RÁDIO MOÇAMBIQUE

RÁDIO MOÇAMBIQUE
CLICA NA IMAGEM. NOTÍCIAS ACTUAIS DO PAÍS
Mostrar mensagens com a etiqueta Rádio Moçambique. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rádio Moçambique. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

3 de Novembro de 1987: Morre Fany Mphumo, um dos maiores trovadores de Moçambique


Por Luís Loforte

Três de Novembro de 1987, morre aos 70 anos, algures em Maputo, Fany Pfumu. Passam hoje, dia 3 de Novembro, 24 anos. O Clube dos Entas recorda a vida e a obra de um dos maiores músicos da nossa terra.

Pelos anos 50 do século passado, um jovem ronga de pequena estatura é visto a trabalhar numa mina de ouro perto da cidade de Joanesburgo. Village Mine Reef Limited assim se chamava a mina e o miúdo ali confinado não escapou à alcunha condizente com a sua extrema juventude, quase adolescente: Fanyana. Exactamente isso: Miúdo! Na verdade, o rapaz saíra de Lourenço Marques com o nome de registo de António Marriva Pfumu, Mubangu entre os seus. Entretanto, Fanyana não se fica apenas pelo sobe-e-desce da mina. Cedo começa a revelar outras habilidades. Tinha uma grande paixão pelo boxe, mas a estatura e a massa muscular não o ajudavam muito, embora todos lhe reconhecessem mobilidade e rapidez de execução fantásticas. Cantava e dançava como poucos. O reportório comportava, fundamentalmente, temas do cancioneiro popular aprendidos nos subúrbios laurentinos, mais particularmente da Mafalala e da Munhuana. Mas também de Wuloluane, hoje Beleluane, na zona da MOZAL, donde é originário. E depois começou a cantar o kwela e o Jive sul-africanos, muito em voga por aqueles anos. Toca bem a guitarra acústica mas, ao tornar-se amigo de Alexandre Jafete, um matswa de Homoíne, Inhambane, o Antoninho aprende rapidamente a tocar o Bandolim. Gravam disco atrás de disco, sendo dessa época a famosa canção Moda Xicavalo, na qual se destaca a voz de Francisco Mahecuane, que aliás nos dá a saber, ao longo do seu recital, a fonte primária do cognome de Fany: Fanyane pfumu.

Leia mais aqui

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O novo Bandolim de Ximanganine

Para o Ernesto “Ximanganine” Zevo foi como que umas segundas núpcias de um casamento que tardava a acontecer. E há muito aguardado, uma vez que o primeiro, demasiado gasto e sem ponta por onde se pudesse remendar, lhe dava dó, como só os dias sem sol são capazes.

Agora sim, “parece que estou a casar com uma nova mulher”, disse-o Ximanganine, assim mesmo, aos microfones da Rádio Moçambique, uma confissão escutada pelos milhões de ouvintes espalhados pelo país inteiro.

O “enlance matrimonial” do Ernesto Zevo – nome verdadeiro do Ximanganine – aconteceu em directo no final da tarde desta sexta-feira (19) no Estúdio Auditório da Rádio Moçambique em Maputo, perante algumas testemunhas amigas. A “nova mulher” foi um instrumento musical, o Bandolim, oferecido, novinho em folha, por admiradores seus, o Afonso Uamusse e o Oliveira Mucare, residentes em Chimoio e ouvintes assíduous da RM. Eles que, por mero acaso, souberam do estado precário do instrumento que há mais de trinta e cinco anos acompanha o Ximanganine. E da tristeza que se abatia sobre aquele músico. E, mais do que isso, estava em jogo, a carreira musical do único tocador de bandolim que o país conhece e aprecia.

