Cheryl Pawelski, vice- presidente da editora, referiu que esta será "a mais completa colecção de músicas do Woodstock". Ao todo, esta edição reúne 77 canções, sendo que 38 delas nunca foram editadas em disco. Além dos seis discos, esta caixa traz ainda um pequeno livro com informações sobre os vários espectáculos que se realizaram neste festival.
Mas esta não é a única edição marcada para este ano de forma a celebrar os 40 anos de Woodstock.Serão ainda reeditados os discos Music from the Original Sound-track and More: Woodstock, Woodstock 2 e ainda o DVD Woodstock: 3 Days of Peace and Music - The Director's Cut.
Este ano vai ainda estrear-se o filme Taking Woodstock, de Ang Lee. O filme, exibido pela primeira vez no festival de Cannes, conta com argumento de James Schaus e é protagonizado por Liev Schreiber e Emile Hirsch.

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