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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Salimo Muhamad nos estúdios da RM: Afro, Rock, Blues, Jazz e Makwaela para os fãs

Por Edmundo Galiza Matos

Já lá vão quase quinze anos que Salimo Muhamad, não entrava nos estúdios na Rádio Moçambique para gravar. Nesta terça-feira, encontramo-lo a trabalhar, junto com o baterista Paito Tcheco, nos últimos acertos de um único tema dos muitos que possui, e cujo lançamento ainda não tem data acertada.

“Papaito Na Mamaita”, assim se chama a música, uma exaltação à importância da educação no seio do núcleo familiar, numa altura em que “muitos valores nobres que devem caracterizar uma sociedade civilizada” estão a ser relegados a favor de um modo de ser e estar baseado num consumismo desenfreado.

“Há muita baldice no seio da família, o que leva a que uma significativa parte da nossa sociedade esteja doente, carente de valores de respeito pelo outro e pelo alheio”, disse Salimo Muhamad, quando interrogado sobre a escolha desta temática para esta música ainda em fase de misturas.

Dono de temas emblemáticos na canção ligeira moçambicana como “Sambroeira Fandango”, “Bilibiza” e “Xantima Hi Bohlela”, Simeão Mazuze (seu nome verdadeiro) confessou que possui um reportório que daria para a edição de uma obra completa em CD, o que não vai acontecer tão já por falta de meios financeiros.

Aos 63 anos de idade, reconhece que começa a ficar tarde para a produção de um disco dos seus originais, sublinhando que os apelos dos fãs nesse sentido esbarram com o crónico problema da música moçambicana: dinheiro, essa mola propulsora que não é accionada por quem é capaz. Por outras palavras, ninguêm neste país investe na música. “Papaito Na Mamaita” está a ser gravado porque o editor musical da Rádio Moçambique, Domingos Macamo, entendeu que o artista estava há bastante tempo sem “Uma novidade”.

Naquele seu riso característico, o músico ainda hesitou quando quisemos saber o que teriamos em termos de género neste “Papaito Na Mamaita”, confidenciando-nos que se trata de uma mistura de Afro, Rock, Blues, Jazz e Makwaela, ou seja, “tudo o eu bebi desde a minha infância até no meu tempo de Bilibiza e Nampula".

Com Salimo Muhamad gravaram esta música Sima (Bateria), Paito Tcheco (Percursão), Chabuca (Viola Baixo), Carlos Fenias (Viola Solo), Ercílio Jordão (Teclados) e Belita (Coros).

sexta-feira, 25 de março de 2011

Hortêncio Langa: os 60 anos de um grande compositor que um dia foi tocador da Gaita-de-beços e de Xighoghogwani (*)

(Hortêncio Langa com os produtores do Clube dos Entas: Edmundo Galiza Matos e Luís Loforte)

"Um artista é normalmente uma pessoa que procura acrescentar alguma coisa a tudo o que foi feito; é alguém que procura entender-se a si próprio e entender o mundo através da arte que faz"

Estamos em crer que poucos recusarão a convicção que temos de que Hortêncio Langa se encaixa que nem uma luva na afirmação que acabámos de citar. E pelas mais variadas razões, e todas elas a concorrerem, hoje, 23, para justificar a circunstância de o homem e artista celebrar os seus 60 anos de vida e 41 de carreira.

Vinte e três de Março de 1951, Manjacaze, Gaza, nasce Hortêncio Ernesto Langa. Não o conhecemos pelas terras dos Khambanes, mas quem o acompanha desde os primórdios conta-nos que ele entra para as lides musicais pela via de uma tosca gaita-de-beiços que lhe foi oferecida aos 5 anos de idade. O instrumento cabia-lhe no bolso e assim podia transportá-lo para todo o lado e em todo o lado usá-lo para soprar as mais populares cantigas da época.

