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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mia Couto: Porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento?

“O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre aqueles que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estava mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.”

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A reabilitação da esperança – Mia Couto

Por Paulo Miguez (*)

Mia Couto, escritor moçambicano e um dos expoentes contemporâneos da literatura de língua portuguesa passou mais uma vez pela Bahia. Esteve entre nós, na primeira semana de agosto, marcando presença no VII ENECULT o cada vez mais importante Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura promovido pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da Universidade Federal da Bahia e que congrega estudiosos de diversos campos do conhecimento, do Brasil e do exterior, interessados nas temáticas culturais. Além das muitas entrevistas que concedeu, foi o palestrante do Conversas Plugadas, projecto da Secretaria de Cultura do Estado que acabou, nesta sua edição, compondo a programação de encerramento do XXI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, este ano realizado em

Salvador.

No ENECULT, Mia, com um texto que baptizou com título "O homem que casou com a Bahia

", tratou da relação entre cultura e desenvolvimento. "Culturas e desenvolvimentos", consertou ele, afirmando a sua compreensão de que ambas as palavras só fazem sentido se pronunciadas no plural - palavras que, como "cultura", são tão complexas que, relatou, são intraduzíveis em muitas das mais de duas dezenas de línguas nacionais faladas em Moçambique.

No Conversas Plugadas, Mia deliciou-nos com a conferência "Um Mar Vivo: como Jorge é Amado em África", propondo uma leitura africana da obra de Jorge Amado, do impacto da obra do escritor baiano na literatura africana de língua portuguesa - feliz coincidência, a fala de Mia Couto aconteceu exactamente no dia 10 de agosto, data em que Jorge Amado completaria 99 anos.

Em ambas as conferências, uma fala mansa, cuidadosa, preciosamente poética. Em ambas, Mia disse-nos da sua familiaridade com a cena brasileira, da sensação de sentir-se em casa estando na Bahia

. Mas disse-nos, especialmente do que considera ser uma tarefa fundamental dos tempos que correm, a reabilitação da esperança.

Esperança. A ela tem se dedicado Mia no seu ofício de escritor - e de biólogo. Mia recusa-se a ser um escritor de tempo integral. Continua a trabalhar como

biólogo, na área da ecologia. Aliás, um casamento mais que perfeito. O biólogo ecologista, preocupado com as questões ambientais, e o escritor, atento ao fascinante e diverso universo das culturas moçambicanas que servem de alimento seminal para as suas palavras-poema.

Esperança de que a compreensão da cultura ultrapasse os factos visíveis e alcance os gestos silenciosos que dão sentido à vida das gentes.

Esperança, a mesma esperança que os livros de Jorge Amado despertaram nos escritores africanos de língua portuguesa que, em luta contra o colonialismo português em África, aprenderam a ver em Jorge a possibilidade de fazer do português uma língua também deles, africanos.

Vivi em Moçambique durante 11 anos.

Entre 1982 e 1993. Lá conheci Mia. Lá, ao longo destes 11 anos, quase todos marcados por uma guerra odiosa, tive o privilégio de integrar, com Mia e com muitos outros, moçambicanos e estrangeiros "cafrealizados" como eu, uma geração que bem pode ser chamada de "geração esperança".

Ficaram para trás as ilusões da revolução que amávamos tanto.

Nesse sentido, somos hoje, esta geração, tomando de empréstimo a expressão com que designávamos os guerrilheiros que fizeram a Luta Armada de Libertação Nacional em Moçambique, a geração dos (novos) "velhos combatentes". Mas não abandonamos a mania de sonhar, de ter esperança.

As palavras de Mia, os seus livros, garantem-nos, tanto lá quanto aqui, cestos de sonhos, rios de esperança.

Khanimambo (obrigado) Mia.

Breve nota biográfica: M

ia Couto nasceu António Emilio Leite Couto a 5 de julho de 1955 na cidade da Beira, Província de Sofala, em Moçambique. Filho de uma família de emigrantes portugueses, Mia publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques, atual Maputo, para estudar Medicina. Com a independência de Moçambique, em 1975, ingressou no jornalismo. Dirigiu a Agência de Informação de Moçambique (AIM) e, posteriormente, a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias". Tendo abandonado os estudos de medicina, formou-se em 1985 em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Durante a década de 1980 publicou seus primeiros trabalhos. "Raiz de Orvalho" (1983), "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990), o primeiro, um livro de poesias, os dois outros, de contos. Em 1992, publicou seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". Na sequência publica "Estórias Abensonhadas" (1994), "A Varanda do Frangipani" (1996), "Vinte e Zinco" (1999), "Contos do Nascer da Terra" (1997), "Mar me quer" (2000), "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001), "O Gato e o Escuro" (2001), "O Último Voo do Flamingo" (2000), "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002), "O Fio das Missangas" (2004). Tendo ganho vários prêmios literários, Mia Couto é hoje um dos escritores africanos mais traduzidos e suas obras estão publicadas em mais de 20 países. No Brasil, acaba de lançar um livro de ensaios intitulado "E se Obama fosse africano? e outras interinvenções" (Companhia das Letras, 2011).

