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terça-feira, 22 de julho de 2008

Estados Unidos: Lista antiterror reúne 1 milhão

Cantor Yusuf Islam, ex-Cat Stevens, um dos "suspeitos"

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Julgamento do primeiro processo em Guantánamo começa segunda-feira

WASHINGTON (AFP) - Um juiz federal decidiu nesta quinta-feira, em Washington, que o processo de Salim Hamdan, ex-motorista de Osama bin Laden, deve começar na próxima segunda-feira, como estava previsto ante um tribunal de excepção de Guantánamo (Cuba), depois que a defesa pediu um adiamento.
O processo de Hamdan, acusado de "complô e apoio material ao terrorismo", é o primeiro a ser realizado segundo os procedimentos de excepção estabelecidos pela administração de George W. Bush.
A defesa considera injusto que o julgamento se realize ante a comissão militar formada num tribunal de excepção para a ocasião.
Esta semana, Hamdan afirmou ter sido humilhado por uma mulher durante um interrogatório e fez referências a outros maus-tratos.
Segundo jornalistas norte-americanos presentes em Guantánamo para acompanhar o caso, Salim Hamdan narrou como foi humilhado por uma mulher presente no seu interrogatório.
"Ela se aproximou de mim, com todo o seu corpo, e tocou na minha coxa", contou ele ao Washington Post. "Eu não podia fazer nada, pois tinha medo dos soldados".
O iemenita, que está há mais de seis anos em Guantánamo, contou ainda ao New York Times, que, quando foi levado ao campo, os soldados o vendaram e imobilizaram o seu corpo numa posição que agravou um ferimento que tinha nas costas. "A dor era tão intensa que nem tenho como descrever", explicou.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Mandela, aos 90 anos, já não é terrorista para os EUA


Por: Edmundo Galiza Matos

No passado sábado, (28, junho), uma notícia, daquelas que os editores de jornais e outros meios de comunicação social atiram para as páginas do interior ou para espaços pouco frequentados por leitores ou ouvintes, uma notícia (dizia eu), chamou-me a atenção pelo cinismo que carregava e, pior ainda, vinda de um país com tradições humanistas mais que insuspeitas.
Tal notícia anunciava que o Congresso dos Estados Unidos tinha aprovado na sexta-feira uma iniciativa para tirar o ex-presidente sul-africano
Nelson Mandela da sua lista de terroristas
Que o projecto foi enviado à Casa Branca para sua promulgação; que para o senador John Kerry, um dos promotores da iniciativa, a aprovação daquele projecto, finalmente, retiraria Nelson Mandela da lista negra dos Estados Unidos; que a iniciativa vai ajudar a apagar a enorme vergonha de ter desonrado aquele grande líder.
Esta semana, finalmente, a lei foi aprovada pelo Presidente George W. Bush: Nelson Mandela já não é terrorista aos olhos dos Estados Unidos.
No que considero um insulto da pior espécie para o herói africano, os promotores da retirada de Mandela da lista do governo americano afirmam que a sua iniciativa (passo a citar) “representa um bom presente para Mandela, que completará 90 anos no dia 18 de julho”.
A história desta prenda, para quem acompanha as actividades do Madiba Mandela, começa a 10 de Abril passado, quando a poderosa secretária de Estado, Condoleezza Rice, pediu que restrições consideradas de "embaraçosas" e que impedem a entrada nos Estados Unidos do ex-presidente Nelson Mandela e de outros líderes sul-africanos sejam suspensas. Ora vejamos: O ex-presidente Bill Clinton fez questão de estar presente, em 1994, na tomada de posse de um terrorista chamado Nelson Mandela na presidência da Africa do Sul; e, o que deve ter embaraçado muito a CIA, este terrorista aos olhos do governo dos Estados Unidos, foi por pelo menos uma vez, recebido na Casa Branca pelo mais importante representante do povo americano.
O actual presidente da nação mais poderosa do mundo, George W. Bush de seu nome, certamente que já se encontrou e conversou com o terrorista Nelson Mandela e, ao que consta, não vê nada de mal em apoiar os programas sociais de uma fundação que ostenta o nome do considerado do pai da nação sul-africana.
Bill Clinton, esse, até sexta-feira passada pelo menos, continuava a apoiar o terrorista Nelson Mandela nas suas iniciativas de combate à Sida em África e a favor das crianças.
Chamo a atenção para o facto de que actualmente, qualquer membro do Congresso Nacional Africano, ANC, precisa de uma permissão especial para entrar nos Estados Unidos.
Aliás, os Estados Unidos da América, possuem uma representação diplomática ao mais alto nível, numa África do Sul, cujo presidente, Thabo Mbeki, consta da lista de terroristas elaborada por Washington. Será?
Vale a pena recordar aqui a definição de terrorista feita em 2001 pelo Embaixador británico na ONU, Jeremy Greenstock. Dizia ele então que “O terrorista é aquele que usa a violência indiscriminadamente para matar e causar danos a fim de fazer um pronunciamento político ou cultural e para influenciar de forma injusta e imoral a opinião pública de governos legítimos”.
Pelos vistos, Nelson Mandela, para os Estados Unidos, cabia perfeitamente nesta definição do diplomata britânico. Pelo menos até sexta-feira passada. Será?
Que ninguém fique surpreso se, daqui há alguns anos, quando Robert Mugabe completar os seus 90 anos, os governos norte-americano e britânico, derem como presente ao actual presidente do Zimbabwe, as mais altas condecorações nos seus respectivos países. "Herói na luta contra o neo-colonialismo britânico". Será?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Seis anos de Guantánamo