Aos 12 anos, já radicado no Chibuto, um pouco mais a Sul, Hortêncio funda, com Wazimbo e Miguel Matsinhe, seus amigos de infância, os Rebeldes do Ritmo, naquilo que foi a sua primeira experiência musical em grupo. Até aí, Hortêncio apenas soprava o realejo, ou eventualmente cantasse. Por essa altura, Hortêncio também se inicia na guitarra. Viola de lata, ou xighoghogwani, entenda-se. E inicia-se com quem? Com um outro amigo de infância, o José "Xidhakwa" Mukhavele, hoje, como o Hortêncio, um nome marcante no panorama musical de Moçambique.

A necessidade de continuar os estudos, uma vez concluída a quarta-classe, leva-o à terminal do Xitonhana,"Oliveiras", onde apanha o machimbombo que o conduz à então Lourenço Marques.

Seria em Lourenço Marques, já na segunda metade da década de 60, que haveríamos de conhecer o Hortêncio, mais conhecido por Tom Tan Kamik entre a rapaziada de Mimangueni, no Chamanculo. E diga-se de passagem que foi aliás no Chamanculo que travámos conhecimento com a larga maioria dos nomes que iriam corporizar uma importante fornada de artistas-referência da actual música ligeira moçambicana.

Por aquelas alturas, e agora para avivarmos a memória do Hortêncio e de outros, a maior parte dos potenciais artistas da música ligeira emergente em Moçambique frequentava dois espaços no bairro do Chamanculo: as varandas do Telinho e do Queiroz. O Hortêncio, mais na varanda do primeiro do que na do segundo. Ainda com Wazimbo e Miguel, este infelizmente já falecido, Hortêncio participa na reedição do trio de Chibuto, mudando-lhe porém a designação para The Geyser.

Sobre as denominações dos trios de Chibuto e de Lourenço Marques, não deixamos de manifestar alguma curiosidade. Se nos parece fácil relacionar a juventude com a rebeldia, isto por causa da denominação Os Rebeldes, ainda para mais para uma banda de rapazes vindos do Chibuto, já mais difícil será relacioná-la com um cilindro eléctrico para aquecer água. Mas deixemos isso para uma outra ocasião, mormente para daqui a 10 anos quando, com propriedade e legitimidade maiores, o Hortêncio poder dizer: Ni Tsendzelekile, andei por todo o lado!

Entretanto, as tendências musicais de então induzem uma mudança estrutural dos The Geyser. Entendem os seus mentores que o trio deveria evoluir para uma estrutura de supergrupo. Integram o Jaime Machatine, mais conhecido por Jaimito, que ingressa na banda como baterista. E se calhar ninguém imaginava que ali se escondesse um virtuoso viola-solo que se viria a revelar anos depois. Um Jaimito que nos dilacera as consciências vendo-o sem rumo nas imediações do Jardim Tunduru, defronte da nossa estação emissora, e deixando-nos mensagens pungentes que só o tempo, se alguém as conservar, ou anotar, as descodificará.

Dissemos atrás que Hortêncio e os seus The Geyser decidiram evoluir para aquilo a que na época se chamou de supergrupo. E o que é isso de supergrupo? Uma resposta a esta pergunta passará, necessariamente, por termos presente que a transformação dos The Geyser em supergrupo acontece em 1970, não sendo também por isso inocente tal circunstância. Foram sem dúvida os Ecos do Festival de Woodstock, um evento que deixou marcas em todo o mundo. E só isso explica o passo dado pelos The Geyser? Pode explicar, sim, mas exigindo melhor enquadramento.

Em 2010, quando assinalávamos neste espaço os 60 anos de vida de José Mukhavele, Hortêncio Langa revelou que o documentário sobre Woodstock provocou uma autêntica onda de choque nos músicos da capital, que lotavam a sala do Scala, em sessão da meia-noite em dia de estreia. Disse-nos Hortêncio:

"O Scala estava cheio de músicos. Depois da sessão, ficámos a conversar em grupos, até às 4 da madrugada, sobre aquilo que havíamos acabado de assistir. Ninguém saiu indiferente, fomos para as nossas casas com a certeza de que algo mudaria nas nossas carreiras.”

