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sábado, 15 de agosto de 2009

Woodstock completa 40 anos de paz, amor e rock neste sábado

Janis Joplina, morreria um ano depois
A Feira de Música & Arte Woodstock faz 40 anos neste sábado. A 15 de agosto de 1969, na pequena fazenda de 2,4 quilômetros quadrados de Max Yasgur, na localidade rural de Bethel, Nova York, a grande mostra da Era de Aquarius exibiu ao mundo a sua face libertária, provocadora, iconoclasta, naturalista, enlameada e confusa.

A utopia hippie, ao tornar-se quarentona juntamente com Woodstock, celebra o seu renascimento circular. Durante as décadas de 80 e 90, o "bicho-grilismo" encenado pelos hippies de Woodstock era uma coisa a se evitar. Nos anos 00, virou o estilo e a meta a ser perseguida. Hoje em dia, olhando algumas bandas de rock como Magic Numbers e Kings of Leon, com as suas barbinhas e batinhas e roupinhas sujinhas, parece que não se passou nem um dia sequer.

Parece insano discutir hoje o mérito musical de Woodstock, quando na verdade o festival detonou principalmente uma revolução comportamental. Mas o facto é que algumas performances foram muito mais importantes do que outras - a Sony Music relançou esta semana no Brasil as performances integrais de Janis Joplin, Johnny Winter, Santana, Jefferson Airplane e Sly and the Family Stone. É material essencial para entender o que se passou do ponto de vista artístico naquele marco dos anos 60.

O cantor, violonista, guitarrista e compositor Richie Havens abriu o festival por conta da própria natureza improvisada da festa. Ele lembra que não estava escalado para ser o primeiro a subir naquele palco (seria o quinto, na verdade), mas foi içado pela organização para cantar porque os outros que cantariam estavam presos no imenso congestionamento que se formou na estrada - esperavam 70 mil pessoas, apareceram 400 mil, o que levou o município a pensar em decretar estado de calamidade pública.

"Eram 5 da tarde e nada ainda estava a acontecer", contou Havens anteontem. "Mas eles tiveram de me colocar em primeiro. Eu me senti tipo “eles vão me matar se eu subir ao palco primeiro, dá um tempo, preciso daquelas quatro atrações antes de mim para esquentar a platéia”. "Mas não teve jeito. As pessoas foram bacanas. Eu deveria cantar por 40 minutos, o que fiz, mas ali do lado do palco eles diziam: “Richie, mais quatro canções?” Eu cantava e já ia sair e eles diziam: “Richie, mais quatro canções?” E eu continuei tocando por duas horas e 45 minutos, depois que já tinha cantado todas as canções que sabiam.” Entre essas canções, estava Freedom, que foi apresentada no documentário de 1970 sobre o festival, ganhador de um Oscar.

Havens, que está actualmente em digressão a promover o seu disco de 2008, Nobody Left to Crown, disse o seguinte esta semana, falando à Reuters: “Todos os tipos de música subiram ao palco naqueles três dias, e todos eles tinham o senso do que era necessário - e do que ainda é necessário em termos de informação para atravessar as barreiras e continuar em frente.”

De facto, a música era diversificada, com uma predominância do blues, rock e do folk, que eram os gêneros "jovens" da época. Mas houve também a novidade, começando com a fabulosa apresentação de um jovem guitarrista mexicano da Bay Area, Carlos Santana, que ganhou apenas US$ 1,5 mil para tocar e se apresentou no dia 16. As 8 músicas que Santana tocou estavam impregnadas de um latin rock fundido com blues, uma força instrumental turbinada por congas, bateria, baixo e percussão.

Quarenta anos depois, ainda é difícil entender o poder daquela versão que Santana apresentou de Soul Sacrifice. Ao contrário de Hendrix, a outra força motriz do festival, Santana esmerava-se na busca de um acento latino, polirítmico, específico e étnico para a sua guitarra. Filho de um músico mariachi de Navarro, no México, o guitarrista inventava um novo léxico.

