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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Índia: eleitora de 105 anos

Mulher de 105 anos deixa assembleia de voto na cidade de Varanasi, no norte da Índia, nesta quinta-feira.

Entre combates, tensões regionais, miséria e negócios milionários, a maior democracia do mundo começou ontem, 16, a escolher um novo governo.

Só no primeiro dia votaram cerca de 143 milhões de eleitores, mas foi a violência que se destacou num dia em que o governo indiano excluiu os franceses da Dassault dum negócio multimilionário para a aquisição de 126 aviões de combate, valendo nove mil milhões de euros.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Filmamos no bairro da lata


"Quem Quer Ser Bilionário?", o filme de Danny Boyle que parece cada vez mais ser um dos grandes favoritos para os Óscares. O Diario de Noticias de Portugal falou com o realizador, sobre esta esta experiência indiana.
A entrevista foi publicada na edicao desta quarta-feira, 4 de fevereiro.

Como definiria a cidade de Bombaim?
A cidade é construída sobre dois grandes pilares. Um é o negócio, em Nova Iorque: toda a gente está a fazer algum negócio, incluindo os mais pobres. O outro é o sonho, a dança dos filmes de Bollywood. É tudo isso que lhe dá a sua energia tão especial.
Houve alguns filmes sobre a Índia que lhe tivessem servido de referência ou inspiração?
Vi alguns filmes (que não mencionarei) que detestei e, de alguma maneira, foram uma grande ajuda: tinham precisamente o que eu não queria fazer. Aliás, faço questão em dizer que eu fiz um filme desses chamado, na Tailândia [produção de 2000, com Leonardo DiCaprio ]. Levei uma equipa de 150 pessoas, ocidentais, e eram um exército invasor: chegam e limitam-se a fazer o filme que já levam na cabeça. Desta vez, levámos umas dez pessoas e, no essencial, fizemos tudo com uma equipa de Bollywood. Não faz sentido encarar as coisas com o olhar ocidental, julgando que a cidade não funciona: de facto, funciona, mas não de acordo com os nossos padrões. É preciso saber utilizar isso. E foram 20 horas por dia...
Qual foi o papel de Loveleen Tandan, a co-realizadora do filme?
Na origem, ela era directora de.E convém lembrar que esse foi um processo muito demorado, quanto mais não seja porque cada uma das duas personagens principais tem três intérpretes. Daí que tenha estabelecido com ela uma relação muito para além do, envolvendo também o argumento e as suas opções. Acabou por funcionar minha consultora: ajudou-me imenso a corrigir os erros que o argumento continha, erros resultantes de um olhar ocidental. Além do mais, Loveleen é alguém que tem a ambição de vir a realizar filmes e, neste caso, acabei mesmo por lhe entregar a direcção da segunda equipa de filmagens.O modo de filmagem tem algo de documental.
Como foi, em particular, o tratamento do som?
O som em Bombaim é um fenómeno incrível de camadas e camadas... É o tipo de som que não é possível fabricar em estúdio. Claro que podíamos sempre corrigir uma ou outra fala dos actores, mas o ruído tem infinitos contrastes. Por exemplo, na confusão do trânsito, ao contrário do que estamos habituados, quem conduz está-se nas tintas para quem vem atrás; por isso mesmo, quem vem atrás tem por obrigação buzinar, de três em três segundos, para lembrar ao da frente que está ali. Bip! Bip! nós, quando ouvimos aquilo a primeira vez, temos a tradicional reacção ocidental de agressividade: "Que é que o fulano quer?" Mas depois percebemos que é apenas uma questão de delicadeza: "Lembra-te que eu estou aqui!"
Seja como for, os modos de filmagem não foram típicos de Bollywood.
A atitude normal em Bollywood é: "Querem um bairo da lata? Então construímos o bairro da lata no estúdio." Mas neste caso a atitude era: "Queremos filmar no próprio bairro da lata." E filmámos mesmo, incluindo na zona imensa onde são lançados os excrementos. Houve mesmo um elemento da equipa de som que caíu na vala... A dimensão britânica do filme passa por esse realismo: porque eu sou britânico, claro, mas também porque a nossa tradição é mais realista. Em Bollywood, estão-se nas tintas: o que conta é o sonho. Por alguma razão, os realizadores são conhecidos como "mercadores de sonhos".

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Direitos das obras de Gandhi já são de domínio público

As obras literárias de Mahatma Gandhi, o ícone da luta pela libertação da Índia do domínio colonial britânico, devem entrar para o domínio público este mês, quando terminar a vigência dos direitos autorais sobre os seus escritos e discursos. Qualquer pessoa poderá então publicar os escritos e discursos do líder legendário, conhecido como "pai da nação", já que o direito sobre eles termina 60 anos após a sua morte.

Gandhi, pioneiro da filosofia de resistência não violenta à ocupação britânica da Índia, foi assassinado por um radical hindu em 30 de janeiro de 1948 em Nova Délhi. Gandhi entregou as suas obras à Fundação Navajivan, de Gujarat, que ele próprio fundou, mas, segundo a Lei de 1957 sobre copyright, as obras de uma pessoa entram para o domínio público 60 anos após a sua morte. Os responsáveis pela fundação disseram que, com base na filosofia de Gandhi, não querem pedir ao governo indiano a extensão dos direitos autorais. "Considerando o espírito do pensamento de Gandhi, não se deve pedir essa extensão. Já reflectimos sobre a questão e não vamos pedir a extensão", disse à Reuters Television Jitendra Desai, curador administrativo da Fundação Navajivan.

