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domingo, 23 de maio de 2010

Cinema: Longa-metragem 'A República das Crianças' de Flora Gomes nasce nas ruas de Maputo

Numa cidade onde todos os adultos foram para a guerra, são as crianças que assumem as funções dos mais velhos, de polícia sinaleiro a deputado, e constroem um mundo novo, de esperança e de sonhos. A cidade existe só na cabeça de Flora Gomes, mas está gradualmente a tomar forma nas ruas da capital moçambicana, onde o realizador guineense está a filmar A República das Crianças, a sua quinta longa-metragem.

O argumento, escrito a meias com um amigo, está pronto há meia dúzia de anos mas só agora começaram as filmagens, depois de escolhidos os nove actores principais entre 600 crianças de Maputo. No meio delas, um adulto, o actor norte americano Danny Glover, de Escape from Alcatraz, Lethal Weapon, Silverado ou, mais recentemente, 2012, onde interpreta o papel de presidente dos Estados Unidos.

"Queria falar um pouco de uma África mais organizada, uma África de esperança. Nos últimos tempos tem havido muitas guerras civis no nosso continente e queria virar as páginas da história, fazer com que pensássemos como um povo livre, que sonha e que constrói um país, para uma nova geração", conta Flora Gomes. O cineasta resume assim o conteúdo do conto dos meninos que ocuparam a cidade que os adultos abandonaram, que organizaram o sistema de saúde e de educação, e criaram um Parlamento onde o presidente é diferente todos os dias.

Como em filmes anteriores, Flora Gomes escolheu não-profissionais para fazer o filme, onde Danny Glover, o conselheiro da República, é um dos poucos adultos com um papel relevante.

"Gosto dessas aventuras, de trabalhar com crianças, e até adultos, que nunca fizeram cinema. E tem dado resultado", diz o realizador.

"Não e fácil trabalhar com meninos, mas é apaixonante. Gosto muito. Em todos os meus filmes sempre tenho essa possibilidade de trabalhar com os miúdos que nos dão coisas extraordinárias", garante Flora Gomes num intervalo das filmagens, quando grandes camiões, projectores, máquinas de filmar e muita confusão deixam de boca aberta dezenas e dezenas de outras crianças, ávidas de ver o "circo" que se monta uma manhã inteira para um minuto de filmagem.

O filme, diz o cineasta guineense, deverá estar pronto no final do ano e a montagem é feita em Portugal, tanto mais que é uma co- -produção portuguesa (Tejo Filmes) e francesa (Les Films de l'Après-midi).

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tete: O Kudeca saiu de cena. Actores 5 estrelas sobem ao palco

O emblemático “Cine Esplanada Kudeca”, sala de cinema ao ar livre da cidade de Tete, erguida em meados da década 70, está a ser destruido para, no seu lugar, ser erguido um hotel 5 estrelas, propriedade do Grupo Hotel Vip.

O “Kudeca”, cujas obras de construção iniciaram depois do 25 de Abril de 1974, resultado de uma réplica de um estabelecimento idêntico localizado em Luanda, a capital angolana, foi concluído e inaugurado no dia 25 de Junho de 1975, dia da independência de Moçambique.

Isaías Marrão, um dos sócios-administradores de “Kudeca”, disse que o objectivo para o qual foi erguido foi ofuscado, tal como aconteceu com outras salas de cinema pelo país fora, pela “invasão” e massificação da televisão em Moçambique. As tentativas para contornar o problema, através da exibição de eventos culturais, não conseguiram inverter a fuga de espectadores.

A história do “Kudeca”

“A ideia da construção de Kudeca, não foi minha, mas sim da Moçambique Filmes, pertença de um empresário ligado ao Vaticano e que tinha casas de cinemas em Angola e em Moçambique. Nos meados da década 70 lembrou-se então de fazer em Tete o “Kudeca”, igual a um outro construído na capital angolana. Convidou várias personalidades de Tete incluindo a mim, para idealizar o projecto e foi assim que o construímos, no tempo recorde de cerca de um ano. No dia 25 de Junho de 1975 inauguramos o recinto”, disse Isaías Marrão.

Em 1978, o “Cine Esplanada Kudeca” foi, tal como outras salas de cinema, nacionalizado pelo Governo, o que fez com que a sociedade “Kudeca” quase sumisse, vendendo as suas acções a Marrão.

“Foi assim que o Instituto Nacional de Cinema na altura representando o Governo, enviou dois indivíduos a Tete que chegaram a minha casa e me pediram as chaves do cinema e os entreguei. Foi desta maneira que tomaram conta do cinema. Mas porque a direcção toda do Kudeca ainda se encontrava coesa e constituída por moçambicanos, indagamos pelo procedimento, trocando correspondências com o governo provincial e central numa autentica guerra que levou cerca de 14 anos”, explicou Isaías Marrão, um dos sócios administradores do então “Cine Esplanada Kudeca”.

O que agora deixará de ser “Kudeca” está situado num terreno paisagisticamente privilegiado, donde se pode observar o nascer do sol, reflectido sobre as aguas do rio Zambeze e a Ponte Samora Machel.