Outra notável performance foi a do fantástico grupo de Black Music Sly &; The Family Stone, que tocou 9 canções na jornada. Formado por Sylvester “Sly Stone” Stewart e os seus brothers Vaetta, Freddie e Rose Stone, mais Gregg Errico (bateria), Jerry Martini (sax), Cynthia Robinson (trompete e vocais), Larry Graham (baixo), o grupo tinha lançado em maio daquele ano o disco Stand!, a mais bem acabada síntese de funk, soul, gospel, psicodelia e rock - e ativismo, com faixas como Don’t Call me Nigger, Whitey.

Janis Joplin, que morreria de forma trágica no dia 4 de outubro de 1970, estava a desvencilhar-se da sua banda Big Brother and The Holding Company e a iniciar a mais curta (e impactante) carreira-solo do rock internacional.

Dois anos antes, ela cantava folk e blues em bares de São Francisco e Venice Beach, na Califórnia. Em 1966, voltou a Austin para cantar numa banda de country, mas um empresário a convenceu a montar uma banda. Assim, juntou-se à mitológica Big Brother and the Holding Company, que tinha recém-abandonado nas vésperas de Woodstock.

Janis cantou 10 músicas no festival, no dia 17 de agosto de 1969. Quando ela empunhou Ball and Chain, de Big Mama Thornton, encerrando o seu show, estava patente que ali não se apresentava uma artista comum, mas alguém destinada a reescrever a história da música popular, embora de forma tão precária.

Do mundo psicodélico, houve uma baixa importante - o Greateful Dead teve a sua apresentação maculada por problemas técnicos. Mas o Jefferson Airplane fez bem a sua parte, misturando peças viajandonas conhecidas, como White Rabbitt, com outras do disco que lançariam em seguida, como Volunteers, Eskimo Blue Day e Wooden Ships.

Um ano depois daquela loucura, banhos pelados debaixo da chuva, balés e meditação para Sol e Lua no mato, Jimi Hendrix morreria em Londres. Woodstock teve outras edições, como a violenta farra de 1999. Na época, o baixista do Red Hot Chili Peppers, Flea, disse que chorou ao ter notícia, ainda nos bastidores, da ocorrências de abuso sexual e violência generalizada entre o público. Durante os momentos de mosh do show do Limp Bizkit, houve uma sessão de quebradeira e saques promovida por uma juventude vitaminada, cheia de sucrilhos e de classe média. Os tempos mudaram, definitivamente.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Clube dos Entas: Woodstock - o festival que fez história



Vale a pena relembrar. Afinal, nenhum outro festival de música teve tanta repercussão e tanta importância internacional como este. Apesar das suas outras edições e de outros grandes festivais de música, Woodstock de 15, 16 e 17 de agosto de 1969 permanece como o mais importante evento musical da história contemporânea. 

Para entender a sua importância, é preciso voltar um pouco no tempo. O mundo, e especialmente os Estados Unidos, passava por tempos difíceis de guerra, violência e desilusão. A década de 1960, a mais conturbada década do século passado, chegava ao fim, com uma sensação reinante de ''e agora?'' no ar. E é neste clima de “final da farra”, no último ano da década, que o maior evento de música jamais realizado encontra terreno fértil para se consolidar. 

O festival de Woodstock reuniu uma multidão de mais de 500 mil jovens para 3 dias de amor e música, ideializado e levado a cabo por quatro jovens milionários que não sabiam que fazer com o seu dinheiro: John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang.

Woodstock aconteceria fora da cidade grande (Nova Iorque), enfatizando o clima então existente de ''volta ao campo'', e foi programado para ser o maior festival musical de todos os tempos. Para atrair o seu público alvo, os jovens, foram usados todos os símbolos e frases consagrados pela contracultura. O próprio slogan do evento, ''três dias de paz, amor e música'', era baseado na contracultura. O slogan continha em si o sentimento antiguerra e a intenção dos organizadores de manter a paz no evento. O próprio Kornfeld explicou que o festival não deveria ser pensado como a construção de palcos, assinatura de contratos ou venda de ingressos. Woodstock deveria ser um estado de espírito, um acontecimento para se tornar um ícone de toda uma geração. 