Depois de quase seis anos, centenas de prisioneiros da "guerra contra o terrorismo" estão imersos em um verdadeiro buraco negro na prisão naval de Guantánamo:

-- 2001 --
-- 11 de setembro: ataques nos EUA deixam quase 3.000 mortos.
-- 18 de setembro: Congresso autoriza o presidente americano a usar a força contra os países, organizações e indivíduos envolvidos.
-- 13 de novembro: George W. Bush prevê a criação de tribunais militares de exceção para julgar "combatentes inimigos".


-- 2002 --
-- 11 de janeiro: Os primeiros prisioneiros, descritos como "assassinos dentre os mais treinados e ferozes do planeta", chegam à base naval na Baía de Guantánamo, em Cuba.
-- 7 de fevereiro: O governo americano diz que as Convenções de Genebra não se aplicam a Guantánamo.


-- 2003 --
-- 18 de dezembro: Uma corte de apelação federal ordena que os detidos tenham acesso a um advogado.


-- 2004 --
-- 28 de junho: O Supremo Tribunal permite aos prisioneiros contestar sua detenção perante um tribunal federal dos EUA.
-- 30 de julho: O governo reage através da criação de "comissões militares de revisão" (CSRT).


-- 2005 --
-- 30 de dezembro: promulgação de uma lei que permite aos presos contestar os CSRT perante um tribunal em Washington.


-- 2006 --
-- 10 de junho: Três presos cometem suicídio em suas celas.
-- 29 de junho: a Suprema Corte invalida os tribunais militares de exceção, alegando que o presidente ultrapassou os seus poderes.
-- 12 de julho: Bush ordena a aplicação das Convenções de Genebra em Guantánamo.
-- Outubro de 17: promulgação de uma lei que cria novos tribunais militares de exceção.


-- 2007 --
-- 10 de março: É apresentado ante uma comissão CSRT Khaled Sheikh Mohammed (KSM), o suposto "cérebro" do 11 de setembro, transferido 6 meses antes de uma prisão secreta da CIA, acusado de trinta atos terroristas.


-- 2008 --
-- 5 de junho: KSM e quatro acusados de terem organizado o 11 de setembro são levados ante um juiz militar. Nenhum julgamento de fato se inicia
-- 12 de junho: O Supremo Tribunal entende que a Constituição garante os direitos dos detidos. Mais de 800 prisioneiros já passaram pela base e cerca de 270 ainda estão presos, dos quais mais de dois terços em isolamento nas zonas de alta segurança.