Momento marcante do Festival de Woodstock, isto no segundo dos três dias do evento, foi quando o trio formado por David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash evoluiu para quarteto, integrando Neil Young. Isso foi anunciado em público e em público Neil Young assumiu o seu lugar no palco ao lado dos novos companheiros. Foi um autêntico delírio! Disse-se também na altura que isso significou a passagem de trio para uma estrutura de supergrupo. Fica assim claro, portanto, que supergrupo não significa, necessariamente, um elevado número de componentes. Para isso estava o termo big band, mais dado a grupos de Jazz. Era supergrupo porque o quarteto integrava elementos com nome feito, embora, posteriormente, tivessem visto a sua cotação subir após aquele acto público.

Portanto, o conceito de supergrupo nasceu no final dos anos 60 do século passado, e era normalmente usado para designar uma banda emergente formada por nomes famosos a solo, ou provindo de bandas famosas. A curta duração foi quase uma característica comum dos supergrupos, normalmente formados para a produção de um, no máximo dois álbuns, e invariavelmente de elevadíssima qualidade. Além dos Crosby, Stills, Nash and Young de que falámos, outros supergrupos perfilam na História da música ligeira internacional. Citamos apenas os mais conhecidos entre nós: Emerson, Like and Palmer, Beatles, Pink Floyd, Queen, Genesis, Yes. E, já agora, os The Geyser!

Polémica à parte, foram os Cream que vieram a ser considerados o primeiro supergrupo da História, o qual teve na sua composição nomes como os de Eric Clapton, Steve Winwood, Jeff Back, Ginger Baker e Jimmy Page. Todos eles famosos, ou antes ou a posteriori. Um dia voltaremos a esta matéria com mais propriedade e num programa específico. E tudo porque hoje falamos de Hortêncio Langa. E para continuarmos a saga e dizer que para nós, quaisquer que tenham sido as linhas com que se vieram a coser os The Geyser na sua conversão para supergrupo, a verdade é que Hortêncio Langa se inspirou também nos Crosby, Stills, Nash and Young, com a honra de ter injectado elementos musicais da sua terra naquele tipo de música, feito de guitarra acústica e combinação de vozes fora do comum. E para isso secundado por nomes como os de João Cabaço e Arão Litsuri, como veremos lá mais para o fim.

Entretanto, e ao mesmo tempo que trabalha nos The Geyser, Hortêncio Langa inscreve-se na tuna universitária de Lourenço Marques, mais concretamente na tuna da Associação Académica de Lourenço Marques, onde toca viola e bandolim. Não só por esta incursão pelos meios académicos do cimento, mas sobretudo pela influência determinante do que vira de Woodstock, Hortêncio Langa foi, e continua a ser, para nós, um músico de pouca instrumentação, de duetos e de trios, mais dado ao acústico, do que, propriamente, a grandes bandas. Pode ser que nos enganemos, mas esta é a nossa convicção, convicção fundada no que lhe temos escutado ao longo dos anos. Tire o ouvinte as suas conclusões escutando as bonitas vozes de Hortêncio Langa e Arão Litsuri, um tudo ou nada à imagem do que lhe apontámos de Woodstock.

Depois de um hiato mais ou menos considerável, voltamos a cruzar-nos com Hortêncio Langa em Nampula, no ano de 1973, andava ele de verde-azeitona vestido e ao serviço do exército português. Expressão do seu eclectismo musical, ele faz parte de dois projectos musicais, o Grupo Alta Dimensão, e às vezes tocando com o lendário saxofonista moçambicano Chico da Conceição, como daquela vez que o vimos tocar num baile em Namialo. O Grupo 2 que integrava Eduardo Samalam, a viola-ritmo, Issufo Mussagy, na bateria, Samuel Chambe, na viola-baixo, Papaia, a vocalista, e Luís Betencourt nos teclados. E, já agora, António Marques (sim, o nosso homem das corridas de carros), no papel de apresentador. O grupo Alta Dimensão era mais curto, mais apropriado às características de Hortêncio Langa: João Paulo, que alternava actuações com Os Monstros, Mário Viegas, ao piano, José Rodrigues, a viola-baixo, e Necas na bateria.