Afonso e Oliveira mandaram trazer de Coimbra, essa cidade portuguesa famosa também pelo seu Fado, um novo instrumento. Entregaram-no a um Ximanganine que não queria acreditar no que lhe estava a acontecer. Ali mesmo, no programa “Compasso”, em directo para todo o auditório nacional, Ximanganine, acompanhado pela Banda RM, dedilhou como só ele é capaz, o Moda Xicavalu, em memória do seu Mestre Fany Mfhumo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Fio da Memória: a Rádio Moçambique vai lembrar Leite de Vasconcelos, um dos fundadodores deste programa há 20 anos

(LVasconcelos e António Fonseca (fundadores) e João de Sousa (realizador)

Leite de Vasconcelos deixou-nos há 33 anos. Foi a 29 de Janeiro de 1997. Um telefonema vindo dum hospital de Joanesburgo transportava a triste notícia do seu desaparecimento fisico, daquele que foi o primeiro responsável pela realização do programa “Fio da Memória” de parceria com Carlos Silva, na altura em que António Alves da Fonseca era Director Comercial desta Rádio.

Um programa da RM que completou os seus 20 anos de existência em Outubro de 2009.

O “Fio da Memória”, na sua edição do dia 24, domingo, não podia deixar de lembrar esse facto naquilo que é, no dizer de um dos seus realizadores, a “nossa singela homenagem ao homem e ao profissional. Homem de rádio e televisão. Jornalista e poeta”.

Serão transmitidos extractos da última entrevista que ele concedeu, e onde Leite de Vasconcelos, entre outras coisas, refere-se às suas vivências musicais. Às canções que tocou na Rádio, mas especialmente às canções que o regime da época não deixou que ele tocasse. Nessa entrevista, a ser reposto este domingo (24), ele recorda-nos que a sua paixão pela rádio, começou muito fora dos Estúdios.

O “Fio da Memória” é produzido por João de Sousa e Carlos Silva. É transmitido aos domingos na Antena Nacional a partir das 09.05 horas e pode ser escutado na Internet em "http://www.rm.co.mz".

sábado, 5 de setembro de 2009

Sandokan, inédito de Hugo Pratt, e adaptado para o Teatro na Rádio Moçambique, chegou às livrarias em França

Banda-desenhada foi encomendada ao autor no final dos anos 1960

Uma versão em banda desenhada de Sandokan, "O Tigre da Malásia", da autoria de Hugo Pratt, acaba de ser editada em França pela editora Casterman, meses após a publicação em Itália.

A banda desenhada foi encomendada a Hugo Pratt, no final dos anos 1960, pelo "Corriere dei Piccoli", um suplemento infantil do diário italiano "Corriere della Sera", mas manteve-se inédito até aos nossos dias provavelmente devido ao êxito de “Corto Maltese”, que o autor começou a desenvolver na mesma época, lê-se no site da editora francesa.

Sandokan, “O Tigre da Malásia”, foi muito popular em Moçambique nos finais da década de 70, quando a Rádio Moçambique decidiu passar a obra para o teatro radiofónico no programa “Cena Aberta”.

A saga foi adaptada por Gulamo Khan e Leite de Vasconcelos e realizada por Álvaro Belo Marques, Carlos Silva e António Scwhalback.

Teodósido Mbanze, hoje assessor jurídico da Rádio Moçambique, desempenhou o principal papel, “Sandokan”, enquanto Machado da Graça representou o de James Bruck, Santa Rita (hoje nos EUA) esteve no papel do “português” Eanes e Teresa Sá Nogueira, já falecida, era a bela e misteriosa jovem inglesa - Lady Mariana.

O “Cena Aberta” de Sandokan, “O Tigre da Malásia” da Rádio Moçambique, era transmitido todos os dias depois do noticiário das 21 com uma audiência tal que as ruas da cidade de Maputo ficavam desertas àquela hora para escutar as peripécias do príncipe malaio, inimigo dos ingleses.

Recorde-se que à época não existia em Moçambique nenhum canal de televisão, pelo que a Rádio era o único meio de comunicação acessível à quase totalidade dos moçambicanos. A televisão só viria a ser instalada em Moçambique em 1980, a TVExperimental, nas mãos do governo, com José Luís Cabaço à frente do projecto.

Já sem uma audiência por aí além, o “Cena Aberta” continua a ser transmitido na empresa moçambicana de radiodifusão pública, aos sábados, as 21 horas.

Gulamo Khan e Leite de Vasconcelos, já falecidos, Santa Rita e Machado da da Graça, foram jornalistas da Rádio Moçambique.

