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terça-feira, 23 de agosto de 2011

“Um Passo com unha”: escultor alemão, pintor moçambicano e músico luso-angolano “brincam” com a chanfuta

“Habitat”- Volker Schnuttgen, Labor Gras & Guests

Um escultor alemão que dá aulas na cidade portuguesa do Porto, um reputado pintor moçambicano e um músico luso-angolano que inventa os seus instrumentos, vão dar “um passo com unha” em troncos de chanfuta, que começaram a ser trabalhados em Maputo.

O pontapé de saída coube a Volker Schnuettgen, alemão que vive em Sintra e lecciona em Belas Artes no Porto, e que todos os dias, enquanto a luz do sol o permite, trabalha com uma serra eléctrica a chanfuta, uma “madeira nobre” da região.

“Decidimos fazer um projecto em conjunto, no qual vamos criar peças em co-autoria”, disse Volker, sobre a sua parceria com Idasse, pintor moçambicano que conhece de outras iniciativas comuns realizadas em Portugal e na Alemanha.

Idasse será o próximo a trabalhar na chanfuta, pintando partes que Volker vai preparando, num projecto que foi buscar o título a um jogo infantil.

“Um jogo com unha é uma medida de jogo de berlindes, é uma medida que faz com que se partilhe um ideal, um projecto que inclui escultura, pintura e música, ou seja, uma escultura pintada e musicada”, explicou Idasse, sobre o título que encontrou para a obra a “seis mãos”.

A intervenção dos dois artistas será mais tarde complementada com o trabalho de Vítor Gama, um músico de renome internacional e que inventa e produz grande parte dos instrumentos que executa.

“Pensámos que África tem muito a ver com música, com ritmo, e que seria interessante convidar um músico e chegámos à conclusão que a pessoa certa é o Vítor Gama”, afirmou Volker.

Idasse explicou a vantagem das parcerias com um cenário do quotidiano de muitos artistas: “Há determinadas alturas em que a gente fica engasgado, em que às vezes não tem solução, mas que o companheiro a possa ter”.

O projecto ainda vai durar até ao Verão do próximo ano, altura em que ficarão prontos — esculpidos, pintados e musicados — os quatro troncos de chanfuta, que por agora Volker trabalha no pouco cuidado jardim do Museu Nacional de Arte de Maputo, paredes-meias com um atelier de escultores macondes.

“Já estive aqui a trabalhar há dois anos, com cinco moçambicanos, dois dos quais escultores. Também temos aqui os escultores macondes que trabalham pau-preto mas, apesar desta diferença artística e cultural, há uma conversa, há um diálogo”, garantiu Volker.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Moçambique: Malangatana mostra 40 obras suas em Coimbra (Portugal)

Quarenta obras do pintor moçambicano Malangatana vão estar expostas na Casa Municipal da Cultura da cidade portuguesa de Coimbra a partir de sábado, 7, no âmbito das comemorações do Dia dos Heróis Moçambicanos.

A mostra, patente até 21 de Fevereiro, intitula-se Homenagem a Eduardo Chivambo Mondlane - Pastor de Manjacaze e é uma iniciativa da Câmara de Coimbra, da Embaixada de Moçambique em Portugal e da Organização da Mulher Moçambicana. Na exposição pode apreciar-se 18 telas e 22 ilustrações do artista plástico e poeta, considerado "o maior embaixador da cultura moçambicana".

O vereador da Cultura da Câmara de Coimbra, Mário Nunes, considera que a exposição tem três objectivos: homenagear Eduardo Mondlane, assinalar e comemorar o 3 de Fevereiro, data alusiva aos Heróis Moçambicanos, e proporcionar ao público de Coimbra o contacto com a obra deste embaixador cultural.

Uma das telas expostas é a obra "O Julgamento dos Militares da 4.ª Região da Frente de Libertação de Moçambique", datada de 1966, da colecção privada do antigo presidente da Assembleia da República Almeida Santos, que a cedeu para a iniciativa.

Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, Moçambique, a 6 de Junho de 1936 e pertenceu à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que liderou a luta armada contra a dominação colonial portuguesa até à proclamação da independência, em 1975.

A sua obra é "reconhecida em todo o mundo", tendo participado em múltiplas exposições individuais e colectivas e integrado diversos júris em Moçambique e no estrangeiro. Foi premiado inúmeras vezes e recebeu várias distinções.

Pintor, ceramista, cantor, actor, dançarino, "Malangatana é uma presença assídua em numerosos festivais, afirmando sempre a sua origem africana e moçambicana".

quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Não matem a cultura...!": a exposição de Naguib

Está aí para quem quiser se deliciar com as pinceladas bem nossas, “moçambicanas”.
É mais uma exposição individual do artista Naguib.
O título não podia ser mais apelativo: “Não matem a cultura! Não matem José Craveirinha”. Desde segunda-feira, 28.

