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sábado, 19 de julho de 2008

"Patrões precisam-se", eis o anúcio que falta

Todos quantos se interessem por questões relacionadas à formação profissional, concordarão comigo que hoje, mais do que nos anos seguintes à independência nacional, o país debate-se desesperadamente por possuir gente bem formada e, preferencialmente, gente empreendedora.

Com a primazia das novas tecnologias e os desafios a elas inerentes, a actual ênfase que se dá à luta contra a pobreza absoluta não se compadece com políticas de ensino e formação profissionais apenas projectadas para “atirar cá para fora” individuos cuja perspectiva pessoal imediata é, simplesmente, procurar emprego, casar e constuir família.
Quer isto dizer que aos alunos e aos formandos deve-se-lhes fornecer ferramentas básicas mas fundamentais que não apenas o saber: idéiais, iniciativas e empreendedorismo.
Empreendedorismo visto aqui como sendo aquela capacidade de, perante um mercado de trabalho que oferece poucas oportunidades de emprego, gerar e pôr em prática idéias e iniciativas de auto-emprego.
Por outras palavras, e não tenhamos medo de o dizer, os nossos sistemas de ensino e formação profissionais, devem insuflar e até inflacionar o nosso mercado de trabalho, com gente preparada para se empregar a si próprio e dar emprego. Ou seja: queremos patrões, de preferência honestos, é preciso que se diga.
Portanto, seria desejável que nos nossos jornais se publicassem anúncios não só de oferta de emprego mas também de auto-emprego. Gênero: Patrões, procuram-se.
É verdade que é vocação dos centros de formação profissional e outras dotar os individuos de conhecimentos para as exigências dos ramos para os quais são treinados, não estando sob a alçada daquelas instituições procurar e dar emprego aos seus graduados. Mas é igualmente verdade que esses graduados devem sair dos bancos dos laboratórios, das oficinas, etc, também com o fito de, não encontrando colocação no mercado laboral, se “desenrrascar” (passe a expressão), nem que seja debaixo de um cajueiro, tendo sempre presente que a meta é ser um empreender bem sucedido à custa unicamente do seu suor e em paz consigo próprio.
Perguntar-nos-emos: quais então as entidades que mandariam publicar nos jornais ou folhetos anúncios do tipo: “Patrões, procuram-se?”.
Confesso que não sei. Os Bancos? Ou alguma instituição pública?
Uma, ambas e outras, dotadas de capacidade para conceder créditos bonificados aos candidatos a patrões, não seria uma saída?
Sei que estou pr`a aqui a divagar. A sonhar alto, se quiserem... Mas de uma coisa estou certo e baseando-me numa reportagem passada aqui mesmo na Rádio Moçambique: jovens de uma instituição de ensino superior, após a cerimónia de graduação, disseram que, ganha a batalha da formação, a sua luta daí em diante era, nada mais nada menos, que procurar emprego, depois constituir família e, se Deus quiser, fabricar filhos, filhos que, a pensarem como os progenitores, serão eles também futuros empregados.
Este é o sonho da maioria dos nossos graduados.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Mandela, aos 90 anos, já não é terrorista para os EUA