História de Sandokan

A história do “Tigre da Malásia” não foi alimentada por Pratt além de desenhos e pranchas dispersos, tendo sido posta de lado por volta de 1973, quando o "Corriere della Sera" se limitava a uma trintena de páginas. Esquecidas numa caixa na editora, as pranchas da história inacabada de Sandokan de Pratt foram finalmente redescobertas pelo jornalista Alfredo Castelli, 40 anos mais tarde, encontrando finalmente o caminho das livrarias. A editora italiana de Pratt, Rozzoli-Lizard, foi a primeira a publicar este trabalho, já em 2009.

A saga de Sandokan foi criada pelo escritor italiano Emilio Salgari (1862-1911) que lhe dedicou onze livros, uma obra clássica da literatura de aventuras. Os desenhos de Pratt contam o início da saga, situada em 1849 no mar da Malásia, a algumas milhas da costa ocidental do Bornéu. Na ilha selvagem de Mompracem assolada pela tempestade, encontra-se uma inquietante personagem: o príncipe malaio Sandokan, um temido pirata que os ingleses pretendem capturar e que é conhecido por Tigre da Malásia.

Uma personagem central é o aventureiro português Eanes, leal amigo de Sandokan. É ele quem fala ao pirata sobre uma jovem esplêndida com cabelos de ouro que mora em Labuan e cuja reputação de beleza se expandiu por toda a região.

Galvanizado pela descrição do seu amigo, Sandokan decide fazer-se ao mar rumo a Labuan, para contemplar com os próprios olhos a bela e misteriosa jovem - Lady Mariana - e para se vingar dos ingleses que assassinaram a sua família.

A existência do "Sandokan" de Hugo Pratt era referida no livro de Dominque Petitfaux "De l'autre côté de Corto", editado pela Casterman em 1996. Mas ninguém tinha visto esta história inacabada e inédita, adaptada em texto por Mino Milani a partir da obra de Salgari.

Hugo Pratt nasceu em Rimini (Itália) em Junho de 1927 e morreu em Grandvaux (Suíça) em Agosto de 1995. O mais conhecido herói de Pratt é Corto Maltese, cuja primeira aparição data de 1967, na revista Sgt.Kirk. O marinheiro romântico era então uma personagem secundária.(X)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

50 anos da Revolução Cubana em debate na Rádio Moçambique

Cuba é sinónimo de Revolução.
Desde 1 de Janeiro de 1959 que a maior ilha das Caraíbas é um marco incontornável para o resto do mundo.
E, precisamente 50 anos depois, a sua influência - apesar de diminuta - não desapareceu de todo.
Muitos de nós crescemos influenciados pela Revolução cubana, pelas façanhas e desventuras dos seus protagonistas.
Para alguns, a Revolução cubana significa uma história de heroísmo, de luta pela liberdade e contra o imperialismo.
Para outros, é justamente o contrário: um símbolo de ditadura e de opressão.
O que é certo é que Cuba desata paixões, e falar do que foi, do que é, e do que será a Revolução de Fidel Castro acaba por ser um verdadeiro desafio.
No próximo sábado, 18, vamos tentar explorar os 50 anos da Revolução cubana analisando os seus êxitos e futuro da Ilha.
O debate vai acontecer na Antena Nacional da Rádio Moçambique (FM 92.3) a partir das 09H05. O internauta pode participar quer através do telefone ou enviando antecipadamente as suas perguntas para este e-mail: eagmatos@gmail.com

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Clube dos Entas: Damião Experiência e Bruce Springsteen

O programa radiofónico “Clube dos Entas” da próxima quinta-feira,12, vai destacar duas figuras da música: Bruce Springsteen (CD – Working On A Dream” de 2008) e Damião Experiência (CD – “Planeta Lamma” de 1974.
Eu não conhecia o Damião e muito menos a sua música, algo estranha.