De regresso a Lourenço marques, concluído o serviço militar, Hortêncio Langa cria, em 1974, com Jaimito, Zeca Tcheco, Billy Cuca, Milagre Langa (seu irmão) e Pedro Khumaio, a banda de afro-rock Monomotapa. Quem acompanhou com atenção a obra dos Monomotapa sabe que eles terão sido os principais precursores de uma nova inflexão que se imprimiu à marrabenta e magikha, uma acção que aconteceu entre 1974 e 1977. E se dúvidas houver... está aí o instrumental Magikha experimental!

E agora uma pausa ao discurso cronológico para dois momentos importantes: o primeiro, para desfazermos equívocos, e o segundo para um momento histórico e honroso para o Clube dos Entas. Comecemos com uma pergunta: quem é o autor do tema Xibomba xa ROMOS?

Nos anos 80, tivemos a honra de fazer parte de uma expedição cultural da Rádio Moçambique que se deslocou à cidade de Inhambane. O Grupo RM estendeu o seu elenco integrando nomes como os de Fany Mpfumu, Astra Harris, Billy Cuca, Hortêncio Langa, entre outros. O autocarro com que nos fazíamos transportar fora alugado à ROMOS, Rodoviária Moçambique – Sul. Teve muitas avarias e muitas foram as horas que consumimos até chegarmos à Terra da Boa Gente. O consolo para os massacrados expedicionários era o facto de a comitiva integrar músicos que, enquanto o autocarro era reiteradamente consertado, dedilhavam as suas guitarras ou cantavam alguns versos das suas canções. Até que, provavelmente em Zavala, com o cansaço no auge, e quando todos dormíamos, do fundo do machimbombo nos começou a chegar o som de uma guitarra tocada com paixão.

Todos nos quedámos no silêncio e embalados por aqueles langores de guitarra acústica provindos de mãos hábeis, embora desconhecidas para a maioria de nós. Hortêncio Langa sabia quem estava a dedilhar a guitarra. Sabia que era o Zé, que só podia ser o Zé Mukhavele. Improvisou a lírica, e toda ela adaptada às circunstâncias de uma viagem atribulada, embora com os seus encantos. A banana e a laranja na Manhiça, o arroz e a batata-doce em Xai-Xai, o ananás e a mandioca em Chissico, e, finalmente, o alvo do destino, o coco e a sura. É isso: “deixem de chorar que o machimbombo da ROMOS vos levará ao destino, ao destino do coco e da sura…”.

Primeiros intérpretes: uma delegação cultural de mais de 50 pessoas, entre músicos e desportistas e sob a bandeira da Rádio Moçambique.

Depois de um grande projecto que foi a banda Monomotapa, e isto para retomar o fio à meada, Hortêncio Langa teve uma curta carreira a solo, para depois formar um duo com Arão Litsuri, com o qual, aliás, iria conhecer o seu baptismo internacional, em 1979, quando se desloca a Cuba, Jamaica e Guiana, pouco depois da visita de Samora Machel àqueles países. Com a integração de João Cabaço, sem dúvida uma das melhores vozes de Moçambique, o duo passou a trio, para nós o projecto mais bem conseguido de Hortêncio Langa. Nesse mesmo ano, o trio é convidado a participar do Festival de Neubrandenburg, na então República Democrática Alemã. Da participação resultou um álbum de grande valor histórico e cultural para o nosso país, aqui recordado pelo Clube dos Entas nos seus temas mais significativos. Mas antes, uma sugestão: não só pelo seu valor musical, mas também pelo simbolismo que ele representa, este álbum deveria merecer um tratamento especial por parte do Ministério da Cultura, nomeadamente reeditando-o em suporte digital.