(*) Paulo Miguez é doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Atualmente é professor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA e coordena o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (UFBA). Foi assessor do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil e Secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura entre 2003 e 2005.

domingo, 11 de setembro de 2011

De Paola Rolletta: Futebol moçambicano revisitado em livro


(Entre outros grandes nomes do futebol moçambicano, destaque aqui para Nuro Americano (ex-Benfica/Portugal) e Fumito (ex-FCPorto), ambos de Pemba)

Quando se trata de escolher “o melhor jogador de sempre” do futebol moçambicano a decisão parece simples mas isso é para quem não sabe que no mundo do “finta-finta” nem mesmo o rei Eusébio é consensual.

«Não há um melhor jogador de sempre de Moçambique, há muitos melhores jogadores de sempre», defende a investigadora Paola Rolletta, apontando alguns nomes que pareciam improváveis: Calton Banze, Nuro Americano, António Brassard e Baltasar.

Jornalista italiana residente em Maputo, Paola Rolletta lança na próxima semana "Finta finta", um livro da Texto Editores com 31 retratos de ‘príncipes da bola’, como lhes chama o escritor João Paulo Borges Coelho, autor do prefácio.

«Este livro é uma homenagem aos jogadores e treinadores que durante várias décadas, dos anos 50 até aos nossos dias, têm levado alto o nome de Moçambique, sobretudo no estrangeiro», diz Paola Rolletta.

“Finta finta”, como os moçambicanos se referem a ‘jogar à bola’, é uma expressão associada às partidas de futebol de miúdos na rua, nas praias e nos baldios, jogos de onde saíram no passado tantos craques mas que hoje não abundam.

«Já não há baldios nem descampados, que eram os espaços de eleição para jogar ‘finta finta’, também já não há associativismo que foi uma das características principais dos clubes na época colonial e logo após a independência», defende a autora, sobre o actual estado da modalidade.

E igualmente decisivo no enfraquecimento do futebol moçambicano, acrescenta Paola Rolletta, é o empobrecimento do país que se reflecte no futebol e na sua organização.

«São estes os factores que fazem com que Moçambique já não tenha grandes campeões», considera, e dá como exemplos os problemas na investigação, que resultaram de não haver dados fiáveis sobre número de golos marcados ou de internacionalizações de muitos dos retratados.

De Costa Pereira a Domingues, de Mário Coluna a Tico Tico, e, sim, de Eusébio a Carlos Queiroz ou a Dauto Faquirá, Moçambique muito contribuiu para o futebol mundial mas, diz Rolletta, não tem ainda o lugar que merece na história.

“Finta finta”, edição em português e inglês de 224 páginas, é lançado em Maputo no dia 15 de setembro, estando a ser avaliada uma edição para o mercado português.

Leia aqui: As razões que minam a produção de talentos do futebol como Eusébio, Matateu e Coluna

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Livro Mitos: histórias de espiritualidade de Aldino Muianga é lançado esta quinta-feira


O escritor Aldino Muianga lança esta quinta-feira no Instituto Camões, em Maputo, o seu livro de contos, intitulado “Mitos: histórias de espiritualidade”. A obra é chancelada pela editora Alcance Editores e conta com 14 trabalhos, todos fazendo uma abordagem sobre a espiritualidade.

No prefácio à obra, Ungulani Ba Ka Khosa escreve que, em “Mitos” Aldino Muianga, médico de formação, resolveu trazer ao de cima o confronto entre a racionalidade materializada nos compêndios da medicina de que o autor/narrador é praticante e as fantásticas estórias que remontam da infância, num enredo em crescendo de conflitualidade, de exasperação: A Gina com Jota.

Mais adiante, o prefaciador afirma que ao ler as estórias confeccionadas pelo escritor, com ingredientes que só ele sabe dosear, sentiu-se em casa. “Fui tocado pela curiosidade, pois longe estava eu de pensar na galinha como personagem de referência no mundo efabulatório, na ‘Fala das Galinhas’ e o requinte de malvadez que a ‘Casa das Mambas’ faz emergir? E a triste estória do jovem que transpôs o afamado mundo dos prostíbulos da cidade de Lourenço Marques, em ‘Uma visita ao Prostíbulo?’. E a honra na ‘Dama da Honor?’ E a velha sage Khissane que atraía à sua cabana ‘A cabra do Soba’ com vagens partidas de matsimbe, cujo feijão emite essências que são um chamariz para determinados herbívoros?”.

Realça que, ler estas estórias é ir de encontro aos referenciais que o tempo presente tende a esbater, “mais por nossa própria culpa, pois ao erguermos as nossas balizas não nos preocupamos com o material que compõe os postes dos nossos limites”.

