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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Jogos Africanos’2011: Culinária e música angolanas no restaurante “Onzo Yetu” na cidade de Maputo

(Empresário angolano, João Silva, traz os sabores de Angola para os Jogos Africanos de Maputo)

Os participantes nos décimos jogos panafricanos, que sábado são inaugurados em Maputo, terão a sua disposição a diversidade da culinária angolana, num restaurante que funcionará 24 horas ao dia e também vai oferecer pratos estrangeiros.

A informação foi prestada pelo empresário angolano do ramo de Catering João Silva, proprietário do espaço, em entrevista à Angop antes de viajar para a capital de Moçambique, que acrescentou que vão também conjugar este serviço com a parte cultural, através da realização de galas e música ao vivo com a comitiva cultural nacional.

A estrutura de restauração tem uma sala climatizada com capacidade para 60 pessoas e uma esplanada para 300 sentadas ou 600 (em pé).

De acordo com o empresário que já prestou este tipo de serviço em outras participações desportivas do país, nomeadamente o campeonato do mundo de futebol na Alemanha em 2006 e os Jogos da CPLP em Maputo, informou que, pela diversidade de países que estarão presentes, vai abrir a sua cozinha a pratos moçambicanos e da região ou outras origens, devendo para tal contar com “chefes” locais.

Entre as novidades, anunciou a intenção de, tirando proveito da riqueza em frutos de Moçambique, criar pratos angolanos misturados com de outras origens. Idealizou um “fuji” de lagosta, ou caldo de lagosta, ou ainda a adaptação da kizaca ao Matapa (que é a mesma coisa mas preparada de forma diferente).

João Silva, um antigo agente activo do desporto, nomeadamente na Federação Angolana de Basquetebol e no 1º de Agosto, assegurou também que será oferecido todos os domingos um “Muzongué” (caldo de peixe, prato tradicional em diversas regiões de Angola).

O espaço denominado “onzo Yetu” (A Nossa Casa em língua nacional) , localiza-se nos arredores do principal pavilhão dos jogos, e conta com cozinheiros idos de Angola tal como os produtos com que serão confeccionados os pratos. Terá um serviço permanente de bar, além de galas, cocktails.

Angola participa nos jogos panafricanos com uma delegação de 260 elementos, entre atletas, oficiais e técnicos, devendo disputar 17 modalidades.

Samora Machel na Praça da Independência

A estátua do primeiro presidente da República de Moçambique, Samora Machel, via ocupar o espaço central da Praça da Independência na cidade de Maputo. A transferência está enquadrada nas comemorações de 2011 - Ano Samora Machel, assinalando os 25 Anos da sua morte.

As obras para a colocação daquele monumento estão bastante avançadas, devendo estar concluidas até ao próximo dia 19 de outubro, data em que o estadista moçambicano perdeu a vida num acidente de aviação em Mbuzini, uma localidade da Africa do Sul, em 1986.

A estátua estará ali a título provisório, pelo menos até à conclusão de toda uma série de obras inseridas no plano de requalificação da Praça da Independência.

O monumento foi erguido defronte de uma das entradas do Jardim Tunduro, na Avenida Samora Machel, que inicia na Praça da Indendência e termina no Porto de Pesca da capital moçambicana.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A vida na "Terra do Lixo" captada pelo fotográfo José Ferreira

Por Emily Wither, CNN

Para algumas pessoas que vivem na cidade de Maputo, o lixo dos outros é o ganho pão para a sua sobrevivência.

O conceituado fotográfo português José Ferreira, residente em Maputo, viajou para as profundezas da Lixeira de Hulene, onde capturou a crua realidade da vida na “Terra do Lixo”.

Ferreira diz que o que mais o impressionou foi que, apesar das dificuldades, descobriu as “melhores pessoas” que jamais conheceu.

“Apesar de todas as circunstâncias em que vivem, continuam a mostar a sua amabilidade, felicidade e hospitalidade”, comentou. “Não encontramos estas qualidades humanas em muitos lugares do mundo”.

Ferreira explica que conheceu dois tipos de pessoas naquela lixeira: os indigentes e os “recolectores de lixo”. “Muitos dos que ali vivem dependem do lixo para sobreviver, alguns procuram comida e outros diferentes tipos de materiais para reciclar e que vendem em fábricas”, acrescentou.

“O dinheiro que eles ganham por tudo o que apanham não é suficiente, mas é alguma coisa e por isso, continuam ali para recolectar mais lixo para voltar a vender”.