Os quatro “putos” foram considerados loucos e pretensiosos por pretenderem realizar o maior festival de música alguma vez realizado, reunindo 100 mil pessoas. Mas Woodstock superou todas as expectativas e se revelou um verdadeiro fenômeno. Quase meio milhão de pessoas foram até Woodstock aproveitar 3 dias de mentes abertas, amor livre, drogas e muito rock. O festival acarretou um dos piores engarrafamentos em Nova Iorque, mas não houve nenhum acidente ou violência durante o festival. Criou-se uma nação dentro de uma nação, reunida pelos seus ideais e a sua vontade de se divertir, embaladas ao som de The Who, Jefferson Airplane, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker, Bob Dylan e todos os grandes nomes do rock da era, hoje verdadeiras lendas.

O evento tornou-se um verdadeiro ícone da contracultura. A força jovem e a liberdade assustaram os mais velhos e conservadores. As dimensões de Woodstock foram para além das 500 mil pessoas reunidas no festival, tanto que as discussões sobre a sua importância persistem até hoje, quatro décadas depois. E até hoje o evento divide opiniões. 

É sobre tudo isto e mais, acompanhado dos inevitáveis sons, que as próximas três edições do programa “Clube dos Entas vai tratar: 13. 20 e 27 deste mês (Agosto).

O programa é transmitido na Antena Nacional da Rádio Moçambique (FM 92.3) as quintas-feiras (22H05) e segundas-feiras (02H05), podendo ser escutado igualmente na Net: www.rm.co.mz

sexta-feira, 12 de junho de 2009

40 anos de Woodstock comemorados em caixa

Este ano comemoram-se os 40 anos desde a primeira edição do festival Woodstock, um dos marcos da década de 60. Para se celebrar este aniversário, será editada uma caixa com seis discos com gravações inéditas de artistas como Jimi Hendrix, The Who, The Grateful Dead ou Jefferson Airplane.

Esta caixa tem por título Woodstock - 40 Years On: Back to Yasgur's Farm e será editada no dia 18 de Agosto, pela editora Rhino Records. Cheryl Pawelski, vice- presidente da editora, referiu que esta será "a mais completa colecção de músicas do Woodstock". Ao todo, esta edição reúne 77 canções, sendo que 38 delas nunca foram editadas em disco. Além dos seis discos, esta caixa traz ainda um pequeno livro com informações sobre os vários espectáculos que se realizaram neste festival.

Mas esta não é a única edição marcada para este ano de forma a celebrar os 40 anos de Woodstock.Serão ainda reeditados os discos Music from the Original Sound-track and More: Woodstock, Woodstock 2 e ainda o DVD Woodstock: 3 Days of Peace and Music - The Director's Cut.

Este ano vai ainda estrear-se o filme Taking Woodstock, de Ang Lee. O filme, exibido pela primeira vez no festival de Cannes, conta com argumento de James Schaus e é protagonizado por Liev Schreiber e Emile Hirsch.