As cercas de 720 cadeiras de madeira valiosa foram oferecidas ao Conselho Municipal da Cidade de Tete.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Filme “A Ilha dos Espíritos” apresentado na sede da UNESCO em Paris

O filme moçambicano, “A Ilha dos Espíritos”, sobre a Ilha de Moçambique, foi projectado para um auditório constituído pelos participantes da 35ª.Conferência Geral da Organização para a Educação, Ciência e Cultura das Nações Unidas (UNESCO), que decorreu na sua sede, Paris, semana passada. A projecção fez parte de uma sessão especial sobre Moçambique, que teve como tema a “Diversidade Cultural e Desenvolvimento Sustentável”.

“A Ilha dos Espíritos”, um documentário de 63 minutos, foi realizado por Licínio de Azevedo e co-produzido pela Ebano Multimédia e Technoserve. Foi estreiado durante o IV Dockanema, Festival do Filme Documentário, que decorreu em Maputo de 11 a 20 de setembro último.

A película aborda a história da Ilha de Moçambique, que muito antes de dar o nome ao país, durante séculos, teve um papel fundamental no Oceano Índico, como ponto de escala para navegadores do Oriente e do Ocidente que procuravam alargar as fronteiras do mundo conhecido até então. Nela (película) intervêem um historiador especializado na ilha e um arqueólogo marítimo que traz à superfície tesouros há muito perdidos em naufrágios.

O quotodiano dos habitantes da Ilha de Moçambique, actividades, hábitos, cultura, é nos dado a conhecer por inúmeros outros personagens: um pescador que relata as aventuras na sua frágil embarcação; o “porteiro” da ilha que controla quem entra e sai dela pela ponte que a liga ao continente; uma famosa dançarina e animadora cultural; uma coleccionadora de capulanas e jóias antigas; uma conhecedora dos seres mágicos que povoam o imaginário colectivo dos ilheus.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Jimi Hendrix vai ter um "biopic"

Desta vez parece que nem a meia-irmã, Janie, vai impedir que a coisa avance (pelo menos até certo ponto): depois de vários projectos recusados pela entidade gestora do legado de Jimi Hendrix, presidida por Janie, a Legendary Pictures vai avançar com um "biopic" sobre aquele que foi o maior guitarrista "rock" de sempre ("Rolling Stone" dixit). Dados os exemplos do realizador John Hillman e da Dragonslayer Films, em 2006 (não conseguiram direitos da música), a ideia é inverter o processo: arrancar com o filme primeiro e conseguir autorização depois.

A chegar aos cinemas, segundo a "Variety", o filme deve retratar a vida do músico desde a sua passagem pelo exército norte-americano e o super-estrelato atingido em Woodstock até à morte, a sua pouco explicada morte num hotel de Londres em 1970, com compridos e álcool à mistura.

Depois dos planos abortados em anos recentes envolvendo músicos como Lenny Kravitz e Andre Benjamin dos Outkast, não houve ainda comentários sobre o elenco. Sabe-se apenas que Thomas Tull e Bill Gerber seriam os produtores e que o argumento é de Max Borenstein.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cinema: O eterno fascínio dos filmes de 'gangsters'

O filme “Inimigos Públicos”, é o mais recente de Michael Mann, que apresenta Johny Depp a recriar a figura de John Dillinger, um dos mais célebres 'gangsters' da América dos anos 30. O filme reflecte uma vez mais uma antiga atracção do cinema norte-americano por este universo.

Quando John Dillinger foi morto pelo FBI em Chicago, a 22 de Julho de 1934, à saída do Biograph Theater, tinha acabado de ver Manhattan Melodrama, um filme de gangsters com Clark Gable, William Powell e Myrna Loy. Ou seja, tinha estado a entreter-se com uma encenação cinematográfica da sua actividade, mas por razões óbvias, nunca ninguém chegou a saber o que Dillinger achou do filme.

Na sua crítica no The New York Times a Inimigos Públicos, de Michael Mann, Manohla Dargis refere o "perene romance" que o cinema americano tem com os "criminosos de época". E apesar de ultimamente, Hollywood não ter sido muito fiel a essa relação (o último filme de gangsters de nota foi Os Intocáveis, de Brian De Palma), ainda a Lei Seca estava em vigor e muitos dos mais temidos nomes do crime estavam vivos e em actividade.

Alguns dos melhores desses filmes continuam a ser os primeiros, quer pelo talento dos seus realizadores e argumentistas e pelo carisma imperecível dos seus actores, quer por um realismo directamente bebido nos acontecimentos e nas figuras retratadas. É o caso de O Pequeno César, de Mervyn Le Roy (1931), com Edward G. Robinson; de O Inimigo Público, de William Wellman (1931), tão popular na altura que chegou a passar em sessões contínuas, com James Cagney no papel que o lançou e instalou a sua imagem de "duro"; ou de Scarface, de Howard Hawks, com Paul Muni (1932), este vagamente baseado na vida de Al Capone. Que, diz-se, gostava tanto da fita, que tinha uma cópia para ver em privado.