É provável que a ‘Alma Peregrina’ diga respeito a todos nós, desatentos ao mundo aos nossos pés, como a Selane sentenciada a regressar à terra para espiar o castigo pelas minhas faltas, muitos caminhos, atravessei rios e florestas, colhi abrigo na serração dos matos, acoitei-me nas concavidades das rochas, em busca do meu eu verdadeiro, da reconciliação comigo mesma e com os meus defuntos. Sou uma alma penada, uma vagabunda à procura de um caminho para eternidade tranquila.

“Estou em crer que Aldino Muianga, nestas estórias da nossa espiritualidade, mais do que em outras obras suas de valor inquestionável, diga-se, encontrou-se com o seu mundo, não para exorcizá-lo, mas para o trazer à perenidade das letras de modo a que todos o partilhem sem espartilhos de qualquer espécie”, anota.

Os arrabaldes de Lourenço Marques, ontem, Maputo, hoje, são os cenários privilegiados das histórias de Aldino Muianga. O autor é, ao lado de outros notáveis escritores de vivência suburbana, como Marcelo Panguana e Juvenal Bucuane e, mais distante, a roçar o campo, o Suleimane Cassamo, o grande paladino de temáticas da tradição em alteridade, de encontros conflituantes, de um modo ser característico dos subúrbios. Mundo de histórias fantásticas, de enredos maravilhosos, os subúrbios de ontem são os intermináveis filões de estórias do Aldino, os alfobres de que não dispensa o interior da sua casa espiritual, pois a elas se socorre insistentemente, ora carregado de angústias, ora querendo deleitar-se, encantando-nos com as histórias que perduram ao tempo.

O autor do livro diz que, as personagens das estórias desta colectânea são entidades confrontadas com os sobressaltos e com as angústias que a vida lhes impõe. Muitas destas superam as suas capacidades de resposta. O recurso a práticas míticas, à Divindade, é a resposta plausível no universo das suas culturas, porque essas crenças pessoais ajudam-na a entender as dificuldades da vida.

Aquelas personagens, nas suas fragilidades de humanos, possuem crenças pessoais, que são, afinal de contas, os valores que sustentam e que caracterizam os seus estilos de vida e os seus comportamentos.

“As estórias deste livro são, pelo menos procuro que elas assim sejam, a revelação do nosso quotidiano espiritual, em universos onde vivos e defuntos se relacionam e interferem uns com os outros; e também do modo com as crenças pessoais se alicerçam em cada indivíduo e influenciam esse mesmo quotidiano”, diz, sublinhando que ele, colhe a inspiração da prática médica que está cheia de exemplos ilustrativos da ingerência dos valores da Espiritualidade na relação indivíduo (paciente)-profissional de Saúde que muitas vezes determinam o tipo de resposta terapêutica no conjunto de todo o processo clínico.

E cita alguns exemplos que retratam a presença de crenças e de valores da Espiritualidade “…os médicos não conseguem descobrir a minha doença…”, “.. as análises não acusam nada…” “…X é impotente porque a mulher fechou-o numa garrafa…”, “…Y não faz filhos porque casaram-na com um espírito…”, “…não arranjo emprego porque a minha avó deitou-me um feitiço…”, “… não posso ir ao hospital antes de consultar os meus espírito…”.

Estas são ainda correntes de diversas práticas como o uso de amuletos (de pulseiras de missangas ou feitas de tiras de peles de certos animais), as invocações (ku-pahla) aos defuntos para salvaguarda da saúde da fortuna; os esconjuros, o feitiço; o efeito afrodisíaco das tatuagens nas coxas das mulheres, a mastigação de raízes de certas plantas antes de entrevistas para empregos, e outras mais que desconsideramos porque obscurantistas e se não adequam aos modelos de vida da sociedade moderna e civilizada.

As crenças naqueles valores constituem, segundo ele, um suporte que não pode ser subestimado nas relações inter-pessoais e colectivas, visto que são as fundações que asseguram o equilíbrio físico, social e emocional do indivíduo.

“Ignorar a existência, o vigor e o poder da Espiritualidade como a outra dimensão do nosso ser intrínseco e unitário é o mesmo que olhar para o sol e dizer que ele não passa de uma miragem”, diz, concluindo, pois, que “eis aqui oferecidas, estas estórias para leitura e sugestões como pontos de partida para uma reflexão sobre essa problemática tão apaixonante e candente como é a da Espiritualidade”.

Meio século de vida cheio de livros

Aldino Frederico de Oliveira Muianga, de seu nome completo, nasceu a 1 de Maio de 1950, no Bairro da Munhuana (Bairro índigena) nos arredores da cidade de Maputo (ex-Lourenço Marques).

Fez os estudos primários na Escola Missionária de S. Miguel Arcanjo e os secundários no Liceu António Enes, na mesma cidade.