Naguib anda nisto há vinte e oito anos. Autodidacta. A primeira individual aconteceu em 1986. Desde então foram quase uma centena de colectivas entre portas.
Depois “pariu” dez mostras individuais ( 1986, 1987, 1988, 1990, 195, 1997, 1998, 200, 2001 e 2003).
Naguib no estrangeiro, como não podia deixar de ser: Portugal, Alemanha, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlandia, Itália, Estados Unidos, Espanha, Zimbabwe, Angola e África do Sul.
Não é só de pinceladas que vive o Naguib. Com a mamã Graça Machel fundou o FDC (Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade). Integra o Movimento Artistas Contra a Pobreza do PNUD.
Governantes portugueses – Cavaco, Sócrates e o PGR luso – não passam um dia sem se cruzarem com as obras de Naguib penduradas em algum dos vários corredores dos seus gabinetes de trabalho. Eles e os governados.
Tem obras espalhadas pelo mundo fora.(X)

sábado, 19 de julho de 2008

Ladrões levam obras de Warhol e Lichtenstein na Suécia

ESTOCOLMO - Obras dos pintores pop americanos Andy Warhol e Roy Lichtenstein foram roubadas num museu sueco, segundo informaram nesta sexta-feira, 18, autoridades locais.

A polícia informou que dois quadros de Warhol e três de Lichtenstein foram levados do Museu Abergs, em Estocolmo, nas primeiras horas do dia desta sexta. Não se sabe ao certo quantas pessoas participaram do roubo e a polícia ainda não tem suspeitos.

Um pôster de filme da Disney também foi levado. As obras roubadas são avaliadas em 3 milhões de coroas suecas.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Intimidade de Picasso em exposição

O lado mais íntimo do pintor espanhol Pablo Picasso será exposto a partir desta terça-feira no Museu Picasso de Málaga, na Espanha. A exposição Momentos e Olhares, Picasso visto por Otero é uma seleção de 87 fotografias – de um acervo de 4.000 – tiradas por Roberto Otero, amigo próximo do artista.
Em preto e branco, as fotos clicadas entre 1960 e 1971 mostram os momentos familiares de Picasso na sua mansão de Mougins, no sul da França. A residência serviu de exílio para o artista durante a ditadura de Francisco Franco, na Espanha.
Roberto Otero, que morreu em 2004, descreve Picasso como um artista inquieto no momento de trabalho, e, ao mesmo tempo, muito tranquilo na sua rotina doméstica com a sua última esposa, Jacqueline Roque.
A exposição ficará aberta ao público até 20 de agosto.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ex-falsificador abre galeria de imitações

Depois de ficar milionário com a venda de obras de arte falsificadas – e ser preso em seguida –, o holandês Geert Jan Jansen abriu as portas de uma galeria em Zeist, na Holanda, em que a grande atração são imitações de mestres como Picasso e Matisse devidamente identificadas como cópias. A assinatura de Jansen irá ao lado da dos grande artistas.

Os golpes de Jansen foram bem-sucedidos durante três décadas, até que, em 1994, ele foi finalmente descoberto. Ele foi preso depois que uma galeria desconfiou de um certificado de autenticação. Cerca de 1.600 quadros foram apreendidos na ocasião.
Agora, Jansen não vê problema em ser chamado de "mestre falsificador do século XX". Ao contrário, ele divulga suas histórias para atrair potenciais compradores e defende a qualidade de suas reproduções. "É preciso tempo e muita prática para fazer uma cópia convincente", disse, segundo entrevista publicada nesta segunda-feira pela agência de notícias AFP.
O ex-falsificador deixou definitivamente a antiga "carreira" de lado e não esconde dos eventuais clientes que seus trabalhos são na verdade cópias. Mas continua a provocar, quando o assunto é a questão da autoria: "Quando um músico reproduz uma sonata de Bach, ele é aplaudido. Quando vou reproduzir uma ‘sonata’ de Picasso sou colocado na cadeia", diz ele, sorrindo. Com a nova galeria, ele pretende ainda apresentar trabalhos originais e fixar seu próprio nome nas artes.