(*) – Viola feita de Lata de Azeite de 5 Lts

Texto da autoria de Luís Loforte para o Programa Clube dos Entas da Rádio Moçambique transmitido no dia 24/03/2011

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Música tradicional moçambicana: “Timbila ta Venâncio”: Testemunho e consagração do icone da timbila

In Cadernos Culturais (jornal Notícias), 26/05/2010

A Música chopi, figurada na timbila, registou esta semana mais um momento alto da sua secular história. O seu ícone, Venâncio Mbande, aos 80 anos de idade, lançou segunda-feira (21 de Maio, Dia Mundial da Diversidade Cultural), em Maputo, o seu primeiro disco compacto, com o título génerico “Timbila Ta Venâncio – Ao vivo no Teatro África”.

Trata-se de uma obra prima que em si encerra a dimensão de Venâncio Mbande, enquanto músico e precursor deste instrumento tradicional que da província de Inhambane, sul de Moçambique, granjeou simpatia em todo o mundo e hoje é Património Oral e Imaterial da Humanidade.

O disco, com um total de onze faixas que retratam musicalmente a vivência e sonhos de Venâncio Mbande, é assumido desde já como a sua maior consagração.

Conta-se que este não é o primeiro registo discográfico. Logo após o seu regresso ao país e com base num estúdio móvel de 24 pistas, o músico e produtor finlandês Eero Koivistoin registou na casa do próprio Venâncio Mbande, a primeira obra intitulada “Timbila Ta Venâncio”, a qual foi editada pela NAXOS WORLD.

São escassas as informações sobre a circulação deste disco no mercado, entretanto, o que se afirma é que a NAXOS não produz para fins comerciais, mas sim funciona como depositária dos maiores clássicos do mundo.

Sob influência do seu tio e outros familiares, Venâncio Mbande aprendeu a tocar timbila aos 6 anos de idade e aos 18 anos, emigrou para África do Sul para trabalhar nas minas de Ouro. Foi neste país que em 1956, criou a sua própria orquestra e começou a compor as suas próprias músicas, começando assim, a sua grande ascensão como um dos maiores mestres de música Chopi.

Foi ainda a partir da vizinha África do Sul que Venâncio Mbande catapulta a música Chopi para os vários quadrantes do globo, particularmente depois do lançamento em 1948 do livro “Chopi Musicians”, escrito pelo etnomusicólogo Hugh Tracey. Diz-se que o livro contribuiu bastante para o reconhecimento internacional da música Chopi.

Mas foi com o apoio do professor de etnomusicologia Andrew Tracey, filho de Hugh Tracey que Venâncio Mbande se tornou no maior mestre de timbila conhecido no mundo, tendo actuado em muitas cidades importantes da Europa, e a sua música ou filmes, constam dos arquivos das mais importantes bibliotecas e arquivos espalhados pelo mundo inteiro.

Entretanto, o disco “Timbila Ta Venâncio – Ao vivo no Teatro África”, produzido sob a chancela da editora nacional “Ekaya Productions”, liderada por João Carlos Schwalbach”, surge no âmbito das celebrações dos seus 30 anos da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) e foi igualmente associado ao Festival Aldeia Cultural que decorre desde a última sexta-feira, na capital do país.

É forma de reconhecimento e homenagem da CNCD àqueles que com o seu talento e criatividade contribuíram para o desenvolvimento da cultura, criando um ambiente favorável para a prática e massificação das actividades culturais.

Conforme disse David Abílio, director geral da CNCD, entre essas figuras, destaque vai para o Venâncio Mbande, considerado o maior ícone de timbila. “Nós somos testemunhos disto. Nas nossas viagens, pelo mundo fora por curiosidade, visitamos bibliotecas e arquivos especializados em música e dança, para sabermos que informação dispunham de África e em particular de Moçambique. E encontramos com surpresa e satisfação, músicas gravadas e imagens de Venâncio Mbande, as vezes como a única referência de Moçambique”, anotou David Abílio, afirmando que prova maior da presença universal de Mbande foi a proclamação de Timbila pela UNESCO em 2005 como Obra Prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade.