Alguns relatórios estimam que o número de habitantes da Lixeira do Hulene ronda os 700. A lixeira está situada numa zona densamente povoada e cobre uma área de 17 hectares. É a única destinada a detritos sólidos em Maputo, uma cidade com mais de um milhão de habitantes. Os montes de lixo alcançam uma altura de 15 metros, de acordo com um relatório do Conselho Municipal de Maputo.

Ferreira diz que não tem uma fotografía favorita. Mas há uma imagem que afirma ter sido a mais difícil de fotografar.

“A mais difícil de presenciar foi quando duas mulheres estavam a comer a cabeça crua de um cão morto já a apodrecer”.

Há muito que a lixeira foi destinada a encerrar, mas até agora permanece aberta.

Depois de passar algum tempo em Hulene, Ferreira diz que “o maior erro que as pessoas podem cometer é pensar que não há lugar para a vergonha para aqueles que são forçados a viver do lixo dos outros”.

"É uma vergonha muito mais legítima do que qualquer outra porque para a maioria deles nunca houve uma escolha", disse ele.

Para Ferreira, as suas experiências tê-lo-ào ensinado a apreciar mais a vida.

"A vida que perdemos todos os dias, porque queremos uma vida melhor, ou porque nunca estamos satisfeitos com ela, é a vida que muitos desejam e por ela suspiram e dão tudo por tê-la".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Moçambique: Distúrbios em Maputo. Três mortos e vários feridos

Protestos contra agravamento dos preços dos produtos básicos, pão, água e energia

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Três mortos no Bairro do Benfica e várias dezenas de feridos que deram entrada no Hospital Geral José Macamo é o saldo preliminar dos distúrbios populares que estão a caracterizar as cidades de Maputo e Matola, em Moçambique, em protesto contra o agravamento dos preços de energia, água, pão e outros bens de consumo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Jaimito: Um louco ou o homem que devia ter nascido amanhã?


Numa dos muros da vedação do jardim botânico Tunduru, mesmo defronte do edifício-sede da Rádio Moçambique, em Maputo, estão expostos em papel normal ou cartolina, algumas reflexões, em texto, de um homem que chama a atenção de todo o transeunte da zona, mais precisamente da Rua da Rádio. Estes escritos são de autoria de Jaime Machatine, mais conhecido por Jaimito, seu nome artístico.

Não estão registados em algum caderno ou simples bloco de notas e muito menos em livro, mas estão disponíveis para quem os quiser consultar, interessado em conhecer e compreender o que aquele homem, que um dia foi considerado um dos melhores guitarristas moçambicanos no seu tempo, pensa de si e da sua vida e dos que o rodeiam.

“Os escritos do Jaimito”, assim me atrevo a chamá-los, podem ser entendidos como sendo fragmentos do pensamento do seu autor sobre os mais díspares assuntos, que vão da música ao cinema, passando pela literatura e religião, que é o que ele mais gosta de dissertar nas suas notas e em conversa com aqueles que o conhecem.

Um outro assunto sobre o qual ele escreve tem a ver com a sua longa e misteriosa permanência fora de Moçambique e sobre a qual os pormenores são escassos e dispersos e deles o Jaimito jamais se refere.

São também escassas referências a pessoas ou instituições com quem se relacionou no período em que permaneceu fora do seu pais, embora, numa conversa corriqueira das muitas que tenho mantido com ele quando juntos tomamos uma “Bica” de café, se tenha referido “a minha mulher” a propósito de uma das obras musicais de Joni Mitchel, cantora canadiana, versátil, que disse apreciar particularmente. Disse-me que tanto ele como aquela a sua companheira – de nacionalidade americana – partilhavam a mesma opinião sobre Mitchel, recordando até “compramos um LP” com uma foto da cantora sentada numa pedra nas margens de um lago ou riacho envolto numa paisagem tipicamente da América do Norte.

Num dia particularmente diferente dos demais Jaimito “soltou” um pouco a língua, talvez porque acabara de lhe oferecer uma cassete contendo a gravação do álbum “Thick As A Break” dos Jethro Tull, que me pedira havia muito tempo. Interessante como ficou agitadissímo quando comprovou no seu mal-tratado gravador o teor da gravação, que disse ter reconhecido logo de imediato ao ouvir os acordes da guitarra acústica iniciais da obra. Educadamente confidenciou-me que da banda liderada por Ian Anderson tinha particularmente preferência pela obra “ Benefit”, lançada dois anos (1970) antes dos Jethro Tull terem gravado o épico poema do pequeno Gerald (Little Milton) Bostock.