sábado, 7 de junho de 2008

Bob Dylan inaugura exposição em Londres

Londres - Bob Dylan vai mostrar a partir da semana que vem, na galeria de arte de Halcyon, em Londres, uma faceta distinta, embora não totalmente nova, da sua personalidade: a de pintor.
O processo que levou até a exposição começou há quase 20 anos, quando o músico norte-americano foi contactado pela editora Random House, que tinha visto alguns dos seus desenhos e lhe perguntou se queria fazer com eles um livro com o material que tivesse à mão.
O livro resultante, publicado em 1994 sob o título de Drawn Blank, reunia uma série de imagens executadas durante as suas digressões, ou com mais calma, nos estúdios de gravação.
"Tento viver da maneira mais simples possível, e desenhava qualquer coisa que me ocorresse. A idéia era fazê-lo sem nenhum tipo de afectação ou auto-referência. Queria oferecer uma espécie de panorâmica do mundo como o tinha diante dos meus olhos", explica Dylan, em entrevista publicada nesta sexta-feira, 6, pelo jornal The Times.
O artista afirma que gostaria que a resposta do público à sua obra fosse "emocional e instintiva", e que não se buscasse interpretações profundas.
"Pretendo deleitar o espectador. Não se deve buscar nada mais profundo. E se, pelo contrário, causar repulsa à vista, também está bom", afirmou.(X)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Picasso esperava ser reconhecido também como escritor

Pablo Picasso, grande nome da pintura e das artes do século XX, também gostaria de ser lembrado para a posteridade como um nome importante da literatura.
Nos anos 50, Picasso confessou a um amigo, o fotógrafo Roberto Otero, frase que marcou esse desejo: "Creio que a minha obra como escritor é tão extensa como a de pintor. Materialmente, dediquei o mesmo tempo a ambas actividades. Quem sabe algum dia, quando eu desaparecer, serei descrito nos diccionários de tal forma. Pablo Ruiz Picasso: poeta e autor dramático espanhol", conta o jornal espanhol El País.
O episódio é contado por Enrique Mallén, pesquisador que se dedica ao estudo da obra literária de Picasso.
Mallén, professor universitário da Sam Houston State University, nos Estados Unidos, explica que os poemas de Picasso são como quadros cubistas: tem distintas interpretações segundo cada linha lida, são textos abertos. "Em termos literários, Picasso me parece fascinante. As suas poesias escondem múltiplos significados; é inovador, de vanguarda, uma mina a ser explorada". O periódico espanhol descreve a escrita de Picasso como se desafiasse em ritmo de tourada todas as convenções gramaticais e ortográficas, pintando com as palavras e escrevendo com cores.
A escrita era tida para Picasso como uma válvula de escape frente a uma situação pessoal convulsa, em momentos de estancamento criativo e durante um período histórico que anunciava tormentas. Em 1935, ele estava a divorciar-se da bailarina Olga Koklova, não podia pintar, estava deprimido. Supõe-se que o seu primeiro poema é dessa época.
Marie-Laure Bernadac dedicou nove anos da sua vida à pesquisa do Picasso escritor. Ela manteve contacto com os herdeiros do pintor espanhol e recompilou velhos exemplares da revista Cahiers d´Art. Foi encarregada dos arquivos da pinacoteca do que seria o Museu Picasso de Paris e foi a primeira a compilar o material literário de Picasso. Em 1989, ela editou a obra de referência dos escritos de Picasso, Écrits (Gallimard), com 340 textos poéticos e duas obras de teatro.
“A sua poesia é muito confidencial, muito privada, esconde muitas coisas. Fala da sua vida com uma liberdade total, faz alusões terríveis a sua vida privada, a sua infância, mesclada a reflexões políticas. É apaixonante", diz ela.(X)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Desenhos de Goya reencontrados serão leiloados em Londres

LONDRES - Três desenhos do mestre espanhol Goya que passaram 130 anos desaparecidos irão a leilão em Londres em julho, com a expectativa de serem vendidos por até 3 milhões de libras (6 milhões de dólares).

Intitulados "Bruxas e Mulheres", "O policial Lampinos costurado dentro de um cavalo morto" e "Arrependimento", os desenhos foram vistos em público pela última vez num leilão de desenhos de Goya realizado em Paris em 1877.
A casa Christie's, que vai leiloar as obras em 8 de julho em nome dos seus proprietários suíços, disse que os desenhos estão em boas condições porque foram guardados longe da luz solar e nunca foram emoldurados.
Descritos como o mais importante grupo de desenhos de Goya posto à venda nos últimos 30 anos, os desenhos serão vendidos separadamente, mas a previsão é que rendam colectivamente entre 2,1 e 2,9 milhões de libras.
Ninguém do mundo artístico sabia onde eles estavam até serem oferecidos à venda. Ainda existe um punhado de outros desenhos de Goya cujo paradeiro é desconhecido. Os três desenhos foram tirados de dois dos cadernos particulares de Goya e ainda estão montados nos quadros usados no leilão de 1877. Dois deles não foram vendidos nesse leilão.
A família suíça que é dona dos desenhos não sabia que estavam desaparecidos e não tem certeza de como os obteve.(X)