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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Clube dos Entas: Woodstock - o festival que fez história



Vale a pena relembrar. Afinal, nenhum outro festival de música teve tanta repercussão e tanta importância internacional como este. Apesar das suas outras edições e de outros grandes festivais de música, Woodstock de 15, 16 e 17 de agosto de 1969 permanece como o mais importante evento musical da história contemporânea. 

Para entender a sua importância, é preciso voltar um pouco no tempo. O mundo, e especialmente os Estados Unidos, passava por tempos difíceis de guerra, violência e desilusão. A década de 1960, a mais conturbada década do século passado, chegava ao fim, com uma sensação reinante de ''e agora?'' no ar. E é neste clima de “final da farra”, no último ano da década, que o maior evento de música jamais realizado encontra terreno fértil para se consolidar. 

O festival de Woodstock reuniu uma multidão de mais de 500 mil jovens para 3 dias de amor e música, ideializado e levado a cabo por quatro jovens milionários que não sabiam que fazer com o seu dinheiro: John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang.

Woodstock aconteceria fora da cidade grande (Nova Iorque), enfatizando o clima então existente de ''volta ao campo'', e foi programado para ser o maior festival musical de todos os tempos. Para atrair o seu público alvo, os jovens, foram usados todos os símbolos e frases consagrados pela contracultura. O próprio slogan do evento, ''três dias de paz, amor e música'', era baseado na contracultura. O slogan continha em si o sentimento antiguerra e a intenção dos organizadores de manter a paz no evento. O próprio Kornfeld explicou que o festival não deveria ser pensado como a construção de palcos, assinatura de contratos ou venda de ingressos. Woodstock deveria ser um estado de espírito, um acontecimento para se tornar um ícone de toda uma geração. 

Os quatro “putos” foram considerados loucos e pretensiosos por pretenderem realizar o maior festival de música alguma vez realizado, reunindo 100 mil pessoas. Mas Woodstock superou todas as expectativas e se revelou um verdadeiro fenômeno. Quase meio milhão de pessoas foram até Woodstock aproveitar 3 dias de mentes abertas, amor livre, drogas e muito rock. O festival acarretou um dos piores engarrafamentos em Nova Iorque, mas não houve nenhum acidente ou violência durante o festival. Criou-se uma nação dentro de uma nação, reunida pelos seus ideais e a sua vontade de se divertir, embaladas ao som de The Who, Jefferson Airplane, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker, Bob Dylan e todos os grandes nomes do rock da era, hoje verdadeiras lendas.

O evento tornou-se um verdadeiro ícone da contracultura. A força jovem e a liberdade assustaram os mais velhos e conservadores. As dimensões de Woodstock foram para além das 500 mil pessoas reunidas no festival, tanto que as discussões sobre a sua importância persistem até hoje, quatro décadas depois. E até hoje o evento divide opiniões. 

É sobre tudo isto e mais, acompanhado dos inevitáveis sons, que as próximas três edições do programa “Clube dos Entas vai tratar: 13. 20 e 27 deste mês (Agosto).

O programa é transmitido na Antena Nacional da Rádio Moçambique (FM 92.3) as quintas-feiras (22H05) e segundas-feiras (02H05), podendo ser escutado igualmente na Net: www.rm.co.mz

terça-feira, 26 de maio de 2009

Clube dos Entas: uma incursão pela música de Moçambique nos anos 50, 60 e 70

No último programa foi mote para percorrermos, emocionalmente, o caminho seguido pela canção ligeira de Moçambique até à eclosão das primeiras discográficas no país. E não se pense que tenhamos querido dizer com isso que não existissem registos musicais de artistas moçambicanos aqui radicados. São significativas as captações feitas pelo então «Rádio Clube de Moçambique» e, embora não economicamente viáveis, esses registos têm, porém, um valor histórico e cultural incomensurável que o país só tinha muito a ganhar se os editasse em novos e modernos suportes.

Na edição de quinta-feira, 28, vamos prová-lo revisitando-os nos cinquenta e cinco minutos do programa, colocando igualmente a seguinte questão: que caminhos terão percorrido os músicos moçambicanos aqui radicados até saírem do anonimato e serem considerados atractivos aos olhos do mercado do disco? Ou talvez perguntar assim: a partir de que realidade socio-cultural os empresários da especialidade começaram a sentir que havia algo a explorar na canção nacional?