Desde sua criação, a fundação já publicou cerca de 300 volumes das obras de Gandhi, incluindo artigos, cartas, discursos e traduções da sua autobiografia. Embora Gandhi tenha entregue os direitos autorais das suas obras à fundação, ele próprio nunca subscreveu a idéia do copyright. "Gandhi nunca apoiou a idéia do direito autoral. Mas, devido a algumas instâncias em que as suas idéias foram mal interpretadas, ele foi obrigado a ceder à insistência daqueles que o prezavam e o exortavam a proteger as suas obras com direito autoral", disse outro membro da fundação, Amrut Modi.

Os estudiosos de Gandhi querem que o direito autoral seja reativado pelo governo, temendo que o uso livre das suas obras possa levar outras editoras a fazer interpretações equivocadas dos seus textos. "Quando o copyright terminar, os preços das obras certamente vão subir. A tarefa de levar o pensamento de Gandhi ao povo também pode ser prejudicada", disse Dhimant Badiya, estudioso de Gandhi em Ahmedabad. De qualquer maneira, a Fundação Navajivan vai continuar a publicar as obras de Gandhi a preços subsidiados, mesmo depois do fim do direito autoral.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Ativistas tentam libertar homem preso por criar ursa na Índia

ÍNDIA - Essa deveria ser uma história sobre um homem que levou uma ursa malaia órfã para casa e a tratou como parte da família - um consolo para a filha que havia perdido a mãe recentemente.

Mas quando as autoridades sanitárias viram a história, num jornal local, ela virou uma tragédia. Ram Singh Munda, de 35 anos, foi preso por violar as leis de protecção à vida selvagem, a ursa enviada ao zoológico, onde se recusa a comer, e a filha dele ,de seis anos, encaminhada a um orfanato.
Agora os activistas, impressionados com a compaixão de Munda, tentam libertá-lo e reunir a família. "Nós recriminamos a maneira como as autoridades lidaram com a situação, prendendo o pobre homem analfabeto que não sabia das proibições do governo", disse Jiban Ballav Das, líder da ONG Pessoas Pelos Animais.
Munda, funcionário das tribos indígenas que vivem na floresta 200 km a norte da capital do Estado Bhubaneswar, afirmou que encontrou a bebê ursa no ano passado enquanto procurava lenha.
Ele levou o animal para casa, baptizou de Rani, ou Rainha, e ela se tornou integrante da família, que ainda lutava para superar a morte da mulher de Munda no ano anterior.
Imagens na TV local mostraram o urso com a sua filha, Dulki, tentando subir na bicicleta do pai. As autoridades viram as imagens e prenderam Munda na semana passada por quebrar as leis que protegem a vida selvagem. Caso seja condenado, ele pode passar até três anos na prisão.(X)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Índia planea construir "Estátua da Liberdade" própria

O governo do Estado indiano de Maharashtra declarou que planea contruir uma estátua em frente à costa de Mumbai para competir com a Estátua da Liberdade, de Nova Iorque.
A estátua será do rei guerreiro maratha Shivaji, considerado um herói em Maharashtra por ter desafiado as forças britânicas e do Império Mugal.
A estátua será erguida numa ilha artificial a ser construída, que vai incluir ainda uma biblioteca, um museu e um anfiteatro.
Críticos afirmam que, ao custo de US$ 4,5 milhões, o projecto é muito caro. Eles afirmam que o governo do Estado tem preocupações mais importantes como a crise de alimentos, água e energia, além do alto nível de suicídio entre os camponeses da região.
Os planos também foram descritos como uma tentativa de conquistar apoio local para as eleições do ano que vem, já que o rei é venerado na região.
Vishal Dhage, um representante do governo local, disse que a estátua teria altura semelhante à da Estátua da Liberdade que, com a base, mede 92,96 metros.
Segundo Dhage, o governo vem planeando a construção da estátua há mais de três anos e um comitê selecionou o local em frente à Marine Drive, uma região conhecida como o Colar da Rainha devido à iluminação das ruas.
Os detalhes da construção da ilha ainda têm que ser definidos, mas o ministro chefe Vilasrao visitou o local na segunda-feira e reiterou as promessas de que a estátua seria eventualmente erguida.
O ministro afirmou que, quando pronta, a estátua seria um importante ponto turístico com shows de luzes e sons explicando a importância do rei guerreiro.
Representantes do governo disseram que a estátua será feita em bronze e deverá ser construída por um escultor especializado em estátuas do rei Shivaji.
Herói
Há várias estátuas de Shivaji montado a cavalo empunhando uma espada em locais importantes de Mumbai, a capital financeira e da indústria do cinema indiano.
O rei é um ícone adoptado pelo grupo militante direitista Shiv Sena, de Maharashtra, que defende a maior promoção dos direitos para os "locais" no Estado, em vez dos "forasteiros".
Shivaji reinou entre 1674 e 1680, e as suas acções contra o exército Mogul fizeram dele um herói em vida e uma entidade no oeste da Índia após a sua morte.
O seu exército - muito menor do que os de seus inimigos - era conhecido por usar tácticas de guerrilha. O rei construiu centenas de fortes no Estado, inclusive no mar.
Com a morte de Shivaji, a influência do Estado foi reduzida drasticamente no oeste da Índia.(X)