Apenas para se aferir dos conhecimentos que Jaimito tem da música, é interessante a sua surpresa quando lhe informei que uma das últimas obras discográficas de Joni Mitchel que me chegaram as mãos tinha a ver com uma parceria entre a cantora e Charles Mingus, que este nunca viria a conhecer porque morrera uns dias antes da sua edição. Jaimito ficou extremamente interessado nos pormenores daquela que lhe parecera uma “estranha” mas ao mesmo tempo agradável colaboração entre uma assumida cantora folk e um jazzman esquizofrénico como o era Mingus. Fez-me prometer-lhe uma cassete com o registo da obra, tal era o seu interesse em ouvir que sonoridades Joni Mitchel e Charles Mingus poderiam produzir e oferecer que pudessem agradar aos seus fãs divididos quanto aos géneros.

Pois então, contou que viveu 16 anos nos Estados Unidos, após dois ou três anos de permanência em Portugal. Em Lisboa e no Algarve, o guitarrista terá tocado em clubes nocturnos, com moçambicanos, angolanos e cabo-verdianos, nomeando Bana como tendo sido um deles. Não se recorda de alguma vez ter trabalhado com o Fu, um reputado baterista moçambicano radicado há vários anos em Portugal, muito conhecido nos meios musicais no Algarve.

Disse que com um certo Mitó Dickson (com quem se conhecera ainda em Moçambique) fez algumas gravações de músicas de autores moçambicanos, entre os quais de Wazimbo. Desconhece o paradeiro desses registos mas diz ter uma vaga ideia de que terão sido editados em disco pelo Mitó Dickson.

Em Portugal terá conhecido a “minha mulher”, americana, que entretanto engravidara. A filha de ambos, gerada naquele pais europeu, viria a nascer em 1982 nos Estados Unidos, por vontade expressa da mãe. Zara Jaime Machatine assim se chama a filha de Jaimito, tendo hoje 28 anos de idade. O que fazia e de que vivia Jaimito nos Estados Unidos tal continua envolto num mistério, sendo certo porém que foi naquele país onde todos os seus problemas actuais tiveram origem. Sabe-se apenas que dez dos dezasseis anos nos EUA foram vividos em cadeias e estabelecimentos psiquiátricos a mando dos tribunais, onde, como ele próprio me confidenciou, passou por experiências terríveis e conheceu gente da “pior espécie”.

É de supor que Jaimito, guitarrista dotado acima do normal para os padrões de Moçambique e Portugal, não tenha singrado em terras americanas onde o mercado musical é certamente mais exigente e bastante concorrido. Sem trabalho e sem meios para uma vida desafogada e independente, terá então ficado na dependência da mulher, situação que, acredito, se lhe tornou insuportável e geradora de conflitos com a parceira, a quem, diz-se, terá violentado por diversas ocasiões. O seu caso – e continuo nas meras suposições – terá sido comunicado as autoridades judiciais que não se fizeram de rogado perante um “estranja”.

A mais recente informação dá conta que, depois de várias anos de encarceramento em penitenciárias, a sua nacionalidade e a língua portuguesa, terão criado um natural interesse e simpatia de um psiquiatra americano de origem cubana. Tornaram-se amigos de longas e proveitosas conversas, o suficiente para o especialista caribenho lhe propor duas alternativas para solucionar o embróglio em que Jaimito se encontrava amarrado: ir viver para Cuba ou ... regressar ao seu país.

O nosso guitarrista não hesitou: acompanhado por dois “gorilas” do FBI, voou dos EUA, com escala em Johanesburgo, até Maputo, onde foi entregue às autoridades moçambicanas.

De um dia para outro, ei-lo que encontra na Rádio Moçambique a sua casa e galeria de exposição dos seus textos “filosóficos”. Os escritos estão sobre papel A4 normal mas, na falta deste, o autor fa-los em pedaços de cartões de embalagem de produtos alimentares ou bebidas, material fornecido por amigos e conhecidos, ou que ele próprio recolhe na rua ou nos cestos de lixo.

O lugar onde ele escreve as suas notas não podia ser mais inspirador para o Jaimito: num local público bastante concorrido por homens e mulheres das mais diversas profissões, a maior parte deles ligados a música e destes, alguns antigos membros de bandas que ele integrou antes de “dar o fora” de Moçambique.