Iremos rodar por exemplo, uma canção captada em 1963 num programa através do qual o «Rádio Clube» pretendeu divulgar aquilo a que, obedecendo aos ditames da colonização mental e psicológica, teimava em chamar de folclore indígena, um eufemismo de linguagem que serviu para classificar a nossa canção como uma realidade puramente contemplativa e sem perfil para atrair o mercado do disco.

Convenhamos que não é fácil aceitar que alguém ache destituída de sentido uma canção que, e tal como acontece em qualquer parte do mundo, os seus intérpretes saúdam a chuva que irrigou a terra em abundância e rejubilam por uma colheita igualmente abundante que se prenuncia, no caso do amendoim – a mazumana. Mas já a linguagem se atenua quando Sidónio Mabombo, solista do grupo coral do «Centro Associativo», se predispõe a interpretar canções tipicamente portuguesas. Mesmo assim, não se coíbe de dizer que o faz num “esforço de linguagem”.

Sintonize o “Clube dos Entas”, quinta-feira, 28, a partir das 22H05, com reposição segunda-feira seguinte as 02H05 da madrugada na frequência 92.3 FM ou no sítio www.rm.co.mz, Antena Nacional da Rádio Moçambique.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Clube dos Entas: Damião Experiência e Bruce Springsteen

O programa radiofónico “Clube dos Entas” da próxima quinta-feira,12, vai destacar duas figuras da música: Bruce Springsteen (CD – Working On A Dream” de 2008) e Damião Experiência (CD – “Planeta Lamma” de 1974.
Eu não conhecia o Damião e muito menos a sua música, algo estranha.

Afirma ele que Planeta Lamma é o destino final de todo o ser humano; que fica a sete palmos debaixo do chão, onde "não tem fulano, não tem sicrano", "pode ser barão, pode ser ladrão".
O álbum Planeta Lamma, foi gravado de forma precária, apenas com uma viola de uma corda, uma gaita presa ao pescoço e uma espécie de chocalho.
Como todos os seus discos posteriores, Planeta Lamma foi gravado, arranjado, prensado, embalado e vendido pelo próprio Damião.
São 34 discos, ao longo de 18 anos de carreira.
As suas músicas vão de berros e grunhidos a um total caos sonoro, passando por composições acústicas, rocks progressivos com um alto teor de improvisação e músicas instrumentais ao estilo Frank Zappa.
Nos seus discos podem ser encontradas pérolas como “se você não casar com uma mulher virgem, já é corno”, ou ainda “mamã não quer que eu seja homem; porque homem usa chifre na cabeça”.
Muito de mistérioso cerca a sua obra. O número exacto de discos que gravou nem ele próprio se recorda quantos são.
Após gravar o seu último disco, em 1992, Damião Experiencia impõe a si mesmo uma vida de reclusão. Vagueia pelas ruas de Ipanema, no Rio de Janeiro, a catar lixo e sucata, vende ou simplesmente distribui os discos que lhe restaram. Com frequência é confundido com um mendigo.

O “Clube dos Entas” pode ser ouvido todas as quintas (22H05) e segunda (02H05) em FM 92.3 ou no site www.rm.co.mz

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Yo-Yo Ma no Clube dos Entas

Na edição desta quinta-feira, 5, do programa radiofonico CLUBE DOS ENTAS Yo-Yo Ma vai estar em destaque – a sua musica e obra.

"Antes, eram o piano, o violino ou mesmo a flauta. Favoritos dos grandes compositores dos períodos barroco, clássico e romântico, aqueles instrumentos – e os seus intérpretes – davam as cartas no mundo da música erudita.
No século XX, porém, um instrumento, enjeitado e tido quase sempre como um mero "recheio" das orquestras, começou a ganhar lugar de destaque nesse panorama: estou a falar do violoncelo.
A ascenção do violoncelo deu-se em 1939, quando o espanhol Pablo Casals gravou as Seis Suítes para Violoncelo, de Johann Sebastian Bach. Até então consideradas um exercício de aprendizado, as peças revelaram o potencial solístico deste instrumento.
Nos últimos anos, um dos poucos artistas que se tem dedicado com afinco ao instrumento e com excelentes resultados junto do público é Yo-Yo Ma.
Descoberto pelo regente americano Leonard Bernstein quando tinha 8 anos de idade, Yo-Yo Ma , é um instrumentista excepcional e versátil, capaz de saltar da seriedade da obra de Bach para músicas do folclore indiano, do chinês e do brasileiro.
Tal polivalência, aliás, leva os seus detratores a acusá-lo de se ter tornado um musico vulgar, que volta e meia se dedica a trabalhos da música popular brasileira e americana sem critério ou sensibilidade estilística.
O facto, porém, é que, goste-se dela ou não, a "militância" de Yo-Yo Ma tem se mostrado indispensável na redefinição do papel do violoncelo."