É licenciado em Medicina pela Universidade Eduardo Mondlane e especializado em Cirurgia Geral. É docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Pretória, na África do Sul.

Começou a escrever desde a adolescência, como colaborador no jornal de parede coordenado pela “Mocidade Portuguesa” no liceu que frequentava. Nesse jornal publicou alguns poemas, de uma vasta obra que se perdeu na totalidade.

A sua primeira publicação oficial foi o conto “A Vingança de Macandza”, no semanário Tempo, em 1986. Tem contos seus incluídos em antologias publicadas em Portugal e no Brasil, e em várias páginas e revistas literárias em Moçambique e no estrangeiro. Foi coordenador da página literária da revista SAPES editada no Zimbabwe, onde publicou ensaios sobre a Literatura Lusófona dos países africanos.

Foi colaborador de primeira linha da revista Charrua, editada pela Associação dos Escritores Moçambicanos.

Ao longo da sua carreira publicou os seguintes livros: “Xitala-Mati” (contos 1987, segunda edição 2007); “Magustana” (novela 1992), “A Noiva de Kebera” (contos 1994, encenação do conto do mesmo nome pela Companhia Nacional de Canto e Dança); “A Rosa Xintimana” (romance 2001, Prémio Literário TDM); “O Domador de Burros” (contos 2003, 2ª edição e Prémio Literário Da Vinci); “Meledina ou a Estória duma Prostituta” (romance 2004, 2ª edição 2009), “A Metamorfose” (contos 2005); “Contos Rústicos” (contos 2007); “Contravenção, uma História de Amor em Tempo de Guerra” (romance 2008), Prémio Literário José Craveirinha 2009, e “Caderno de Memórias, Vol.I” (contos 2010).

In Caderno Cultural (Notícias)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Alexandre Chaúque confunde-se com pintor - Pedro Chissano na apresentação do livro “Bitonga Blues”

“Alexandre Chaúque confunde-se com um artista plástico. Tira as palavras como pensa e as põe no papel. Ao pintar nos anuários emprega sempre textos e cartas. Tem um defeito que é bom. Ele comunica-se com as pessoas com cartas. Se calhar é um pintor anónimo”.

Estas palavras são do escritor Pedro Chissano proferidas na apresentação do livro de crónicas “Bitonga Blues” do jornalista e escritor Alexandre Chaúque. “Bitonga Blues”, lançado sexta-feira passada (12) na Casa de Cultura da cidade de Inhambane, é o segundo livro do autor, depois de em 2002 ter estreado com “Inhambane Sem Badalo”.

Para Pedro Chissano, o autor de “Bitonga Blues” tem um segmento identitário porque sempre tem a sua terra, Inhambane, sempre presente e transporta a crença divina e ainda nutre um amor expresso pelos seus ídolos.

“Alexandre Chaúque é um homem de livros e de jornais e de música, que quis, hoje, trazer uma importante prenda ao quinquagésimo aniversário da elevação de Inhambane à categoria da cidade”, expressou Chissano.

Com este seu segundo livro, que retrata parte das crónicas publicadas em vários jornais por onde tem estado a passar nesta sua vida de andarilho dos órgãos de comunicação social, Chaúque expressa ainda mais a qualidade de um brilhante cronista, sublinha Pedro Chissano.

É ele quem nos diz que a ida de uma caravana da AEMO para Inhambane, foi feita com orgulho porque não só pretendiam testemunhar o lançamento de “Bitonga Blues” como também a viagem serviu de pretexto para obsequiar a “Terra de Boa Gente” pelo seu aniversário, ao mesmo tempo que aquele ponto do país era revisitado por um dos mais prestigiados filhos daquela terra que tanto a quer e que tanto a ama.

“Este homem de jornais e de letras, Alexandre Chaúque estreou-se em livros em 2002 com o livro, “Inhambane sem Badalo” e hoje quis celebrar a festa da sua cidade de origem, com o lançamento do seu segundo livro “Bitonga Blues” junto dos conterrâneos e amigos num acto demonstrativo de amor da terra que o viu a nascer”, sublinhou Chissano, também homem de letras e de fino discurso.

Um movimento cultural desusado caracterizou a cerimónia do lançamento de “Bitonga Blues” e da festa da capital provincial de Inhambane.

Para além da leitura de algumas crónicas patentes na obra de Chaúque, a Casa de Cultura de Inhambane foi palco de um desfile de moda, declamação de poesias, exibição de peças teatrais, entre outras actividades culturais.

Entretanto um dos momentos marcantes deu-se quando o jovem escritor, Leo Sidónio, escolheu e leu a crónica “Homem baleado parecia um dançarino de mapiko”, um dos textos do livro para dar aquilo que chamou de um cheirinho de “Bitonga Blues”.

Sangare Okapi, como que a sustentar as palavras de Pedro Chissano na apresentação do livro, escolheu “Olá Biti, akuvava minha maconde maluca “, uma carta que o escritor escreve para uma amiga que conheceu no distrito de Mueda, província de Cabo Delgado.