É no Centro Social da Rádio Moçambique onde preenche os seus dias, toma as refeições que lhe são oferecidas e dorme ou passa a noite numa das entradas daquela rádio pública. Todos os que por ali passam já se habituaram a vê-lo acocorado ou sentado a escrever as suas notas, compenetrado no que faz, aparentemente alheado do rebuliço da estrada.

O local tem todas as condições para que o Jamito se inspire para o que vai escrevendo, pois para além de se encontrar e conversar com os que foram seus amigos de outrora, testemunha como ninguém os mais diversos comportamentos dos frequentadores do estabelecimento.

De madrugada, contam os homens que velam pela segurança do centro, Jaimito entrega-se normalmente a tarefa de “publicar” os seus pensamentos, pregando-os numa frondosa árvore plantada no jardim dos serviços administrativos da Rádio Moçambique, qual um jornal de parede. Por estes dias, a “exposição” pode ser vista num dos muros do jardim botânico Tunduru, defronte da RM.

Após pregar o material, o nosso “escritor de rua”, faz o que todos fazemos – ou devíamos fazer: dirige-se as casas de banho do centro, onde cuida da sua hegiene pessoal. Senta-se depois num pequeno muro situado na rampa que dá acesso ao bar do centro, folheando velhos e rasgados livros, ou então escutando música de um pequeno gravador de cassete com auscultadores minúsculos ofertados certamente por uma alma compreensiva.

Registei em imagem fotográfica alguns dos seus escritos com a sua devida autorização. Antes faço notar que quando lhe pedi para lhe fazer um retrato ou uma fotografia em conjunto recebi dele um redondo “não”, justificando a recusa com o intrigante argumento de “eu não quero mais problemas com ninguém”. Anui e dei-me por satisfeito, não sem deixar de me perguntar a que problemas se referia e com quem.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

60 anos depois, o Scala vai vender sapatos, roupas e mobílias

Sessenta anos depois da sua entrada em funcionamento, a Pastelaria “Scala”, em plena baixa da cidade de Maputo, vai ser reaberta em Setembro próximo, agregando outras áreas comerciais para além da pastelaria, como seja, a venda de calçado, vestuário e mobiliário.

Aberto no distante ano de 1949, o “Scala” encerrou as suas portas em 2001, alegadamente porque os seus proprietários, após verem recusada a sua intenção de transformar o estabelecimento para fins para as quais não estava vocacionado, declararam falência.

Aparentemente a saída encontrada para que o emblemático lugar abrisse portas foi esta: integrar no espaço pequenas outras lojas, para além dos serviços de restauração.

Na capital moçambicana e um pouco por todas as grandes cidades, tornou-se comum transformar restaurantes, snack-bares e cervejarias, em lojas, armazéns de mercadoria diversa e locais de culto. 

Restaurantes, Cafés, Snack-Bares e Cervejarias, outrora ex-líbris da cidade de Maputo, frequentados por todo tipo de pessoas e pontos de referência turística, desapareceram, dando lugar a outras actividades e serviços. O fenómeno, estancado pela edilidade de Maputo após alguns tímidos protestos de umas poucas pessoas preocupadas com a sua descaracterização, terá sido desencadeado por alguns sectores fundamentalistas da sociedade, numa cruzada destinada a eliminar o que consideram locais de profusão do pecado. 

Reabre o “Scala” depois da sua reabilitação, fecha o “Continental”, outro estabelecimento de referência situado defronte da pastelaria. Tanto quanto é do conhecimento público, o seu encerramento foi ditado pelo tribunal judicial de Maputo, que arrestou os seus bens em virtude de o proprietário estar a braços com salários dos empregados em atraso e outras obrigações fiscais não saldadas. 

Com as montras tapadas com jornais, o “Continental” deixa assim de ser aquele local para onde empregados do comércio, escritórios, bancários, jornalistas e escritores e outros, iam para a habitual “bica” de café, para o “Mata-bicho”, lanche e a leitura de jornais. Os “habitués” ociosos, de que ninguém conhece a proveniência dos seus rendimentos, viram-se assim desprovidos da esplanada deste local, de onde, de manhã até as primeiras da noite, apreciavam o desfile das lânguidas beldades da cidade.

A dúvida agora é: quais serão os caminhos que o “Continental” terá que trilhar até a sua reabertura e se será ou não desmembrado, passando a integrar lojas de venda de calçado, vestuário e mobiliário, e a restauração como actividade secundária. A ver vamos.