O programa CLUBE DOS ENTAS pode ser ouvido em FM 92.3 ou entao no http://www.rm.co.mz, todas as quintas-feiras (22H05) e segundas-feiras (02H05)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Richard Bona no "Clube dos Entas"

Era uma vez... uma criança por todos considerada irrascível; que chorava por tudo e por nada, sem razão aparente. Enfim, uma criança de trato difícil.
Nasceu e vivia então essa criança, em Minta, uma pequena aldeia do leste dos Camarões. Viu a luz do dia decorria o distante ano de 1967.
Contam as pessoas que a conheceram, ainda com trés anos de idade, que aquela criança “chata” só abandonou o hábito de chorar quando um dia ouviu os sons de um instrumento chamado Balafon, dedilhado por um músico da sua aldeia.
O pequeno “chorão”, completamente fascinado, já esquecido da mania de chorar por “dá-la aquela palha”, ficava horas a fio a ouvir o artista do balafon. Como que a querer “beber” de uma fonte que, anos mais tarde, o tornaria um dos mais virtuosos viola baixo do mundo.
Estou a falar de Richard Bona, que já produziu cerca de meia dúzia de albúns de originais, para além de participações em obras musicais de grandes nomes do jazz, sobretudo europeus e americanos.
Acompanhem-nos então nos cinquenta e picos minutos do Clube dos Entas com este que, ainda criança, um jornalista qualificou de um diamante por lapidar.
O destaque vai para o seu albúm "Bona Makes You Sweat", gravação de uma actuação ao vivo nos dias 11 e 12 de julho de 2001, em Budapeste, capital da Hungria.

O "Clube dos Entas" pode ser escutado na Antena Nacional da Rádio Moçambique: FM 92.3 ou em http://www.rm.co.mz/, todas as quintas-feiras (22H05) ou segundas-feiras (02H05)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"Clube dos Entas": O multi-instrumentista Hermeto Pascoal

Hoje com 78 anos, este compositor e multi-instrumentista, mas também um grande contador de histórias, nasceu numa perdida aldeia de camponeses pobres. Diz-se que escapou do trabalho com a enxada por ser albino e não poder, por isso mesmo, ficar exposto ao sol.

Mas a vida de campo, os seus sons, terão certamente exercido nele um grande fascínio e influência na sua música.


Hermeto Pascoal conta que quando criança, na escola, os professores mandavam-lhe fabricar instrumentos com latas de marmelada. E terá sido de uma lata dessas que o nosso convidado de hoje terá construido o que chamou a sua primeira criação: "violãozinho".


“Quando as Aves Se Encontram, Nasceo Som”, é talvez um bom exemplo do que acabamos de dizer, uma faixa musical incluída no album "Festa dos Deuses", de 1992, a ser rodado na edição desta quinta-feira do "Clube dos Entas".

O seu primeiro parceiro na música foi o irmão mais velho, com quem tocava em nos chamados bailes de "pé-de-pau", realizados ao ar livre, sob as árvores, comuns naquela época. Os dois irmãos exibiam o seu talento em batizados e casamentos, suando “bom bocado” quando, às vezes, caminhavam um dia inteiro para chegar até o local do baile.


Em 1961, quando esteve nos Estados Unidos, Miles Davis, ao ouví-lo tocar os vários instrumentos, chamou-lhe de "Albino Louco".


O "Clube dos Entas" é transmitido na Antena Nacional da Rádio Moçambique, podendo ser escutado na frequência 92.3FM ou na internet: http://www.rm.co.mz/.