Familiares, amigos, alguns dos quais de infância, artistas, académicos e demais admiradores não quiseram perder a ímpar oportunidade de ver e ou rever Alexandre Chaúque, apresentando mais uma obra sua.

Ao usar da palavra, o autor do livro foi um homem de poucas palavras. Apenas disse que “Bitonga Blues” era dedicado ao seu filho Abebe, que perdeu a vida em Julho, vítima de acidente de viação na província da Zambézia, onde se encontrava a trabalhar.

Acompanhado pelo secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), Jorge de Oliveira, e ainda pelos escritores Aurélio Furdela, Leo Sidónio e Sangare Okapi, bem como alguns jornalistas que compunham a delegação, a direcção da agremiação dos escritores aproveitou a oportunidade para promover mais uma edição do programa “Jornadas Literárias”, tendo oferecido livros de escritores moçambicanos a instituições de ensino secundário no país.

In Caderno Cultural (jornalnoticias.co.mz)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

“Bitonga Blues”: As crónicas do “Gitonga” Alexandre Chaúque vão sair em livro em setembro


O jornalista e escritor Alexandre Chaúque lança no próximo dia 12 deste mês, na cidade de Inhambane, o seu livro de crónicas intitulado “Bitonga Blues”. Esta é a segunda obra de Chaúque, depois de em 2002 ter saído com “Inhambane sem badalo”.

A obra, com 103 páginas, comporta vinte e duas crónicas seleccionadas de um conjunto de textos publicados no jornal A Verdade, onde assinava uma coluna com o mesmo nome. Chaúque iniciou a coluna “Bitonga Blues” no matutino Notícias. São crónicas fictícias, mas que partem de uma realidade vivida e testemunhada por vezes.

A apresentação do livro será feita pelo escritor Ungulani Ba Ka Khosa, amigo do autor de “Bitonga Blues”. O lançamento desta obra irá coincidir o da cidade de Inhambane.

As crónicas que estão patentes no presente livro não reflectem o percurso do escritor de escrita, contando ainda com um grande manancial de textos por publicar. É por isso que já está a preparar outros dois livros de crónicas, nomeadamente “Palavras de Resgate” e “Entrevistas Fiticias” que poderão ser lançados no próximo ano.

Na nota de apresentação, o autor faz questão de logo avisar: “com certeza não vai caber a mim explicar o sentido deste livro que lhe é presente”, porém explica que ele resulta de um “impulso irresistível que senti no âmago, após publicação, em cerca de um ano – entre 2008 e 2009 – de crónicas, no jornal “A Verdade”.

Na obra, Alexandre Chaúque evoca lugares e nomes de pessoas e sentimentos que lhe trespassam o espírito, tudo amalgamado num sonho que lhe habita permanentemente. “É um gozo maravilhoso.

Durante o período em que eu publicava no ‘A Verdade’ tinha o demónio que me dava estas crónicas e recebia-as com júbilo, para depois as passar para os outros”, diz.

E quanto à grafia correcta que, segundo diz, não se escreve bitonga e sim gitonga, Chaúque explica: “Eu sei que não devia escrever Bitonga Blues, mas Gitonga Blues. E eu fiz isso em consciência, de propósito, pois sinto-me no direito de subverter as palavras, de aceitar a corruptela”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Entrevista: Para o escritor Mia Couto, o Brasil é um tio rico, mas distante de Moçambique


Um tio rico, mas distante culturalmente. É assim que Moçambique enxerga o Brasil, na opinião do escritor Mia Couto.

Aos 56 anos, o autor de "Terras Sonâmbulas" (considerado um dos 12 melhores livros africanos do século 20), "O Voo do Flamingo" e outras 24 obras retorna ao País (Brasil) para participar em alguns eventos. Nesta quarta-feira (dia 3), dirigiu uma aula-palestra para alunos do 3º ano do ensino médio do colégio São Luiz, em São Paulo.

"Já me sinto um morto!" Com um misto de brincadeira e espanto, Mia Couto fala ao iG (site brasileiro) sobre ter os seus livros lidos em escolas brasileiras, que normalmente reservam os seus currículos para os cânones da literatura. "Fico feliz que esses livros possam chegar a pessoas mais novas. Mas, por outro lado, o que deveria ser feito são aulas de literatura, de expressão criativa, como suporte para o ensino de uma língua. Quando estudei os autores, eu os odiava. Era algo frio, pouco literário, não era um convite a ler e a escrever."

Couto diz que perdeu a conta de quantas vezes veio ao Brasil. Mas, questionado sobre o número de livrarias existentes no seu país, não titubeia: "Dá para contar nos dedos de uma das mãos".

Não é de espantar que Moçambique tenha tão poucas livrarias e que Mia Couto seja (muito) mais lido em Portugal e no Brasil do que na sua terra natal.