sábado, 7 de junho de 2008

Terceira idade tem desconto no Museu Woodstock nos EUA

NOVA YORK - Quando finalmente conseguimos chegar a Woodstock... já tinha virado museu. O Museum at Bethel Woods leva a Era de Aquário para a era da Internet ao preço de 13 dólares por pessoa.
Pessoas com mais de 65 anos - faixa que deve incluir muitos dos que assistiram à Feira de Música e Arte de Woodstock, em agosto de 1969 - pagam 11 dólares.
Quatro décadas após os hippies, os yippies, as "flower children" e os bizarros de vários tipos acampados ao ar livre na fazenda leiteira de Max Yasgur em Bethel, Nova Iorque, as gerações futuras poderão tomar conhecimento de como foram os três dias de música, paz, amor e lama. "Em 1969, um dos eventos mais importantes da história do nosso país aconteceu no nosso quintal, e hoje ... milhares de pessoas ainda vêm de todo o mundo para visitar o local do festival de Woodstock", comentou o empresário de TV a cabo Alan Gerry.
A sua Fundação Gerry criou o museu e a entidade sem fins lucrativos Centro de Artes Bethel Woods.
O museu é "uma experiência multimídia imersiva e cativante que reúne filme e displays interativos, painéis de texto e artefactos para explorar a experiência singular do festival de Woodstock", diz o website www.betherwoodscenter.org .
Os objectos expostos incluem um autocarro psicodélico hippie, além de filmes e fotos feitos por algumas das pessoas que foram a Woodstock "para afastar-se da poluição", como escreveu Joni Mitchell na sua canção "Woodstock".
O museu também inclui um cinema com surround-sound que exibe o filme "Woodstock: The Music".
Situado a 145 quilômetros ao norte de Nova Iorque, o museu também destaca os ideais de uma era em que a oposição à Guerra do Vietnam dividia o país: comunidade, diversidade, direitos individuais e civis, drogas, ativismo e paz.
O festival de Woodstock, em que se apresentaram The Who, Janis Joplin, Joe Cocker, Sly and the Family Stone, Jimi Hendrix, Creedence Clearwater Revival e The Grateful Dead, é um símbolo duradouro da contracultura dos anos 1960 e foi incluído na lista feita pela revista Rolling Stone dos "50 momentos que transformaram a história do rock and roll".
Foram dias inebriantes, e, apesar da piada segundo a qual qualquer pessoa que se recorde dos anos 1960 não pode ter estado lá, John Sebastian ainda se lembra do festival em que fez uma apresentação solo. "A lembrança que tenho de subir ao palco era o tamanho imenso da multidão - pessoas se estendendo até onde os olhos enxergavam", disse Sebastian, cuja banda The Lovin' Spoonful tinha se desfeito no ano anterior. Sebastian chegou a Woodstock de helicóptero. "Voamos por quilômetros, e tudo o que vimos lá embaixo eram Kombis, barracas e pessoas deitadas sobre cobertores. Quanto mais perto chegávamos, mais densamente as pessoas estavam amontoadas, e nem sequer se enxergava a relva."(X)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um museu para recordar o Festival de Woodstock e os anos 60

Um museu vai recordar, a partir de hoje, 2, o lendário festival de Woodstock, quando meio milhão de hippies se reuniram, em agosto de 1969, para assistir a apresentação dos grandes nomes do rock e o nascimento da contracultura americana.
O festival marcou toda uma geração de "baby boomers" no mundo, quando Jimmi Hendrix, Joe Cocker, The Who, Joan Baez e Ravi Shankar fizeram shows de graça que duravam até o raiar do dia.
"Woodstock", uma pequena cidade situada a norte de Nova York, onde viviam ou gravavam dezenas de artistas como Bob Dylan e Janis Joplin, não é, na verdade, o lugar onde o evento aconteceu.
Como o público viveu três dias de liberdade, drogas, ioga e nudez, o acontecimento, na realidade, teve lugar numa fazenda de 240 hectares, situada a 76 km do lugar, em Bethel Woods, 200 km ao norte de Nova York.
A compra da propriedade há dois anos por Alan Gerry, magnata local da tv a cabo, permitiu o investimento dos 100 milhões de dólares necessários para o museu e seus anexos, que visam promover o desenvolvimento turístico de uma região atingida pelo desemprego.
O museu recordará assim como, em 1969, a aventura começou quando um jovem americano, Sam Yasgur, conseguiu convencer o seu pai da importância do projecto. Max Yasgur, que tinha 49 anos então, emprestou a sua fazenda para receber a multidão que sonhava com um mundo melhor.(X)