O Primeiro-Ministro moçambicano, Aires Ali presente na cerimónia oficial do lançamento do disco, apelou a dado passado do seu discurso, a união de esforços para que haja mais registo de obras de Venâncio Mbande, não só sob forma de disco, mas também de filme.

É interesse que a obra daquele ícone de timbila seja cada vez mais difundida e que sirva de bandeira da moçambicanidade. Aliás, Aires Ali disse que nas suas visitas de trabalho quer dentro ou for a do país, vai lever sempre consigo o disco de Venâncio Mbande.

De referir que depois da cerimónia oficial de lançamento do disco nas instalações do Centro Cultural Franco Moçambicano, Venâncio Mbande e a sua orquestra constituída foi 20 elementos, fizeram-se ao palco principal da “Aldeia Cultural” para apresentação ao grande público do novo álbum “Made in Mozambique”.

Indica-se que além da CNCD, da Ekaya Productions, o disco foi registado e produzido com o patrocínio da MOZAL, contou com o apoio da UNESCO e do Centro Cultural Franco Moçambicano.

Entretanto, o disco “Timbila Ta Venâncio – Ao vivo no Teatro África”, produzido sob a chancela da editora nacional “Ekaya Productions”, liderada por João Carlos Schwalbach”, surge no âmbito das celebrações dos seus 30 anos da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) e foi igualmente associado ao Festival Aldeia Cultural que decorre desde a última sexta-feira, na capital do país.

É forma de reconhecimento e homenagem da CNCD àqueles que com o seu talento e criatividade contribuíram para o desenvolvimento da cultura, criando um ambiente favorável para a prática e massificação das actividades culturais.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nanando: a música moçambicana perdeu mais um dos melhores executantes

Morreu na noite de terça-feira (2), vítima de doença, o conceituado guitarrista moçambicano Nanando. Luís Henrique Wilson, de seu nome completo, perdeu a vida no Instituto do Coração, em Maputo, onde se encontrava internado desde quinta-feira, data em que deu entrada queixando-se de fortes dores de cabeça.

Entretanto, os restos mortais de Nanando vão hoje(4) a enterrar, observando-se antes uma missa de corpo presente às 11.30 horas na sede da Associação dos Músicos Moçambicanos e o funeral será as 14.00 horas, no Cemitério da Lhanguene, na cidade de Maputo.

Os médicos diagnosticaram-lhe uma doença grave, entretanto não revelada. Sabe-se, porém, que na noite de terça-feira Nanando teve uma paragem cardíaca e que os médicos ainda tentaram reanimá-lo, mas debalde, acabando por sucumbir à doença.

Duas semanas antes de dar entrada no hospital o guitarrista perdera uma das suas filhas, de nome Luisinha, mas os médicos avançam que a morte da filha pouco ou nada tem a ver com a deterioração do seu estado saúde que acabaria lhe retirando a vida.

Excelente executante de afro-jazz, Nanando fez da marrabenta a sua bandeira artística, tendo integrado bandas como Hokolokwè e Franze Bappa.

Chegou a fazer parte do agrupamento Ghorwane, para além de ter trabalhado muitos anos na África do Sul e na Suazilândia. Depois da desintegração de Hokolokwè, Nanando fundou, com outros elementos, a banda Ngalanga. Mais recentemente Nanando trabalhava num projecto musical que leva o seu nome: Nanando Project. Realizou igualmente vários concertos musicais, sendo que num dos quais contou com a participação do agrupamento Majescoral.

Nascido no Bairro de Chamanculo, cidade de Maputo, a 1 de Abril de 1960, onde aprendeu a dar os seus primeiros toques na guitarra, muito inspirado por Jaimito Mahlatine, Nanando é considerado professor de guitarra de Jimmy Dludlu, em virtude de ter sido ele que lhe iniciou nesta área. Faz parte de uma geração de artistas de ouro do nosso país, tendo sido uma das faces mais visíveis dos concertos que os músicos moçambicanos realizam nas casas de pasto, onde a música de fusão é o prato mais forte.