Se o western é a epopeia americana, o filme de gangsters pode ser encarado como o anti-épico, um género de ambiente urbano, com personagens anti-heróicas e não-exemplares, representativo de valores negativos, gerados pelo lado mais negro da sociedade dos EUA. Mas como notou a citada crítica do The New York Times, os espectadores, americanos ou não, sentados na segurança confortável dos cinemas, desde logo se mostraram fascinados pelas vidas, pelas histórias e pelas acções dos gangsters, reais ou ficcionais. E os estúdios têm continuado a alimentar essa fascinação ao longo das décadas.

John Dillinger, por exemplo, teve a primeira aparição no cinema em Dillinger, de Max Nosseck (1945), interpretado por Lawrence Tierney, foi biografado por John Milius, com os traços de Warren Oates, no empolgante Dillinger (1973), e Lewis Teague contou a história da mulher que o traiu ao FBI numa excelente série B de 1979, A Mulher de Vermelho. James Cagney tornou-se no gangster's gangster graças a Anjos de Caras Sujas, de Michael Curtiz (1938), The Roaring Twenties, de Raoul Walsh (1939) - em ambos ao lado de um Humphrey Bogart em ascensão - ou Fúria Sanguinária, também de Walsh (1949). Roger Corman filmou o Massacre de S. Valentim em O Grande Massacre (1967), e deu a Charles Bronson o papel do título em Machine-Gun Kelly (1958), enquanto Don Siegel transformou Mickey Rooney em Baby Face Nelson no filme homónimo de 1957. Arthur Penn filmou Bonnie e Clyde (1967) retratando o casal de assaltantes de bancos como (duvidosos) heróis populares da Grande Depressão, e Barry Levinson deu a Warren Beatty o papel principal em Bugsy (1991), sendo muito criticado por branquear o lado violento e sociopata de Bugsy Siegel.

O gangster movie até já gerou musicais com crianças (Bugsy Malone, de Alan Parker, 1976) e paródias (Johnny Perigosamente, de Amy Heckerling, 1984). E o genial Quanto Mais Quente, Melhor, de Billy Wilder (1959) é também um pouco um filme do género, contando com a presença de George Raft. Que, por ter sido amigo de muitos bandidos famosos e do citado Bugsy Siegel em particular, fez a ponte entre o mundo dos gangsters reais e o do cinema que, embora esporadicamente, ainda continua a pô-los em cena.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Woody Allen processa marca de roupa

O realizador norte-americano pôs um processo em tribunal contra a American Apparel, marca de roupa americana, por uso indevido da sua imagem num spot publicitário.

O realizador exige uma indemnização no valor de 7,5 milhões de euros, alegando que o anúncio em causa prejudica o seu bom nome.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

NKidman: Woody Allen terá a actriz no seu filme

A actriz australiana Nicole Kidman é a mais recente aquisição de Woody Allen para o seu próximo filme, que vai contar ainda com Antonio Banderas, Anthony Hopkins, Josh Brolin e Freida Pinto.

A nova história do realizador nova-iorquino vai ser rodado em Londres em meados deste ano.

terça-feira, 31 de março de 2009

Compositor Maurice Jarre morre aos 84 anos

O compositor Maurice Jarre, que capturou a grandiosidade do deserto na sua trilha para o filme "Lawrence da Arábia" e escreveu o famoso "Tema de Lara" do filme "Doutor Jivago", morreu aos 84 anos, na sua propriedade na Califórnia, onde viveu por décadas. As causas da morte não foram divulgadas. "O mundo da música está de luto por uma das suas últimas grandes personalidades", disse Miyet. "Além do seu talento, Maurice Jarre cultivou o bom carácter, um forma de vida e uma simplicidade que se tornaram lendários".

Nascido em 1924 em França, Jarre estudou música na Conservatório de Paris, tocando, inicialmente, tímpano. Iniciou a sua carreira compondo para produções teatrais e trabalhou 12 anos como compositor permanente do Teatro Nacional Popular. Depois começou a compor trilhas para filmes e em 1961 trabalhou com o director de David Lean em "Lawrence da Arábia", pelo qual ganhou o seu primeiro Oscar.

Jarre conquistou a sua segunda estatueta pelo seu trabalho num outro filme de Lean, "Doutor Jivago", baseado no romance de Boris Pasternak. Uma das músicas do filme, "Tema de Lara" tornou-se um grande sucesso e deu-lhe reconhecimento mundial. Jarre colaborou com Lean novamente em 1984 em "Passagem para a Índia", conquistando o seu terceiro Oscar.(X)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"Quem quer ser Bilionário?" domina os BAFTA com vitória em sete categorias

A noite dos prémios de cinema da Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas (BAFTA na sigla inglesa) foi uma sucessão de confirmações com apenas um par de surpresas. "Quem quer ser Bilionário?" foi melhor filme e tem outros seis prémios, revalidando a vaga de popularidade rumo aos Óscares. Mickey Rourke viu o seu regresso certificado como melhor actor, Heath Ledger foi recordado como melhor actor secundário e Kate Winslet foi a melhor actriz.