A língua oficial de Moçambique é o português, mas fala-se pelo menos outras 20 neste país de 22 milhões de habitantes que vive de exportações do camarão, algodão e cajú. No relatório do Índice de Desenvolvimento Humano de 2010 da ONU, Moçambique aparece na 165ª posição, à frente apenas de Burundi, Níger, República Democrática do Congo e Zimbabwe (o Brasil está em 73º).

"Mas a situação está a melhor", diz o escritor, sobre o país na costa leste de África que foi colônia de Portugal até 1975 e que logo após a independência sofreu com uma violenta guerra civil que durou até 1992. Moçambique sabe o que é ser democracia há apenas 19 anos. "A democracia é um regime que não pode ser imposto, então há uma cultura democrática que está a nascer nas cidades. Isso não pode ser induzido artificialmente."

Com a devida vênia, transcrevemos a entrevista que Mia Couto concedeu ao iG.

iG: Quando foi a primeira vez que o sr. veio ao Brasil?
Mia Couto:
Foi em 1987, em função do livro "Sonha Mamana África", uma antologia de autores africanos feita por Cremilda de Araújo Medina. Mas quando cheguei foi como se já tivesse cá estado várias vezes. O Brasil é um território imaginário que povoou a minha infância. Então quando cheguei parecia um reencontro.

iG: Após tantos livros, a vontade de escrever, a intensidade ainda são as mesmas?
Mia Couto:
Ainda. O que mudou foi a relação não tão adolescente de, por exemplo, querer dizer tudo num só livro. Ficou mais madura a relação com a escrita, de não querer fazer bonito. Agora ela acontece mais natural. Não há uma busca imediata pelo bonito. O resto é a mesma coisa. Ajuda-me a não pensar na idade que eu tenho.

iG: Sente diferença em como os seus livros são recebidos em Moçambique, em Portugal e no Brasil?
Mia Couto:
Sim, há algumas diferenças, mas no geral o que conta é a história, é a relação das pessoas com a possibilidade de se evadir, de encontar na literatura um convite para repensar o mundo, para reinventar o mundo. Isso é comum. O que muitas vezes percebo é um certo reencontro com uma África que foi idealizada como um lugar de redenção por alguns brasileiros. Reencontrar em África tudo aquilo que foi perdido e que se acumula como frustração do seu dia a dia. Essa África não existe.

iG: O sr. já disse que a sua geração sofreu influências de Guimarães Rosa, de Jorge Amado, mas que, hoje, os africanos conhecem pouco ou nada do Brasil. Estamos culturalmente afastados?
Mia Couto:
Sem dúvida. Há um distanciamento. Há proximidades, que manifestam-se em áreas que não correspondem ao que o Brasil realmente é. Por exemplo, na área da novela, o Brasil está presente como nunca esteve. É pela via das novelas que os moçambicanos conhecem o Brasil. Mas é apenas uma ideia do Brasil. Na literatura houve um empobrecimento, os africanos não sabem o que está a acontecer no Brasil, sobretudo em relação aos novos autores.

iG: O Brasil actualmente é tido como uma força emergente no mundo. Isso é bom ou ruim para Moçambique?
Mia Couto:
É principalmente bom. Um membro da nossa família que tem esse peso no mundo, com as suas políticas externas, pode ser uma voz alternativa. É como ter um tio rico: encontramos nisso uma possibilidade de estarmos presentes no mundo, por via do outro.

iG: Como o senhor situa a narrativa dos seus livros com a tradição oral africana e moçambicana?
Mia Couto:
Não faço como uma missão, não me atribuo essa bandeira. Acontece porque não há outra maneira. Para falar daquilo que quero falar, tem de ser daquela maneira. É algo dominante.

iG: A identidade e o deslocamento permeiam os seus livros. Isso é fruto do contexto moçambicano ou africano?
Mia Couto:
De um contexto mundial. Hoje há uma opção pela busca de identidade, embora em África se manifeste de maneira mais dramática. Preocupa-se porque normalmente essa procura é objecto de manipulação. De repente é uma identidade que se funde na ilusão de haver uma pureza, de sermos nós próprios sem sermos os outros. A identidade só existe no plural.

iG: Há críticos que dizem que a sua literatura é mais intelectual do que física, que trata menos da miséria africana e mais de questões existenciais. O que acha disso?
Mia Couto:
Não aceito essas críticas, não é verdade. Esse lado mais físico, povoado de gente real está presente nos meus livros. A miséria está presente. Abordo de uma forma muito mais sensorial do que intelectualizada.

iG: O sr. não encerra os seus livros com um desfecho impactante, com alguma surpresa. Eles vão terminando aos poucos. Qual é a razão?
Mia Couto:
O final tem de ser construído pelo leitor. É um final em aberto porque a própria vida é assim, não?