Nanando conseguiu igualmente fazer a fusão do estilo tradicional ximandje-mandje com o jazz e a marrabenta.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Clube dos Entas: uma incursão pela música de Moçambique nos anos 50, 60 e 70

No último programa foi mote para percorrermos, emocionalmente, o caminho seguido pela canção ligeira de Moçambique até à eclosão das primeiras discográficas no país. E não se pense que tenhamos querido dizer com isso que não existissem registos musicais de artistas moçambicanos aqui radicados. São significativas as captações feitas pelo então «Rádio Clube de Moçambique» e, embora não economicamente viáveis, esses registos têm, porém, um valor histórico e cultural incomensurável que o país só tinha muito a ganhar se os editasse em novos e modernos suportes.

Na edição de quinta-feira, 28, vamos prová-lo revisitando-os nos cinquenta e cinco minutos do programa, colocando igualmente a seguinte questão: que caminhos terão percorrido os músicos moçambicanos aqui radicados até saírem do anonimato e serem considerados atractivos aos olhos do mercado do disco? Ou talvez perguntar assim: a partir de que realidade socio-cultural os empresários da especialidade começaram a sentir que havia algo a explorar na canção nacional?

Iremos rodar por exemplo, uma canção captada em 1963 num programa através do qual o «Rádio Clube» pretendeu divulgar aquilo a que, obedecendo aos ditames da colonização mental e psicológica, teimava em chamar de folclore indígena, um eufemismo de linguagem que serviu para classificar a nossa canção como uma realidade puramente contemplativa e sem perfil para atrair o mercado do disco.

Convenhamos que não é fácil aceitar que alguém ache destituída de sentido uma canção que, e tal como acontece em qualquer parte do mundo, os seus intérpretes saúdam a chuva que irrigou a terra em abundância e rejubilam por uma colheita igualmente abundante que se prenuncia, no caso do amendoim – a mazumana. Mas já a linguagem se atenua quando Sidónio Mabombo, solista do grupo coral do «Centro Associativo», se predispõe a interpretar canções tipicamente portuguesas. Mesmo assim, não se coíbe de dizer que o faz num “esforço de linguagem”.

Sintonize o “Clube dos Entas”, quinta-feira, 28, a partir das 22H05, com reposição segunda-feira seguinte as 02H05 da madrugada na frequência 92.3 FM ou no sítio www.rm.co.mz, Antena Nacional da Rádio Moçambique.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Stewart Sukuma no Festival de Jazz da cidade do Cabo

O compositor e intérprete moçambicano, Stewart Sukuma, vai actuar na próxima edição do Festival Internacional de Jazz da Cidade do Cabo, que anualmente se realiza no último fim de semana de março naquela cidade sul-africana.

Os organizadores do evento, a crer no jornal “Notícias” da capital moçambicana, terão visto em Stewart um músico de grandeza suficiente para tomar parte num evento daquela envergadura, onde também desfilam nomes destacados do jazz internacional – e de ritmos enquadráveis, como os explorados pelo músico moçambicano.

Os produtores do festival do Cabo apreciaram também a performance de Stewart Sukuma durante a primeira edição do Moçambique Jazz Festival, realizado no ano passado na cidade da Matola, arredores da capital moçambicana.

Em 2008, Stewart fez vários espectáculos, na maioria virados para a promoção do seu disco “Nkuvu”, editado em 2007.

Num nível mais particular, 2008 foi fabuloso para Stewart porque foi capaz de concentrar em si toda a popularidade que podia ser dedicada a um só músico. A sua cação “Fesliminha”, do disco “Nkuvu”, destacou-se como a mais preferida dos ouvintes da Rádio Moçambique, que a escolheram para o prêmio Canção Mais Popular do ano no Top Ngoma, a principal parada musical do país.