As surpresas foram "I’ve Loved You So Long", de Philippe Claudel, premiado como o Melhor Filme Não Falado em Inglês, e a vitória do documentário "Homem no Arame", de James Marsh, foi considerado pela Academia britânica o Melhor Filme Britânico do ano. O prémio foi anunciado na primeira metade da cerimónia e permitiu antecipar que o favoritismo de "Quem quer ser Bilionário?" se iria confirmar. É que o filme de Danny Boyle ("Trainspotting") estava também na lista de candidatos nessa categoria, pelo que quase se anunciava que iria ser o vencedor do troféu de melhor filme.

Dos sete BAFTA de "Quem quer ser Bilionário?" destacam-se os prémios para o realizador Danny Boyle, para o argumentista Simon Beaufoy e para o compositor da banda sonora, o indiano A.R. Rahman, todos premiados nos Globos de Ouro e nomeados para os Óscares de 22 de Fevereiro. O grande derrotado da noite foi "O Estranho Caso de Benjamin Button", nomeado para onze prémios e que não venceu em qualquer das categorias principais. O filme de David Fincher, protagonizado por Brad Pitt (que estava nomeado para melhor actor e ainda para melhor actor secundário por "Destruir Depois de Ler", dos irmãos Coen) arrecadou apenas três BAFTA, para o melhor "production design", caracterização e efeitos visuais.

Kate Winslet recebeu um dos dois BAFTA possíveis para que estava nomeada – havia duas Winslet na categoria de melhor actriz, a de "Revolutionary Road" e a de "O Leitor". Venceu a última. Nos Globos de Ouro, ambas foram vencedoras. Para os Óscares, a actriz britânica está nomeada excactamente por "O Leitor".

Um dos momentos da noite de prémios de ontem, 8, na Royal Opera House de Londres, foi a vitória, também já muito antecipada, de Mickey Rourke como Melhor Actor por "O Wrestler". “Obrigado à BAFTA, à Optimum Pictures, à Fox Searchlight e a Darren Aronofsky (realizador), que me deu uma segunda oportunidade depois de ter lixado a minha carreira durante 15 anos”. “É um prazer estar aqui, fora da escuridão”.

Os prémios distinguiram ainda Penélope Cruz, que venceu como actriz secundária pela interpretação de uma artista tempestuosa e sensual em "Vicky Cristina Barcelona", de Woody Allen (a actriz espanhola está também nomeada para Óscar na mesma categoria). O BAFTA póstumo para Heath Ledger pelo seu Joker em "O Cavaleiro das Trevas", de Christopher Nolan, repete o prémio atribuído nos Globos de Ouro e antecipa uma possível vitória nos Óscares de 22 de Fevereiro.
Na cerimónia, o realizador e Monty Python Terry Gilliam recebeu um prémio de carreira.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

“The International” abre o 59.º Festival de Cinema de Berlim

O festival de cinema anual de Berlim , também conhecido como Berlinale, arrancou nesta quinta-feira, 5, com a exibição do filme "The International", um suspense do director alemão Tom Tykwer "Corra Lola, Corra". A trama envolve um agente da Interpol na sua luta para derrubar um poderoso banco que estaria a realizar actividades ilícitas.

The International é um dos 17 filmes que fazem a sua estreia mundial na Berlinale. O festival, na sua 59.ª edição é o primeiro dos grandes festivais europeus do ano. O ano passado o prêmio máximo, o Urso de Ouro, foi para "Tropa de Elite", do director brasileiro José Padilha, que exibe na sessão Panorama, fora da competição, o seu novo documentário "Garapa".

A abertura do evento com "The International", segundo Tykwer, não tem nada a ver com a crise financeira internacional. Para o director foi apenas uma coincidência e ele afirmou sentir-se emocionado "com a ideia de que o banco represente o vilão num filme de suspense".

Clive Owen interpreta o herói do filme, Louis Salinger, e Naomi Watts faz o papel de uma fiscal do distrito de Nova York que se une a ele para rastrear transações que financiam terroristas.

Owem disse que o seu personagem "viaja literalmente por todo o mundo atrás deste banco e na tentativa de derrubá-lo".

Tykwer assinalou numa entrevista que "o tema do filme é um sistema e um princípio sobre os quais se construiu a nossa sociedade... Que surgiu com a ideia de intercambio de bens que agora estamos a começar a questionar".

Um júri de sete membros presidido pela actriz britânica Tilda Swinton vai anunciar o vencedor em 14 de fevereiro. "Minhas expectativas? Não ter absolutamente nenhuma expectativa", disse.

O director do festival, Dieter Kosslick afirmou que não espera que a crise econômica tenha um efeito directo sobre a Berlinale, que tradicionalmente conta com menos estrelas que os festivais de Cannes e Veneza, mas que se orgulha de ser acessível ao público em geral, e deve viver 11 dias de muito glamour, com a exibição de 386 filmes.

