RÁDIO MOÇAMBIQUE

RÁDIO MOÇAMBIQUE
CLICA NA IMAGEM. NOTÍCIAS ACTUAIS DO PAÍS
Mostrar mensagens com a etiqueta Maringanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maringanha. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Pemba: impressões após nove anos de ausência




No decurso da minha estada na cidade de Pemba fiquei hospedado na casa do meu amigo Faruk Jamal, implantada mesmo à beira da praia da Maringanha, uns kilometros depois da emblemática praia do Wimbe.
Aqui, para além de ter desfrutado de condições principescas e de um acolhimento de irmandade dispensados pelo Faruk e sua companheira Shakila, passei alguns dias de absoluta calma, algo que há muito não experimentava.
A tranquilidade, o silêncio “rasgado” apenas pelo bater das ondas nas rochas madrugada adentro, os cajueiros com os frutos como há muito não via, os pescadores com as canoas a deslizarem suavemente no horizonte do mar alto, as raparigas e as mulheres inclinadas sobre si próprias a apanhar as ostras entre as pedras, as areais brancas, as algas de um verde reluzente, as grutas com galerias, o velho e solitário farol, tudo isso, teve o condão de um apaziguamento para comigo mesmo, permitindo-me o que na selva de Maputo não é possível: reflectir sobre o sentido da vida.
A praia do Wimbe conheceu, é verdade, um crescimento notável, destacando-se a existência de novas residências e locais de pasto e de entretenimento, para não falar do Casino pertença, ao que julgo, do meu amigo e antigo colega de escola Humberto Monteiro.
Fiquei agradavelmente surpreendido com as melhorias feitas no que foi outrora um pequeno bar, hoje Mar e Sol do Renato Chambarlain e da Eugénia Gaspar, local onde se pode degustar uns bons pratos de peixe pedra, do vermelho e do xaréu, para além, é claro, sorver, com toda a calma do mundo, umas bem geladinhas “2M” e Whisky com agua do lanho. O mesmo se pode dizer do “Nautilus”, embora aqui não deixe de torcer o nariz pelo facto de ter descurado a verdadeira função do local: o Clube Naútico, onde a criançada aprendia a canoagem, a natação e o salvamento em caso de afogamento.
O intenso movimento de pessoas que se regista aos fins de semana, sobretudo aos domingos, é algo que defrauda qualquer observador. No fundo, aquelas milhares de pessoas, sobretudo crianças de ambos os sexos, entulham a praia do Wimbe não para se refazerem da canseira da semana de trabalho ou escolar, juntamente com a família e amigos, mas sim para incomodar. São crianças que circulam por ali, à caça de algumas moedas ou, o que é pior, para surripiar algo como telemóveis e outros bens dos que, na realidade, ali se deslocam para descançar. Ao fim da tarde, aos milhares, aqueles “turistas”, pegam a estrada a pé de regresso às suas casas. Chamar a este fenómeno sinónimo de crescimento turístico da praia do Wimbe é simplesmente falso.

Pemba: impressões após nove anos de ausência




Mecufi, dista cinquenta quilometros da cidade de Pemba. Uma pacata vila implantada à beira do oceano, bonita pelas suas praias com mangais e conhecida até por não residentes em Cabo Delgado, pela sua cestaria em palha.
Ali viveu e trabalhou a minha proginitora como parteira e os meus irmãos mais novos, Sidónio e Germano. Nas férias escolares para ali ia descançar juntamente com os meus irmãos, Roque, Luís e o Adolfo e os nossos amigos, o Meco e a Claid e o Quim e a Melita e as irmãs Boene, entre outros. Mecufi é a terra de outros amigos como os irmãos Neves: Aguinaldo, Antuía, o Bernardino (já falecido) e o Adolfo. Mecufi, algumas vezes, acolheu alguns acampamentos de Escuteiros, nos quais estavam filiado, entre outros, eu próprio, o João Tique, o Chico Ávila, o Amaral “Russo”, etc.
Por algumas horas tive o prazer de visitar Mecufi. Já é iluminada pela Rede Nacional de Energia (HCB) em substituição do velho gerador que funcionava das 18 as 22 horas. Os edifícios públicos (Administração, Centro de Saúde e Residências dos funcionários) estão em bom estado de conservação, inluindo a pequena capela.
O mesmo não se pode dizer da praia e dos parrôs, balneário e da prancha: desapareceram, como também alguns coqueiros. A erosão, um problema antigo, não foi travado. O bar do Herculano Faria está simplesmente uma ruína. Em avançado estado de degradação estão as cantinas. Quanto à cestaria e as mobílias de kambala, essas, estão desprovidas da qualidade do antigamente. Por culpa da excessiva procura. O turismo tem destas, infelizmente.
O novo em Mecufi é a casa de pasto pertença do Assane, esse proprietário da Pensão Baía. Defronte da praia e com uma vista extraordinária, serve bons pratos de peixe e outros produtos marinhos.
Fiquei orgulhoso com as modestas mas aprazíveis casas (duas) do meu antigo colega e amigo, o João Lopes ou simplesmente Buda. Disse-me que não são para aluguer mas para usofruto pessoal e de amigos e antigos colegas. Força camarada.