A ver vamos também qual é o destino que o Conselho Municipal de Maputo ao histórico Prédio Pott, nas imediações do Scala e do Continental. Em ruínas e refúgio dos chamados “meninos da rua” e adolescentes marginais, o “Pott” é uma autentica relíquia arquitectónica a espera de uma decisão. O mais certo, dado o seu avançado estado de degradação, é que seja demolido para dar lugar a um mastodonte de ferro e cimento.

sábado, 18 de julho de 2009

Espectáculos: para ver e não para ouvir

Edmundo Galiza Matos

"Os músicos podem ser muito diferentes mas o objectivo é sempre o mesmo: tocar as pessoas emocionalmente através do som”.
Brandford Marsalis, “Público”

Amigos meus e ocasionais ouvintes do “Clube dos Entas” têm estranhado o facto de nunca me terem enxergado nos espectáculos de música realizados nas cidades de Maputo e Matola. Consideram até que, sendo eu produtor de um programa de rádio, mais virado para a música e para factos com ela relacionados, seria natural que me interessasse também pelos eventos que amiúde têm lugar nas duas cidades. Até para me documentar e informar sobre a quantas anda a nossa música...

Porque nunca fui capaz de lhes satisfazer a curiosidade, não lhes restou outra alternativa senão conjunturar que o meu alheamento só podia residir ou num absurdo pedantismo ou então que a idade já não me permitia passar pelos excessos, habituais entre nós, sobretudo em eventos musicais. Logo eu, um credenciado noctívago e cervejeiro ajuramentado... É mesmo estranho, não encaixa.

“Pedantismo” ou “velhice”, em qual das duas categorias me situo? eis uma questão sobre a qual nunca procurei dar uma reposta, mesmo para comigo próprio, pese embora este “comportamento desviante” me azucrine a cachola, sempre que se anuncia mais um espectáculo.

Hoje, muito embora não se conheça para breve qualquer evento cultural musical, não resisti à tentativa de procurar uma resposta para o enigma, “clicada” após a leitura de uma entrevista de Brandford Marsalis, esse grande saxofonista norte-americano, conceddida à jornalista Cristina Fernandes, do jornal português “Público”, no passado dia 10.

No excerto dessa intervenção do Brandford, que a seguir transcrevo, julgo que pode estar a residir uma das razões porque ando na contra-mão da “moda” dos espectáculos: Em muitas sociedades, como é o caso da norte-americana, as pessoas ainda vão aos concertos para ver e não tanto para ouvir. É por isso que quando se fala do Michael Jackson os temas são as luvas, as jaquetas, o seu comportamento ou as coisas estranhas da vida dele, mas há muito pouca discussão sobre a voz”.

Ora aí está: Haverá por aí quem possa desmentir esta leitura de um dos rebentos da família Marsalis? Ninguém, pelo simples facto de que as grandes assistências dos nossos eventos culturais serem movidas por outros motivos que não os estritamente culturais. Ou seja: pretexto para a troca de copos, fuga a uma realidade cada vez mais incontrolável, exibição das mais extravagantes futilidades, para não dizer quinquilharias (telefones, vestuário, carros, etc)

Objectivamente, está-se perante mais um fénomeno de alienação das multidões e não do que devem ser os eventos culturais dignos desse nome.

De outra faceta tão interessante quanto aquela se revestem os espectáculos musicais que se realizam entre nós, mormente os que se dizem de Jazz, a maioria dos quais, tendo como cabeças de cartaz nomes nacionais e uns tantos estrangeiros.

Confesso o receio de parecer pedante mas não posso esconder o meu desacordo quanto a esta matéria, sobretudo quando os nossos promotores de espectáculos, erradamente, atribuem a este ou aquele artista ou grupo, a qualidade de executantes do género Jazz.