Por: Edmundo Galiza Matos

No passado sábado, (28, junho), uma notícia, daquelas que os editores de jornais e outros meios de comunicação social atiram para as páginas do interior ou para espaços pouco frequentados por leitores ou ouvintes, uma notícia (dizia eu), chamou-me a atenção pelo cinismo que carregava e, pior ainda, vinda de um país com tradições humanistas mais que insuspeitas.
Tal notícia anunciava que o Congresso dos Estados Unidos tinha aprovado na sexta-feira uma iniciativa para tirar o ex-presidente sul-africano
Nelson Mandela da sua lista de terroristas
Que o projecto foi enviado à Casa Branca para sua promulgação; que para o senador John Kerry, um dos promotores da iniciativa, a aprovação daquele projecto, finalmente, retiraria Nelson Mandela da lista negra dos Estados Unidos; que a iniciativa vai ajudar a apagar a enorme vergonha de ter desonrado aquele grande líder.
Esta semana, finalmente, a lei foi aprovada pelo Presidente George W. Bush: Nelson Mandela já não é terrorista aos olhos dos Estados Unidos.
No que considero um insulto da pior espécie para o herói africano, os promotores da retirada de Mandela da lista do governo americano afirmam que a sua iniciativa (passo a citar) “representa um bom presente para Mandela, que completará 90 anos no dia 18 de julho”.
A história desta prenda, para quem acompanha as actividades do Madiba Mandela, começa a 10 de Abril passado, quando a poderosa secretária de Estado, Condoleezza Rice, pediu que restrições consideradas de "embaraçosas" e que impedem a entrada nos Estados Unidos do ex-presidente Nelson Mandela e de outros líderes sul-africanos sejam suspensas. Ora vejamos: O ex-presidente Bill Clinton fez questão de estar presente, em 1994, na tomada de posse de um terrorista chamado Nelson Mandela na presidência da Africa do Sul; e, o que deve ter embaraçado muito a CIA, este terrorista aos olhos do governo dos Estados Unidos, foi por pelo menos uma vez, recebido na Casa Branca pelo mais importante representante do povo americano.
O actual presidente da nação mais poderosa do mundo, George W. Bush de seu nome, certamente que já se encontrou e conversou com o terrorista Nelson Mandela e, ao que consta, não vê nada de mal em apoiar os programas sociais de uma fundação que ostenta o nome do considerado do pai da nação sul-africana.
Bill Clinton, esse, até sexta-feira passada pelo menos, continuava a apoiar o terrorista Nelson Mandela nas suas iniciativas de combate à Sida em África e a favor das crianças.
Chamo a atenção para o facto de que actualmente, qualquer membro do Congresso Nacional Africano, ANC, precisa de uma permissão especial para entrar nos Estados Unidos.
Aliás, os Estados Unidos da América, possuem uma representação diplomática ao mais alto nível, numa África do Sul, cujo presidente, Thabo Mbeki, consta da lista de terroristas elaborada por Washington. Será?
Vale a pena recordar aqui a definição de terrorista feita em 2001 pelo Embaixador británico na ONU, Jeremy Greenstock. Dizia ele então que “O terrorista é aquele que usa a violência indiscriminadamente para matar e causar danos a fim de fazer um pronunciamento político ou cultural e para influenciar de forma injusta e imoral a opinião pública de governos legítimos”.
Pelos vistos, Nelson Mandela, para os Estados Unidos, cabia perfeitamente nesta definição do diplomata britânico. Pelo menos até sexta-feira passada. Será?
Que ninguém fique surpreso se, daqui há alguns anos, quando Robert Mugabe completar os seus 90 anos, os governos norte-americano e britânico, derem como presente ao actual presidente do Zimbabwe, as mais altas condecorações nos seus respectivos países. "Herói na luta contra o neo-colonialismo britânico". Será?

domingo, 8 de junho de 2008

SAÍMOS DE .... cabeça erguida

A selecção de futebol de Moçambique foi, este domingo, 8, derrotada pela sua congénere do Botswana, em partida muito renhida, disputada no relvado do Zimpeto, arredores da cidade de Maputo. 2-1 foi o resultado, considerado por muito muitos analistas da praça como menos pesado que o alcançado frente ao Costa do Marfim, no jogo anterior: 1-0.
Por uma questão de AUTO-ESTIMA, a FMF decidiu transferir à última hora o jogo para este novo estádio, ainda em fase de início de construção, para mostrar o quanto os moçambicanos são muito apegados aos seus valores e referências.
E como se não bastasse, os adeptos - que brindaram os espectadores incautos com garrafas e latas de cerveja, ossos de galinha, papel higiênico oleado e picante - jogadores, equipe técnica e dirigentes federativos - sairam das bancadas, não acubranhados, mas de CABEÇA ERGUIDA.(X)