Afirma ele que Planeta Lamma é o destino final de todo o ser humano; que fica a sete palmos debaixo do chão, onde "não tem fulano, não tem sicrano", "pode ser barão, pode ser ladrão".
O álbum Planeta Lamma, foi gravado de forma precária, apenas com uma viola de uma corda, uma gaita presa ao pescoço e uma espécie de chocalho.
Como todos os seus discos posteriores, Planeta Lamma foi gravado, arranjado, prensado, embalado e vendido pelo próprio Damião.
São 34 discos, ao longo de 18 anos de carreira.
As suas músicas vão de berros e grunhidos a um total caos sonoro, passando por composições acústicas, rocks progressivos com um alto teor de improvisação e músicas instrumentais ao estilo Frank Zappa.
Nos seus discos podem ser encontradas pérolas como “se você não casar com uma mulher virgem, já é corno”, ou ainda “mamã não quer que eu seja homem; porque homem usa chifre na cabeça”.
Muito de mistérioso cerca a sua obra. O número exacto de discos que gravou nem ele próprio se recorda quantos são.
Após gravar o seu último disco, em 1992, Damião Experiencia impõe a si mesmo uma vida de reclusão. Vagueia pelas ruas de Ipanema, no Rio de Janeiro, a catar lixo e sucata, vende ou simplesmente distribui os discos que lhe restaram. Com frequência é confundido com um mendigo.

O “Clube dos Entas” pode ser ouvido todas as quintas (22H05) e segunda (02H05) em FM 92.3 ou no site www.rm.co.mz

sábado, 13 de dezembro de 2008

Ngoma 2008: "Felizminha", de Stewart, a mais popular

O músico Stewart Sukuma venceu o prêmio “Música Mais Popular” do Top “Ngoma Moçambique”, edição 2008, com o tema “Felizminha”.

Organizada anualmente pela Rádio Moçambique desde ha 21 anos, a parada desde ano concedeu os prêmios “Revelação” em femininos à jovem cantora Didácia da cidade da Beira (a segunda maior do país) com a canção Ndaneta, e em femininos ao cantor Deodato Niquice.

A veterana Júlia Mwito, com a sua composição “Pemba”, arrecadou o prêmio “Influências” e na categoria de”"Melhores vozes femininas e masculinas, o “Ngoma 2008 premiou a Jenny e a Inocêncio Matola.

Após escutar "Khuvu" de Stewart Sukuma e onde se encontra inserida a canção "Felizminha", escrevi duas análises-criticas sobre a obra.
Um excerto do que escrevi então: (Para mais, CLICK AQUI)
“Feslizminha, eu te gramo muito”, não sendo na nossa gíria uma afirmação amorosa por aí além, é, quanto a mim, a mais bonita e sublime declaração de amor que se pode fazer a uma moça. E eu, ainda moço, bem magricela e desengoçado, a sussurei bastas vezes aos ouvidos de beldades em esquinas nos bairros da Mafalala e Xipamanine, primeiro em Lourenço Marques (Maputo) e mais tarde em Cumilamba e Cariacó, em Porto Amélia, hoje Pemba. Elas, soltando timidamente risadinhas, “gramavam” a valer da declaração. E não é que “caíam” mesmo minha teia...
Ora, não é que hoje um dos nossos mais representativos compositores musicais, Stewart Sukuma, foi rebuscar aquela frase tão simples, tão terna, para muitos “ridícula”, para a cantar numa das suas mais bem apanhadas composições inseridas no que eu considero um dos melhores trabalhos musicais dos últimos tempos – “Khuvu”.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Rádio Moçambique: Memórias de um doce calvário

Para Silvestre Sechene, jurista, a leitura deste livro de autoria de Luís Loforte, “proporcionará aos que se interessam pelas matérias da radiodifusão, e não apenas a estes, a oportunidade de se informarem sobre a história recente da rádio, particularmente no período de transição de Rádio Clube de Moçambique para a actual Rádio Moçambique”.

Assim escreveu aquele jurista no prefácio daquela obra publicada em 2007.
Trata-se de uma incursão em que, cito de novo Sechene, “habilidoso, Luís Loforte, agacha-se na noite das memórias e oferece-nos o que podem ser considerados aspectos preciosos da história da radiodifusão em Moçambique”.

O livro, que recomendo vivamente aos radiófilos de todos os quadrantes, pode ser adquirido em algumas livrarias da cidade de Maputo – fora da capital não se conhecem livrarias – ao preço de 250,00 Meticais (Usd10).