iG: Moçambique foi colônia de Portugal até 1975, depois passou por uma violenta guerra civil e tornou-se uma democracia há menos de duas décadas. Como o sr. define a actual situação do país?
Mia Couto:
Está a melhorar. O que foi feito é um esforço enorme para se abrir ao mundo, às tendências do mundo. Um país com exercício democrático verdadeiro. A democracia é um regime que não pode ser imposto, então há uma cultura democrática que está a nascer nas cidades. Isso não pode ser induzido artificialmente.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Escritor moçambicano Ugulani Ba Ba Khosa discute papel do negro na literatura mundial na Biblioteca de São Paulo (Brasil)

A Biblioteca de São Paulo, espaço cultural do Governo de São Paulo administrado em parceria com a Poiesis - Organização Social de Cultura, promoverá um “bate-papo sobre” em torno do tema "O negro na literatura internacional" com o escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, no dia 20 de novembro. A mediação do encontro ficará a cargo de Carmen Tindó, doutora e professora de Literaturas Africanas na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Durante o evento, realizado no mesmo dia em que se celebra a Consciência Negra, Ungulani falará sobre a influência do negro na cena literária. "Nunca procurei a cor num escritor, mas identidades, fluxos literários representativos de parcelas deste mundo cada vez mais global", conta o escritor, quando perguntado sobre os seus autores negros de referência.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Livro “Pátio das Sombras”: a promoção dos hábitos de leitura a partir de histórias moçambicanas

É lançado esta quinta-feira o livro “Pátio das Sombras”, uma obra que conta com textos do escritor Mia Couto e ilustrações do pintor Malangatana.

O acto do lançamento terá lugar no Instituto Camões, em Maputo, com a presença dos dois autores.

Esta obra inaugura a colecção “Contos e Histórias de Moçambique”, acção que está sob a responsabilidade da Escola Portuguesa de Moçambique, em parceria com uma fundação espanhola.

O projecto editorial e educativo, que visa a promoção de hábitos de leitura e da própria portuguesa, a partir das tradições moçambicanas, compreende a recolha de histórias da tradição oral de Moçambique e a sua recriação e ilustração por escritores e artistas plásticos até à sua publicação em livro.

Estes já estão a ser gratuitamente distribuídos por escolas moçambicanas para a sua exploração pedagógica pelos professores da disciplina de Português.

Estes, como prevê, o próprio projecto, também já começaram a receber formação adequada no âmbito da leitura e escrita a partir de histórias, que está a ser ministrada.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Obra de Mia Couto será debatida num congresso na Bélgica


Um congresso internacional sobre a obra de Mia Couto vai decorrer na Antuérpia, Bélgica, de 23 a 25 de Março, organizado pelo Instituto Superior de Tradutores e Intérpretes da Bélgica com o apoio do Instituto Camões.

Comunicações de especialistas de diversas universidades da Europa e América serão apresentadas, incluindo da Universidade da Sorbone de Paris, da Universidade de Caen da Normandia (França), a Universidade de Bucareste (Roménia), Universidade de Utrech (Holanda), a Universidade Koln (Alemanha), Universidade Federal de Pernambuco (Brasil), Universidade de Berkeley (Inglaterra), bem como as universidades portuguesas de Viseu, Lisboa, Porto e Trás-os-Montes.

No final do primeiro dia, inteiramente dedicado à análise da obra do escritor moçambicano, será exibido o filme "Terra Sonâmbula" que venceu diversos prémios internacionais de cinema.

Mia Couto vai estar presente no colóquio.

A primeira do evento será dedicada à tradução da obra de Mia Couto. "Serão escolhidos dois livros entre a obra do autor e serão convidados alguns dos tradutores destes textos, para participarem em mesas redondas", segundo uma nota dos organizadores.

A segunda vertente "será centrada na análise da obra do autor". Nessa parte, pretende-se abordar especificamente os temas como o trabalho/o jogo com a linguagem na obra de Mia Couto, bem como o seu processo narrativo, a literatura e a constituição de uma identidade (linguística, cultural e/ou política) moçambicana e a tradução, a divulgação e a internacionalização da obra do escritor moçambicano.

Além das comunicações seleccionadas, estão também previstas palestras por Mia Couto, Ana Mafalda Leite e Alberto Carvalho.

Os organizadores lançam um apelo à apresentação de comunicações numa das áreas temáticas do colóquio, devendo a intenção de apresentar uma comunicação acompanhada de um título provisório ser apresentada até 1 de Novembro de 2009.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mia Couto no Brasil para lançar o livro “Antes do Sol Nascer”, “Jerusalém” em Moçambique

O escritor, jornalista e dramaturgo moçambicano Mia Couto está desde quinta-feira no Brasil - primeiro em São Paulo para lançar o seu novo romance -, e depois no Rio de Janeiro para ser homenageado.