Spike Lee quer incendiar Los Angeles

Spike Lee (“Malcom X”,"O Infiltrado") quer realizar um filme sobre os motins de Los Angeles em 1992. Esses dias de violência urbana foram provocados pela decisão dos tribunais de ilibar os agentes da polícia que tinham sido acusados de agredir o afro-americano Rodney King. Durante seis dias a violência invadiu a cidade, várias pessoas foram agredidas e assassinadas e várias lojas foram pilhadas e incendiadas.

Este projecto faz parte dos projectos de Lee desde 2006, mas ainda não encontrou os produtores indicados. Tem ainda um problema com o orçamento disponível, que não lhe permite realizar o filme como pretende. "O projecto não está morto, mas a dormir", diz o realizador, citado pela revista "Les Inrockuptibles".

Spike Lee está neste momento envolvido em vários projectos: a sequela de "O Infiltrado", um "biopic" sobre a vida de James Brown, com Wesley Snipes no papel de Brown, e um documentário sobre Michael Jordan. O realizador comprou recentemente os direitos para produzir "Now the Hell Will Start", a história de uma soldado negro que mata o seu superior na II Guerra Mundial e é obrigado a fugir para a selva birmanesa. É o segundo projecto de Lee baseado na II Guerra Mundial, depois de ter realizado "Miracle at Santa-Anna" no ano passado.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Filmamos no bairro da lata


"Quem Quer Ser Bilionário?", o filme de Danny Boyle que parece cada vez mais ser um dos grandes favoritos para os Óscares. O Diario de Noticias de Portugal falou com o realizador, sobre esta esta experiência indiana.
A entrevista foi publicada na edicao desta quarta-feira, 4 de fevereiro.

Como definiria a cidade de Bombaim?
A cidade é construída sobre dois grandes pilares. Um é o negócio, em Nova Iorque: toda a gente está a fazer algum negócio, incluindo os mais pobres. O outro é o sonho, a dança dos filmes de Bollywood. É tudo isso que lhe dá a sua energia tão especial.
Houve alguns filmes sobre a Índia que lhe tivessem servido de referência ou inspiração?
Vi alguns filmes (que não mencionarei) que detestei e, de alguma maneira, foram uma grande ajuda: tinham precisamente o que eu não queria fazer. Aliás, faço questão em dizer que eu fiz um filme desses chamado, na Tailândia [produção de 2000, com Leonardo DiCaprio ]. Levei uma equipa de 150 pessoas, ocidentais, e eram um exército invasor: chegam e limitam-se a fazer o filme que já levam na cabeça. Desta vez, levámos umas dez pessoas e, no essencial, fizemos tudo com uma equipa de Bollywood. Não faz sentido encarar as coisas com o olhar ocidental, julgando que a cidade não funciona: de facto, funciona, mas não de acordo com os nossos padrões. É preciso saber utilizar isso. E foram 20 horas por dia...
Qual foi o papel de Loveleen Tandan, a co-realizadora do filme?
Na origem, ela era directora de.E convém lembrar que esse foi um processo muito demorado, quanto mais não seja porque cada uma das duas personagens principais tem três intérpretes. Daí que tenha estabelecido com ela uma relação muito para além do, envolvendo também o argumento e as suas opções. Acabou por funcionar minha consultora: ajudou-me imenso a corrigir os erros que o argumento continha, erros resultantes de um olhar ocidental. Além do mais, Loveleen é alguém que tem a ambição de vir a realizar filmes e, neste caso, acabei mesmo por lhe entregar a direcção da segunda equipa de filmagens.O modo de filmagem tem algo de documental.
Como foi, em particular, o tratamento do som?
O som em Bombaim é um fenómeno incrível de camadas e camadas... É o tipo de som que não é possível fabricar em estúdio. Claro que podíamos sempre corrigir uma ou outra fala dos actores, mas o ruído tem infinitos contrastes. Por exemplo, na confusão do trânsito, ao contrário do que estamos habituados, quem conduz está-se nas tintas para quem vem atrás; por isso mesmo, quem vem atrás tem por obrigação buzinar, de três em três segundos, para lembrar ao da frente que está ali. Bip! Bip! nós, quando ouvimos aquilo a primeira vez, temos a tradicional reacção ocidental de agressividade: "Que é que o fulano quer?" Mas depois percebemos que é apenas uma questão de delicadeza: "Lembra-te que eu estou aqui!"
Seja como for, os modos de filmagem não foram típicos de Bollywood.
A atitude normal em Bollywood é: "Querem um bairo da lata? Então construímos o bairro da lata no estúdio." Mas neste caso a atitude era: "Queremos filmar no próprio bairro da lata." E filmámos mesmo, incluindo na zona imensa onde são lançados os excrementos. Houve mesmo um elemento da equipa de som que caíu na vala... A dimensão britânica do filme passa por esse realismo: porque eu sou britânico, claro, mas também porque a nossa tradição é mais realista. Em Bollywood, estão-se nas tintas: o que conta é o sonho. Por alguma razão, os realizadores são conhecidos como "mercadores de sonhos".