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"Clube dos Entas": O multi-instrumentista Hermeto Pascoal

Hoje com 78 anos, este compositor e multi-instrumentista, mas também um grande contador de histórias, nasceu numa perdida aldeia de camponeses pobres. Diz-se que escapou do trabalho com a enxada por ser albino e não poder, por isso mesmo, ficar exposto ao sol.

Mas a vida de campo, os seus sons, terão certamente exercido nele um grande fascínio e influência na sua música.


Hermeto Pascoal conta que quando criança, na escola, os professores mandavam-lhe fabricar instrumentos com latas de marmelada. E terá sido de uma lata dessas que o nosso convidado de hoje terá construido o que chamou a sua primeira criação: "violãozinho".


“Quando as Aves Se Encontram, Nasceo Som”, é talvez um bom exemplo do que acabamos de dizer, uma faixa musical incluída no album "Festa dos Deuses", de 1992, a ser rodado na edição desta quinta-feira do "Clube dos Entas".

O seu primeiro parceiro na música foi o irmão mais velho, com quem tocava em nos chamados bailes de "pé-de-pau", realizados ao ar livre, sob as árvores, comuns naquela época. Os dois irmãos exibiam o seu talento em batizados e casamentos, suando “bom bocado” quando, às vezes, caminhavam um dia inteiro para chegar até o local do baile.


Em 1961, quando esteve nos Estados Unidos, Miles Davis, ao ouví-lo tocar os vários instrumentos, chamou-lhe de "Albino Louco".


O "Clube dos Entas" é transmitido na Antena Nacional da Rádio Moçambique, podendo ser escutado na frequência 92.3FM ou na internet: http://www.rm.co.mz/.


Quintas-feiras: 22H05
Segundas-feiras: 02H05 (reposição)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O nosso Cristovão Colombo, herói anónimo da epopeia libertadora do homem e da terra

Cristovão Colombo, sessenta e um anos, oito dos quais passados nas matas do Niassa e Cabo Delgado como guerrilheiro da Frelimo na luta pela independência nacional de Moçambique, é um antigo combatente.
Nasceu na Missão Católica de Muidumbe, em pleno plantalo de Mueda na ponta norte de Moçambique e hoje, aposentado do Ministério da Educação, reside com a família na vila fronteiriça da Namaacha, na ponta sul do país. Aqui é popularmente chamado por General Colombo, quando na verdade o seu cartão de identificação regista-o como Major.
Porquê então “General” Colombo?. Simples quanto o homem que o “promovera” se ter chamado Domingos Fondo, General de patência ajuramentado, infelizmente já falecido. Fondo, Comandamente Militar da Província de Inhambane nos dificeis anos da guerra, ficou impressionado com o amplo movimento de construção de abrigos nas escolas para a protecção dos alunos contra as investidas da Renamo. Posto ao corrente da paternidade daquela iniciativa, não exitou em patentear (está-se pois em período de guerra) o Colombo (o mentor da iniciativa) à categoria de General. Uma brincadeira que pegou até hoje. Aí temos então o “General” Cristovão Colombo, um “velho” gabarola que, pelas ruas pedregosas da Namaacha, se exibe com um pequeno bastão na mão e acenando “à militar” para todos os que o saudam.

Das matas da guerrilha a dirigente educacional

O nosso “General” adere à luta armada de libertação nacional dois anos depois do seu início, isto é, em 1966, na República da Tanzania. Tinha então 17 anos quando ingressa no Instituto Moçambicano (dirigido por Janet Modlane) em Dar-es-Salaam onde tem como professores, entre outros, Jacinto Veloso (General na Reserva e antigo membro do governo), Fernando Ganhão, um dos fundadores e primeiro reitor da Universidade Eduardo Mondlane, já falecido, e Eduardo Sebastião Koloma, hoje Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros.
O aluno Cristovão Colombo, mal sabia que um dos seus “teachers”, passados pouco mais de quarenta anos, viria a ocupar o mais alto cargo da nação: O Presidente da República Armando Guebuza.
Em 1968 o comando da guerrilha entendeu que o jovem Colombo já estava suficientemente “maduro” para as lides militares e decide enviá-lo para treino político-militar. A morte de Eduardo Mondlane, em fevereiro de 1969, surpreende-o no Centro de Nachingweia.
É “despachado” para o teatro da guerra no Niassa onde combate durante um ano sob as ordens do lendário comandante Romão Fernando Farinha, “movimentam-nos” depois para a frente de Cabo Delgado (em pleno “Nó Górdio”) onde permanece pouco tempo até que, suficientemente “bebido da realidade da guerra”, vai dar aulas no Centro Educacional de Tunduru na Tanzânia. Filipe Nhussi, o actual Ministro da Defesa, foi um dos seus alunos. Isto de 1970 até ao fim da guerra em setembro de 1974.
(Curiosidade: recolho esta trajectória de Cristovão Colombo em pleno jardim Tunduru na capital do país).