O livro, que é lançado simultaneamente em vários países, tem uma particularidade: em Moçambique, Angola e Portugal chama-se Jerusalém; no Brasil tem como título Antes de Nascer o Mundo. O romance conta a história de um lugar, Jerusalém, onde vive o que restou da humanidade e de Silvestre Vitalício, dos seus dois filhos, um tio dos rapazes e um empregado.

À “Folha de São Paulo”, o escritor explica: "No interior de Moçambique deparei com famílias que viviam numa quase completa condição de marginalidade. Estavam aparentemente longe de tudo. Trabalhei com essas comunidades e reparei sempre que, depois de um primeiro olhar, a ligação umbilical com o mundo de hoje estava presente". É dessa ligação que Vitalício, o líder do pequeno lugar, tenta sair. Mais concretamente das recordações que o mundo real lhe traz - a morte de Dordalma, mãe dos seus filhos. A tentativa de apagar o passado é também uma fuga da guerra que fez um milhão de mortos no país.

"Os moçambicanos escolheram o esquecimento. Quem hoje viaja pelo país não sente sinal nenhum dessa guerra. Esse esquecimento é uma sabedoria, uma percepção de que os demónios do passado ainda não foram enterrados. Mas é um falso esquecimento, como quase sempre sucede com os lapsos de memória", diz Couto à “Folha de São Paulo”.

Depois de ter participado, sexta-feira, num debate no Sesc Avenida Paulista, é a vez de ser homenageado, dia 3 de Julho, no Festival de Teatro da Língua Portuguesa. A partir de 12 Julho, Mia Couto estará em Portugal para o lançamento de Jerusalém.

Mia Couto, 54 anos, lançou 23 livros e ganhou muito prémios, entre os quais o Virgílio Ferreira (1999), União Latina de Literaturas Românticas (2007) e o título de um dos 12 melhores livros africanos do século XX com Terra Sonâmbula.(X)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Conto moçambicano em livro

São lançados esta quarta-feira, 18, no Centro Recreativo e Cultural “A Politécnica”, os livros “O Conto Moçambicano: da oralidade à escrita” e “A Narrativa Africana de Expressão Oral” dos Professores Doutores Lourenço do Rosário e José Luís Cabaço, respectivamente.

O lançamento das obras vai contar com a presença de várias figuras do campo cultural moçambicano e não só, com particular destaque para escritores e académicos.

Lourenço do Rosário, reitor da Universidade Politécnica e José Luís Cabaço, são duas das principais figuras académicas de Moçambique, respeitadas pela visão intelectual e como docentes universitários.

Mia Couto e os hábitos de leitura e escrita

O celebrado escritor moçambicano Mia Couto profere esta quarta-feira, 18, na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), em Maputo, uma palestra sobre os hábitos de leitura e escrita no país.

Estudantes, escritores, acadêmicos e jovens (sobretudo) deverão lotar uma das salas da AEMO, dado o interesse que Mia Couto desperta entre os que se interessam pela literatura e também quando se sabe que o hábito de ler entre os moçambicanos é algo que se perdeu.

Aliás, a intervenção de hoje do Mia não pode ser dissociada do debate público que está a ocorrer em Moçambique em torno da falta do gosto pela leitura e pela escrita, sobretudo entre os jovens, estes mais interessados em bens materiais e outras futilidades do que no belo e no sublime.

Em paralelo à palestra uma feira/venda do livro usado estará disponível o que irá permitir que os interessados possam adquirir, a preços acessíveis, obras literárias que de outro modo não seria possível.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Escritor moçambicano Aldino Muianga lança romance

Foi lançado ontem, 13, no Instituto Camões, em Maputo, o romance “Contravenção- Uma história de amor em tempo de guerra”, de autoria do escritor moçambicano Aldino Muianga.
A obra, que sai sob a estampa da editora “Ndjira”, foi apresentada pelo académico Gilberto Matusse.
Com 200 páginas a obra apresenta um trabalho de capa assinado por Omaia Panachande e coordenado por Celso Muianga.
Na mesma ocasião foi também apresentado o livro “Contos Rústicos”, que desde o ano passado se encontra disponível nas livrarias.
A obra “Contravenção- Uma história de amor em tempo de guerra” constitui o regresso de Aldino Muianga ao romance, depois de em 2004 ter lançado “Meledina ou história de uma prostituta”. Nos anos seguintes apresentou a colectânea de contos “A Metamorfose” ( 2005).
De notar que Aldino Muianga estreou-se no campo das letras em 1987 com o livro de contos “Xitala Mati( reeditado no ano passado); em 1992 publicou “Magustana” (novela), no mesmo ano em que também publicou a colectânea de contos “A Noiva de Kebera”. Em 2001 deu à estampa o romance “Rosa Xintimana” e dois anos depois publicou um livro de contos intitulado “O Domador de Burros”.
O escritor é formado em Medicina na especialidade de cirurgia-geral. Actualmente o médico-escritor divide-se entre Maputo e África do Sul.