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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Albufeira de Cahora Bassa: Saia Para Fora, Cá Dentro

O Director do Turismo na província de Tete, Rafael Funzamo, diz que as autoridades estão a trabalhar seriamente na atracção mais investidores, através da divulgação das principais potencialidades turísticas daquela região do centro de Moçambique. E o Turismo Cinegético, sobretudo na Albufeira de Cahora Bassa, é um dos polos para o qual estão a ser convidados os investidores, uma vez que aquele recurso está praticamente inexplorado.

Criada em 1975 e localizada no troço terminal do médio Zambeze, com uma capacidade de armazenamento de água máxima de 65 quilómetros cúbicos e um volume útil de 52 quilómetros cúbicos, 270 quilómetros de comprimento e 30 de largura máxima e uma superfície de inundação de 2 900 quilómetros quadrados ao nível de máxima cheia, a Albufeira de Cahora Bassa, é, assim, “Gigante” adormecido que Tete detém e que, bem aproveitado, atrairia os amantes do turismo do interior e, também, os fãs da pesca desportiva.

O potencial da Albufeira de Cahora Bassa criou um volume de água doce que constitui um manancial para o desenvolvimento de um ecossistema que integra uma enorme variedade de animais aquáticos, desde os de grande porte como crocodilos e hipopótamos, até ao famoso peixe kapenta ( ou a chamada sardinha do Lago Tanganica). O kapenta corresponde a uma pescaria industrial com enorme valor económico na região. Paralelamente, existem outras espécies de peixe de importância comercial, como é o caso de pende (Tilápia).

A área de inundação da Albufeira de Cahora Bassa apresenta características peculiares em termos de distribuição irregular da massa de água, bastante recortada e com inúmeras saliências e reentrâncias. A vastidão das suas reentrâncias caracteriza autênticas baías com um potencial de desenvolvimento do ecossistema aquático de grande relevância para o uso e aproveitamento para a pesca artesanal, semi-industrial e industrial, recreação, turismo e caça.

Actualmente, a margem sul da albufeira apresenta-se com um potencial enorme de áreas de reservas, como é o caso da região de Bawa, com destaque para o projecto Tchuma Tchatu (em língua local, “Nhungwe”, A nossa riqueza), e o Kafukudzi Camp. Na margem norte, próximo da Vila do Zumbu, existe o complexo Chawalo Safari.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tete: O Kudeca saiu de cena. Actores 5 estrelas sobem ao palco

O emblemático “Cine Esplanada Kudeca”, sala de cinema ao ar livre da cidade de Tete, erguida em meados da década 70, está a ser destruido para, no seu lugar, ser erguido um hotel 5 estrelas, propriedade do Grupo Hotel Vip.

O “Kudeca”, cujas obras de construção iniciaram depois do 25 de Abril de 1974, resultado de uma réplica de um estabelecimento idêntico localizado em Luanda, a capital angolana, foi concluído e inaugurado no dia 25 de Junho de 1975, dia da independência de Moçambique.

Isaías Marrão, um dos sócios-administradores de “Kudeca”, disse que o objectivo para o qual foi erguido foi ofuscado, tal como aconteceu com outras salas de cinema pelo país fora, pela “invasão” e massificação da televisão em Moçambique. As tentativas para contornar o problema, através da exibição de eventos culturais, não conseguiram inverter a fuga de espectadores.

A história do “Kudeca”

“A ideia da construção de Kudeca, não foi minha, mas sim da Moçambique Filmes, pertença de um empresário ligado ao Vaticano e que tinha casas de cinemas em Angola e em Moçambique. Nos meados da década 70 lembrou-se então de fazer em Tete o “Kudeca”, igual a um outro construído na capital angolana. Convidou várias personalidades de Tete incluindo a mim, para idealizar o projecto e foi assim que o construímos, no tempo recorde de cerca de um ano. No dia 25 de Junho de 1975 inauguramos o recinto”, disse Isaías Marrão.

Em 1978, o “Cine Esplanada Kudeca” foi, tal como outras salas de cinema, nacionalizado pelo Governo, o que fez com que a sociedade “Kudeca” quase sumisse, vendendo as suas acções a Marrão.

“Foi assim que o Instituto Nacional de Cinema na altura representando o Governo, enviou dois indivíduos a Tete que chegaram a minha casa e me pediram as chaves do cinema e os entreguei. Foi desta maneira que tomaram conta do cinema. Mas porque a direcção toda do Kudeca ainda se encontrava coesa e constituída por moçambicanos, indagamos pelo procedimento, trocando correspondências com o governo provincial e central numa autentica guerra que levou cerca de 14 anos”, explicou Isaías Marrão, um dos sócios administradores do então “Cine Esplanada Kudeca”.

O que agora deixará de ser “Kudeca” está situado num terreno paisagisticamente privilegiado, donde se pode observar o nascer do sol, reflectido sobre as aguas do rio Zambeze e a Ponte Samora Machel.

As cercas de 720 cadeiras de madeira valiosa foram oferecidas ao Conselho Municipal da Cidade de Tete.