De camarada para Senhor Director

Após uma breve estada em Pemba durante o Governo de Transição, o nosso amigo é nomeado primeiro Director Provincial da Educação em Inhambane por Graça Machel, então Ministra do pelouro no primeiro governo de Moçambique independente.
Permanece no cargo por dois anos, durante os quais, para além de ter sido “patenteado” General por orientar a construção de abrigos militares nas escolas, conheceu, conviveu e dirigiu homens de várias origens e índoles, alguns dos quais são hoje renomados políticos, académicos e jornalistas. São os casos de Brazão Mazula (Ex-Reitor da UEM e primeiro presidente da CNEleições) a quem Colombo incubiu de dirigir o sector do ensino secundário; nomeou como directores distritais de educação dos distritos de Inhambane e Govuro, designadamente, Lourenço Hamela, pai de Hipólito Hamela, renomado economista, e Alberto Julai, hoje o jornalista mais velho da Rádio Moçambique.
É com orgulho que Cristovão Colombo desfia uma série de nomes de gente hoje importante que “passou pelas minhas mãos” como o de um grande jornalista da praça, Faustino Igreja de seu nome, hoje correspondente da Rádio Moçambique no Malawi. Faustino Igreja que dos bancos da Escola Emília Daússe em Inhambane, recebeu de Cristovão Colombo uma “guia de marcha” para ir cursar agricultura na Escola Básica Agrária do Chokwe, desertando depois para os bancos das redacções da Rádio pública.
Em 1984, o “General” Cristovão Colombo abandona orgulhosamente o campo de batalha por força das maleitas da idade.
Uma vida vivida plenamente por Colombo e que não é possível descrevê-la com todos os pormenores. Mas quem se interessar pela trajectória deste homem simples pode escutar uma entrevista feita por Maria Judite para o programa “Um Amigo, Uma Conversa” que vai para o ar no domingo, 25, as 20H00, com reposição na madruagada de quinta-feira, as 02H05. Escute no http://www.rm.co.mz/

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Jimmy Ndludlu é ou não um jazz-man?

A edição do programa radiofónico "Clube dos Entas" esta quinta-feira, 14, lança aos ouvintes a questão: "O Fusion é ou não Jazz?".
Conservadores consideram que não, mas os aficcionados do Fusion afirmam que sim.
Um ouvinte do programa diz, por exemplo, que o moçambicano Jimmy Dludlu não pode ser considerado um homem do jazz.
Eis um extracto do texto a ser lido no "Clube dos Entas".

"A verdade é que uns defendem que o Fusion nunca foi e nunca será jazz, chegando ao ponto de afirmar que compositores como Bob James, David Sanborn, Earl Klugh, só para citar alguns nomes, nem sequer são referenciados em catálogos prestigiados do Jazz. Por extensão, chegou-se ao ponto de afirmar que o nosso Jimmy Dludlu não pode ser considerado um jazz-man e que, no fundo, Dludlu não era mais do que uma imitação quase perfeita de George Benson quando este “traiu” o jazz e ingressou no Fusion".

O Programa "Clube dos Entas" vai para o ar todas as quintas-feira as 22H05 e é reposto nas segundas-feiras as 02H05, na Antena Nacional da Rádio Moçambique (FM 92.3.
Para o resto do mundo pode ser escutado no http://www.rm.co.mz/