Filme de aninmação israelita candidato ao Oscar atrai árabes

H NASR - Valsa com Bashir não pode ser assistido legalmente no Líbano, mas é possível comprar cópias do filme antiguerra israelita, indicado ao Oscar, no distrito de Hamra, em Beirute, onde o director Ari Folman viu a sua vida mudar 26 anos atrás.

"É um dos maiores filmes que já vi na vida", disse Lokman Slim, activista da organização libanesa UMAM, que visa preservar as memórias de guerra do país exibindo filmes relacionados com as suas décadas de conflitos.

Valsa com Bashir - o título faz referência à aliança de Israel com o líder cristão libanês da época, Bashir Gemayel - mistura documentário e animação para mostrar o trauma da invasão israelita de 26 anos atrás para expulsar guerrilheiros palestinos.

O filme termina com o massacre de centenas de palestinos pelos aliados libaneses de Israel nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, em Beirute.

Num relato baseado nas recordações de antigos companheiros de farda, Folman mostra a guerra nas cores berrantes de um livro de quadrinhos - até os momentos finais, quando se vêem cenas chocantes e reais de pilhas de corpos.
Filme de Ari Folman trata do massacre de palestinos em Sabra e Shatila. Foto: Divulgação

Cerca de 600 mulheres, crianças e idosos palestinos em Sabra e Shatila foram massacrados sob a luz de foguetes de iluminação disparados sobre Beirute pela unidade do exército israelita do qual Folman fazia parte, que recebera a ordem de ajudar a milícia falangista cristã a impor a ordem nos campos.

Folman era um recruta de 19 anos na época. O seu filme recebeu o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira de 2008 e foi indicado ao Oscar 2009 também na categoria de melhor filme estrangeiro.

Proibido no Líbano

Valsa com Bashir
é proibido no Líbano devido às leis que impedem o comércio com Israel. Mas o interesse pelo filme é enorme.

Cópias em DVD pirateadas estão a ser vendidas por US$ 2 cada no distrito de Hamra, que aparece no filme como local de batalhas violentas entre guerrilheiros palestinos e a unidade de Folman no Exército.

Nem todos os libaneses estão satisfeitos com a versão de Folman da história.

"O filme mostra só uma parte da verdade. É como se o director dissesse 'nós, israelitas, não cometemos esse crime - foram os falangistas'", disse Ziad Moussa, professor aposentado em Ramallah, na Cisjordânia, onde Valsa foi exibido num centro cultural franco-alemão.

Mesmo assim, Moussa disse que o filme é "um passo na direção certa" para sanar o passado sangrento entre israelitas e palestinos.

O massacre de Sabra e Shatila suscitou ultraje mundial, e uma comissão de inquérito formada em Israel responsabilizou indirectamente o então ministro da Defesa Ariel Sharon, forçando-o a renunciar do seu cargo.

A comissão concluiu que Sharon, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro, ignorou os avisos de que os falangistas massacrariam os refugiados palestinos para vingar-se da morte de centenas de civis cristãos por guerrilheiros palestinos no sul do Líbano, seis anos antes.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Penélope Cruz agradece a Woody Allen por indicação ao Oscar

Candidata ao Oscar de melhor actriz coadjuvante, a actriz espanhola Penélope Cruz agradeceu ao director Woody Allen "por me dar esta oportunidade", ao incluí-la no elenco de Vicky Cristina Barcelona, filme pelo qual foi indicada.

Penélope, de 34 anos, estendeu os agradecimentos à Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood pela indicação e ao "maravilhoso e extremamente generoso grupo de actores que tive como companheiros de produção".

No filme, ela interpreta uma neurótica artista e ex-mulher de um pintor vivido pelo também espanhol Javier Bardem, para quem acaba voltando, compartilhando-o com a personagem da americana Scarlett Johansson.

Esta é a segunda indicação ao Oscar da espanhola que, em 2006, concorrera a melhor actriz por Volver, de Pedro Almodóvar.

A fantasia espanhola de Woody Allen

Um telefonema de Penelope Cruz e ele foi convencido a ir até Barcelona realizar a sua fantasia de cineasta europeu




O único lugar onde Woody Allen realmente quer estar é na cama. "O meu lugar na cama é o meu lugar no mundo", explica. É onde vê jogos de baseball, onde lê, e onde escreve, normalmente da parte da manhã, porque se começar à noite por vezes fica tão excitado que não consegue dormir. É onde o acto de imaginar é, de facto, "agradável" e onde pode "ir escolher as pessoas" e ver as suas "personagens ganharem vida." "E ponho música e vejo as personagens encenarem as suas cenas ao som da bela música. Sabe, divirto-me com isso. E se mais ninguém faz isto, é uma pena."

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ledger pode levar Oscar póstumo; conheça alguns dos indicados

O Oscar será entregue em 22 de fevereiro, em cerimônia que será apresentada pelo actor Hugh Jackman, uma alteração importante, pois a festa sempre teve no comando um comediante.