Quintas-feiras: 22H05
Segundas-feiras: 02H05 (reposição)

domingo, 28 de setembro de 2008

Fela Kuti: o inventor do Afrobeat em "Clube dos Entas"

A próxima edição do programa "Clube dos Entas", 2 de outúbro, vai destacar a vida e obra de Fela Kuti. Eis um "cheirinho" da sua carreira:
Fela Kuti iniciou uma trajetória sem precedentes na música africana e não só.
Tornou-se, no mínimo, o artista mais importante da Nigéria.
Espremeu o funk e o jazz, adicionou tempero africano e garantiu o sabor do caldo com o seu próprio talento e a extrema competência dos músicos que formaram as suas big-bands.
Inventou o afrobeat. Gravou mais de 80 discos em 30 anos.
Desafiou o governo. Decidiu, em 1974, que a sua residência seria um estado independente e lhe deu o nome de república Kalakuta. Depois de criticar as autoridades do seu país, num show de 77, viu a sua mãe morrer durante uma invasão policial à sua casa.
A senhora Olufunmilayo Ransome-kuti, então com 77 anos, foi arremessada pelos invasores do primeiro andar de Kalakuta. Ficou 27 dias no xadrez.
Em 1978, casou numa mesma cerimônia com 27 mulheres (muitas delas dançarinas e cantoras da sua banda) e baptizou todas com o seu sobrenome: Anikulapo-Kuti.
Candidatou-se, em 1979, à presidência da república da Nigéria. Candidatura rejeitada. Foi preso de novo. Dessa vez, em 1984, amargou 20 meses de reclusão. Morreu de Sida em 1997.


O "Clube dos Entas" pode ser escutado todas as quintas-feiras (22H05) e segundas-feiras (02H05) em 92.3 FM (Antena Nacional da RM) ou no site www.rm.co.mz

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A poesia de Noémia de Sousa e a música de Rui Mingas e Paul Simon no "Clube dos Entas"

A próxima edição do programa radiofónico "Clube dos Entas", porque acontece no dia 25 de setembro - marco importante na resistência dos moçambicanos à dominação colonial - vai transmitir excertos de uma entrevista concedida pela combatente anti-colonial e escritora moçambicana, Noémia de Sousa.

Se estivesse viva, ela teria completado no sábado, 20, oitenta e dois anos.

A entrevista a ser passada foi feita por David Borges, um jornalista português e então Director da estação radiofónica RDP Africa, uns meses antes da morte de Noémia de Sousa.

Os ouvintes do "Clube dos Entas" poderão recordar algumas obras musicais de um resistente anti-colonial-fascista angolano, Rui Mingas, retiradas de uma bem conseguida colectânea das suas músicas, a que deu o nome de "Memória".

"Concert In Park" é um espectáculo realizado a 15 de agosto de 1991 por Paul Simon, no Central Park de Nova York, onde o antigo companheiro de Art Garfunkel, executa várias composições do album "Graceland" de 1986 e no qual pontificam executantes sul-africanos como Ray Phiri, Vincent Nguini e Tony Cedras, e percursionistas brasileiros. É com esta obra magistral que a edição desta semana do "Clube dos Entas" assinala o 25 de Setembro.

O "Clube dos Entas" pode ser escutado todas as quintas-feiras (22H05) e segundas-feiras (02H05) na Antena Nacional da Rádio Moçambique (92.3 FM) ou no site www.rm.co.mz.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Jimmy Ndludlu é ou não um jazz-man?

A edição do programa radiofónico "Clube dos Entas" esta quinta-feira, 14, lança aos ouvintes a questão: "O Fusion é ou não Jazz?".
Conservadores consideram que não, mas os aficcionados do Fusion afirmam que sim.
Um ouvinte do programa diz, por exemplo, que o moçambicano Jimmy Dludlu não pode ser considerado um homem do jazz.
Eis um extracto do texto a ser lido no "Clube dos Entas".

"A verdade é que uns defendem que o Fusion nunca foi e nunca será jazz, chegando ao ponto de afirmar que compositores como Bob James, David Sanborn, Earl Klugh, só para citar alguns nomes, nem sequer são referenciados em catálogos prestigiados do Jazz. Por extensão, chegou-se ao ponto de afirmar que o nosso Jimmy Dludlu não pode ser considerado um jazz-man e que, no fundo, Dludlu não era mais do que uma imitação quase perfeita de George Benson quando este “traiu” o jazz e ingressou no Fusion".

O Programa "Clube dos Entas" vai para o ar todas as quintas-feira as 22H05 e é reposto nas segundas-feiras as 02H05, na Antena Nacional da Rádio Moçambique (FM 92.3.
Para o resto do mundo pode ser escutado no http://www.rm.co.mz/