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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Julgamento do primeiro processo em Guantánamo começa segunda-feira

WASHINGTON (AFP) - Um juiz federal decidiu nesta quinta-feira, em Washington, que o processo de Salim Hamdan, ex-motorista de Osama bin Laden, deve começar na próxima segunda-feira, como estava previsto ante um tribunal de excepção de Guantánamo (Cuba), depois que a defesa pediu um adiamento.
O processo de Hamdan, acusado de "complô e apoio material ao terrorismo", é o primeiro a ser realizado segundo os procedimentos de excepção estabelecidos pela administração de George W. Bush.
A defesa considera injusto que o julgamento se realize ante a comissão militar formada num tribunal de excepção para a ocasião.
Esta semana, Hamdan afirmou ter sido humilhado por uma mulher durante um interrogatório e fez referências a outros maus-tratos.
Segundo jornalistas norte-americanos presentes em Guantánamo para acompanhar o caso, Salim Hamdan narrou como foi humilhado por uma mulher presente no seu interrogatório.
"Ela se aproximou de mim, com todo o seu corpo, e tocou na minha coxa", contou ele ao Washington Post. "Eu não podia fazer nada, pois tinha medo dos soldados".
O iemenita, que está há mais de seis anos em Guantánamo, contou ainda ao New York Times, que, quando foi levado ao campo, os soldados o vendaram e imobilizaram o seu corpo numa posição que agravou um ferimento que tinha nas costas. "A dor era tão intensa que nem tenho como descrever", explicou.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Amnistia exibe réplica de cela de Guantánamo diante da Casa Branca

WASHINGTON (AFP) - A Amnistia Internacional lançou nesta quarta-feira uma nova campanha para que o governo americano feche a sua prisão em Guantánamo, exibindo diante da Casa Branca uma réplica exacta de uma das suas celas.
A cela de isolamento, de 3 metros de profundidade por 2 de largura, idêntica às que abrigam dois terços dos presos detidos na base americana de Guantánamo (Cuba), "é uma forma de mostrar aos americanos a injustiça em tamanho real", explicou Gwen Fitzgerald, porta-voz da Amnistia Internacional (AI).
Quem visita a cela, armada sob o monumento de Washington, muito frequentado por turistas, pode experimentar "o que sentem aqueles que ficam fechados 22 horas por dia numa caixa, sem ter sido julgado e sem saber quando será libertado", disse Larry Cox, presidente da AI nos EUA.
Dentro da cela, uma câmera permite que o "visitante" grave uma mensagem para o presidente George W. Bush, que depois será exibida no site da AI.
Os Estados Unidos ainda mantêm cerca de 270 prisioneiros da sua chamada "guerra ao terror" na base de Guantánamo. A maioria está lá há anos, sem acusação formal e em condições de isolamento.
Pelo menos 800 homens e adolescentes passaram pela prisão desde a sua inauguração, em janeiro de 2002.
A Human Rights First, organização americana de defesa dos direitos humanos, divulgou um relatório em março no qual afirma que "a utilização de provas obtidas sob tortura e o tratamento desumano são onipresentes e sistemáticos com os prisioneiros de Guantánamo".

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Seis anos de Guantánamo

Depois de quase seis anos, centenas de prisioneiros da "guerra contra o terrorismo" estão imersos em um verdadeiro buraco negro na prisão naval de Guantánamo:

-- 2001 --
-- 11 de setembro: ataques nos EUA deixam quase 3.000 mortos.
-- 18 de setembro: Congresso autoriza o presidente americano a usar a força contra os países, organizações e indivíduos envolvidos.
-- 13 de novembro: George W. Bush prevê a criação de tribunais militares de exceção para julgar "combatentes inimigos".


-- 2002 --
-- 11 de janeiro: Os primeiros prisioneiros, descritos como "assassinos dentre os mais treinados e ferozes do planeta", chegam à base naval na Baía de Guantánamo, em Cuba.
-- 7 de fevereiro: O governo americano diz que as Convenções de Genebra não se aplicam a Guantánamo.


-- 2003 --
-- 18 de dezembro: Uma corte de apelação federal ordena que os detidos tenham acesso a um advogado.


-- 2004 --
-- 28 de junho: O Supremo Tribunal permite aos prisioneiros contestar sua detenção perante um tribunal federal dos EUA.
-- 30 de julho: O governo reage através da criação de "comissões militares de revisão" (CSRT).


-- 2005 --
-- 30 de dezembro: promulgação de uma lei que permite aos presos contestar os CSRT perante um tribunal em Washington.


-- 2006 --
-- 10 de junho: Três presos cometem suicídio em suas celas.
-- 29 de junho: a Suprema Corte invalida os tribunais militares de exceção, alegando que o presidente ultrapassou os seus poderes.
-- 12 de julho: Bush ordena a aplicação das Convenções de Genebra em Guantánamo.
-- Outubro de 17: promulgação de uma lei que cria novos tribunais militares de exceção.


-- 2007 --
-- 10 de março: É apresentado ante uma comissão CSRT Khaled Sheikh Mohammed (KSM), o suposto "cérebro" do 11 de setembro, transferido 6 meses antes de uma prisão secreta da CIA, acusado de trinta atos terroristas.


-- 2008 --
-- 5 de junho: KSM e quatro acusados de terem organizado o 11 de setembro são levados ante um juiz militar. Nenhum julgamento de fato se inicia
-- 12 de junho: O Supremo Tribunal entende que a Constituição garante os direitos dos detidos. Mais de 800 prisioneiros já passaram pela base e cerca de 270 ainda estão presos, dos quais mais de dois terços em isolamento nas zonas de alta segurança.