Se me pedirem uma definição do que é Jazz direi sem rodeios que não a tenho. De uma coisa porém estou certo: Jazz, meus senhores, pode ser tudo, menos o que se ouve em qualquer “Senta Baixo” deste país e, na melhor das hipóteses, nos momentos que antecedem a chegada dos recém-casados aos tradicionais “copos d’Agua”. Bob James e o seu “Four Play” e Jimmy Dludlu, só para citar dois nomes conhecidos, entre uma garfada e outra, sabem muito bem aos comensais esfomeados que pululam as nossas festas. O Jazz não cabe neste esquema. Tenho dito.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O bode "Guardião" de Maputo

(Edmundo Galiza Matos)
Instantâneo registado junto à estátua de Samora Machel, o fundador da República de Moçambique, na baixa da cidade de Maputo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Luís Represas em Maputo, "Dentro da Mão"

Foram dois encontros fugazes. Nem eu nem ele tinhamos tempo a perder pela frente, cada um preocupado com os seus compromissos profissionais.
O primeiro aconteceu há pouco mais de seis anos, em Maio de 2002, um dia antes da reeproclamação da independência de Timor-Leste. Em Dili, na residência onde se hospedara o então presidente português, Jorge Sampaio.
O segundo encontro dá-se defronte da Rádio Moçambique, numa manhã molhada pela chuva, o que não impediu que, do meu celular, registasse para a posteridade esta imagem. Terça-feira, 18 de novembro.
O Wazimbo e o Zeca Tcheco, dois nomes incontornáveis da música moçambicana, não se fizeram de rogados e, com o sentido de oportunidade que lhes é peculiar, “tchopelaram” e aí estão. Dona de uma voz melosa, meiga e maternal, a Maria Judite, acabava de entrevistá-lo para o veteraníssimo programa radiofónico “Um Amigo, Uma Conversa”.
O Luís Represas, ele próprio, esteve em Moçambique, onde em dois momentos diferentes, se apresentou aos seus fãs, num dos quais, juntamente com o Stewart Sukuma e Hortêncio Langa.
O primeiro contacto com a música de Represas foi através do Álbum “Fora de Mão” de 2003. Uma obra que chama logo a atenção pelo facto de este compositor português ter a “mania” de trabalhar com músicos cubanos, entre eles o emblemático Pablo Milanés.
Do “Fora de Mão” destaco como sendo uma das melhores, a faixa 1 que dá pelo título “Da Próxima Vez”,...
“As ruas da minha cidade
Abriram os olhos de encanto
Para te ver passar

As pedras calaram os passos
E as casas abriram janelas
P´ra te ouvir cantar
...

Da próxima vez
Não vás
Sem deixar destino ou direcção
Se houver próxima vez
Não esqueças
Leva contigo recordação
E um beijo pendurado
Ao peito do teu coração”

O último trabalho discográfico de Luís Represas, “Olhos nos Olhos”, foi lançado em Maio deste ano. Uma belíssima obra, capa de luxo, onde sobrassaem o duetos com a Simone (Desencontro) e Luba Maria Hevia (Pessoas Felizes), “América” com Pablo Milanés. A canção “Sagres”, considero eu, marca esta obra.
Para além dos habituais músicos cubanos, Luís Represas, em “Olhos nos Olhos” foi buscar a colaboração de Nanuto, Katila Mingas, Kaxuxa e Maria João Silveira, todos de Angola.
“Da próxima vez..., o que nos reserva, meu caro Luís Represas?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Angola: 33 anos de Independência

O embaixador angolano em Moçambique, João Garcia Bires, disse esta noite em Maputo, que, seis anos decorridos após o fim da guerra, Angola é hoje um verdadeiro “canteiro” de obras, visível na construção e reabilitação de estradas, pontes, habitações, escolas unidades sanitárias, entre outras infra-estruturas.
O Embaixador Bires, que falava por ocasião do trigésimo terceiro aniversário da independência de Angola, destacou o facto de o governo liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos ter logrado em pouco tempo transformar o país num dos pilares de desenvolvimento da região austral de Africa em particular e do continente no geral.
A comemoração dos trinta e trés anos da independência de Angola em Moçambique aconteceu numa das unidades hoteleiras da cidade de Maputo com a participação de diplomatas, cidadãos angolanos e moçambicanos, para além do Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, em representação do governo moçambicano.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Teatrando Moçambique” – jovem artistas ocupam os palcos

Mozangol Fashion Show assim se denominou a exibição do que se faz na área da moda em Angola e Moçambique, num desfile realizado em Maputo no passado dia 8, numa parceria entre sete estilistas dos dois países.
Foi uma iniciativa do jovem estilista moçambicano Taíbo em colaboração com o governo da província angolana de Cabinda.
Enaltecer as criações existentes nos dois países na área da moda, foi o motivo para juntar, uma vez mais, os dois países.
No espaço Coconuts foram exibidas por vinte e cinco modelos colecções das sete estilistas.