O Curioso Caso de Benjamin Button é o grande favorito, liderando a lista dos indicados da Academia com 13 indicações, incluindo a de melhor filme. Rendeu ainda uma indicação a Brad Pitt como melhor actor, a Taraji P. Henson como coadjuvante e a David Fincher de melhor director. O filme chega perto de outros recordistas de indicações: All About Eve, de Joseph L. Mankiewicz, com Bette Davis, que em 1951 ganhou cinco estatuetas, mas teve 14 indicações, mesmo número obtido por Titanic, de James Cameron, em 1997, quando levou 11 prêmios.

Outro favorito desta 81.ª edição do Oscar é Quem Quer Ser um Milionário?, o filme vencedor de quatro Globos de Ouro, incluindo o de melhor filme. Foi indicado em nove categorias e ainda disputa com duas composições na categoria de melhor canção: 'Jai Ho' e 'O Saya'. Com oito indicações aparecem Milk - A Voz da Liberdade e Batman - O Cavalheiro das Trevas, enquanto O Leitor e A Dúvida, ficaram com cinco cada um. Todos estão indicados na categoria melhor filme, incluindo ainda Froost/Nixon.

A primeira categoria anunciada foi a de melhor actriz coadjuvante. Sem surpresas, entra na disputa a actriz espanhola Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen. É a segunda indicação da actriz ao Oscar, que disputou como melhor actriz com Volver, de Almodóvar, em 2006. As outras concorrentes da categoria são Viola Davis(A Dúvida), Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button), Amy Adams (A Dúvida) e Marisa Tomei (O Lutador).

Meryl Streep, a recordista de indicações, vai subir ao palco da cerimônia do Oscar pela 15.ª vez, pelo seu desempenho em A Dúvida, que promete ser um show de interpretação, pois também rendeu uma indicação de melhor actor coadjuvante a Philip Seymour Hoffman e de melhor actriz coadjuvante a duas actrizes do filme: Amy Adams e Viola Davis. Meryl concorre na categoria de melhor actriz com Angelina Jolie (A Troca), Anne Hathaway (O Casamento de Rachel), Melissa Leo (Frozen River) e Kate Winslet, a vencedora do Globo de Ouro por seu papel no filme O Leitor .

O actor Heath Ledger poderá ganhar o primeiro Oscar póstumo da história do prêmio, pela sua interpretação do vilão Coringa, de Batman - O Cavalheiro das Trevas. Hoje, 22, faz um ano que o australiano Ledger, de 28 anos, foi encontrado morto no seu quarto por uma overdose de remédios. Ledger foi indicado ao Oscar em 2006 pelo seu papel de destaque como o caubói gay em O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee. Perdeu para Philip Seymour Hoffman, vencedor por Capote. Hoffman concorre este ano com Ledger na categoria de melhor actor coadjuvante pelo filme A Dúvida. Também concorrem nesta categoria os actores Robert Downey Jr. (Trovão Tropical), Josh Brolin (Milk) e Michael Shannon (Foi Apenas um Sonho).

O troféu de melhor actor será disputado por Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button), Richard Jenkis (The Vistor), Frank Langella (Frost/Nixon), Sean Penn (Milk - A Voz da Liberdade) e Mickey Rourke (O Lutador).

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Dustin Hoffman diz que Hollywood não valoriza os mais velhos

Aos 71 anos, o actor Dustin Hoffman diz que nunca vai se aposentar, mas pode ter de ir bem além de Hollywood para encontrar os papéis de que gosta. O seu último filme, Last Chance Harvey é uma pequena ode ao amor encontrado na maturidade, um tema que promete sucesso entre uma fatia crescente do público que vai ao cinema - os maiores de 40 anos. O filme estréia nos Estados Unidos neste Natal, 25.


No filme, Hoffman, que interpreta Harvey, conhece Kate (Emma Thompson). O actor disse que gostaria de fazer mais filmes para fãs mais velhos, mas não acha que os estúdios de Hollywood - que tendem a fazer grandes filmes, para abarrotar os cinemas - sejam capazes de assumir o público mais velho. "Se eu tivesse de usar minha energia, não seria para mudar o sistema dos estúdios. Seria para acrescentar duas ou três línguas ao meu repertório, que hoje consiste somente em inglês de rua", disse Hoffman em uma entrevista recente.


"Se eu falasse francês, espanhol e italiano, trabalharia em filmes que me interessam mais. Eles ainda honram as histórias de amor sobre pessoas com mais idade. Você pode envelhecer na Europa".


Hoffman, nascido e criado em Los Angeles, diz nunca ter entendido, quando criança, a obsessão com a juventude. Para ele, existe nos Estados Unidos "uma falta de respeito com a idade que não existe em todos os países".

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Morreu o realizador norte-americano Robert Mulligan

O realizador norte-americano Robert Mulligan, que foi nomeado para um Óscar em 1962, com o filme “Na Sombra e no Silêncio” (To Kill a Mocking Bird, no original), morreu aos 83 anos na sua casa, no estado do Connecticut, Estados Unidos.
Apesar de não ter ganho o Óscar de melhor realizador, dirigiu vários actores que o conquistaram, como Gregory Peck, nesse filme de 1962, em que desempenha o papel de um advogado que defende um homem negro acusado de violar uma mulher branca. Este filme adapta ao cinema um livro de Harper Lee, “Por Favor Não Matem a Cotovia”, premiado com o Prémio Pulitzer. O seu irmão mais velho era o actor Richard Mulligan. Quanto a Robert, nascido a 23 de Agosto de 1925, iniciou-se na realização nos programas televisivos transmitidos em directo de Nova Iorque, no início da década de 1950, como Studio One e Playhouse 90, antes de se estrear no cinema em 1957, com Fear Strikes Out.
Discreto, com tendência a desaparecer por trás do seu trabalho, não terá recebido a aclamação de outros realizadores seus contemporâneos, e que também iniciaram a carreira na televisão, como Sidney Lumet, Arthur Penn e John Frankenheimer. "Dá-se demasiada atenção aos realizadores, o que é agradável mas exagerado", disse numa entrevista ao jornal nova-iorquino Village Voice, em 1978.
Os seus filmes eram mais populares entre o público frequentador das salas de cinema do que entre os críticos, que o acusavam de não ter um estilo próprio.
No entanto, o realizador francês François Truffaut era um admirador confesso de Mulligan, defendendo-o dos que consideravam que o americano não tinha um estilo.
O próprio Mulligan respondia a estas críticas: "Não sei o que possa ser 'o estilo Mulligan'", disse ele na mesma entrevista ao Village Voice em 1978. "Se não o descobrem, bem, esse é o vosso trabalho", atirou, em jeito de resposta aos críticos.
A qualidade do seu trabalho com actores foi reconhecida por vários Óscares, mas é recordado também por ter entrevistado pessoalmente 500 jovens estudantes de liceu de Nova Iorque, em audições para o filme Up the Down Staircase. Robert Mulligan começou na televisão, nos anos 50, e tinha entre os seus admiradores o francês François Truffaut.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Globo exporta seriados para Moçambique

Depois de vender A Diarista para Equador e Malásia e Globo DOC - série de documentários sobre a fauna e flora brasileira - para Geórgia e Uruguai, a Globo Internacional fechou a venda de séries para Moçambique.

Para Moçambique, o produto vendido foi A Grande Família. A série foi comprada pela Televisão Independente de Moçambique, TIM, e entrará na programação do canal no final de dezembro como a grande aposta da emissora.

Também chegam a Moçambique as séries A Diarista e Antónia, pela STV-Soico, um dos principais grupos de comunicação do país.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Cinema: Fugindo dos mafiosos

O filme “Gomorra”, baseado no livro homônimo, virou best-seller em 43 países e um marco do actual cinema italiano, estando já na lista dos favoritos do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009.

O seu autor, o jornalista Roberto Saviano, escondido e protegido por escolta policial desde 2006, quando lançou o livro na Itália, foi ameaçado de morte e corre o risco de não comemorar o Natal este ano. A Camorra italiana, organização criminosa sediada em Nápoles com ramificações em todo o mundo, prometeu matá-lo até o dia 25, colocando um ponto final na sua carreira.

A leitura de Gomorra - paronímia que aproxima a cidade bíblica dos pecadores da Camorra italiana - deve ser feita preferencialmente com um balão de oxigênio por perto. O ar é fétido, irrespirável, desde o primeiro parágrafo, em que Saviano descreve uma cena apocalíptica. Nela, um contêiner balança no porto de Nápoles enquanto a grua se desloca para o navio. Do seu interior desabam corpos congelados de chineses, cujos documentos devem ter passado às mãos de compatriotas, igualmente explorados pela Máfia chinesa, que, segundo Saviano, trabalha em sociedade com a Camorra. E apresenta dados de tirar o fôlego: 20% das importações têxteis da China passam pelo porto de Nápoles, onde 60% das mercadorias escapam do controle aduaneiro. É também em Nápoles, segundo ele, que opera o maior armador do Estado chinês, que administra o maior terminal de contentores napolitano em sociedade com empresários suíços, donos da segunda maior frota de navios do mundo.

Bastaria essa denúncia para Saviano ser ameaçado pela Camorra. Apesar do apoio público que recebeu de escritores como o anglo-indiano Salman Rushdie e do vencedor do Nobel Orhan Pamuk, o destino de Saviano parece mesmo selado desde o dia em que se infiltrou entre os camorristas para descobrir como funcionava a máfia napolitana. Ele descobriu uma organização envolvida tanto no tráfico de drogas como no despejo clandestino de resíduos químicos, além dos rotineiros crimes de vingança que envolvem famílias camorristas e seus dissidentes. No ramo "empresarial", a Camorra comandaria ainda a construção civil na Itália, a fabricação de leite adulterado, a importação de fuzis Kalashnikov e até o tráfico de moldes das grifes européias para a China dos falsificadores. Nada mais globalizado que o crime organizado.