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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Economia e guerras ocupam agenda do 1º dia de Obama

O novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começou por tratar da economia do país e das guerras do Iraque e do Afeganistão no seu primeiro dia como líder americano.

Segundo a BBC, Obama, que tomou posse como o quadragésimo quarto presidente americano na terça-feira, se reune-se nesta quarta-feira, 21, com os seus principais assessores econômicos e comandantes militares dos Estados Unidos.

Uma das primeiras medidas de Obama na terça-feira foi suspender todas as ordens pendentes que o governo Bush tentou aprovar nos últimos dias do mandato.
A orientação de Obama foi dada pouco depois de o novo presidente ter tomado posse, num memorando assinado pelo novo chefe de gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel.

O presidente ainda pediu a suspensão dos julgamentos em Guantánamo por cinco meses, congelando os processos iniciados no governo Bush. Segundo os seus assessores, o presidente planeia uma primeira semana ambiciosa, de agenda cheia, que inclui um encontro com assessores militares para mudanças na gestão da guerra no Iraque.

O encontro marcado para esta quarta contaria com a presença do general David Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA, responsável pelas operações americanas no Oriente Médio, Ásia Central e Cordo de África. Funcionários do Pentágono disseram que o Departamento de Defesa deve apresentar no encontro um documento com as várias opções de retirada das tropas americanas no Iraque e os seus respectivos riscos, incluindo a opção de saída em 16 meses, promessa de campanha de Obama.

Em seguida, Obama deverá indicar um enviado especial para o Médio Oriente para lidar com a crise entre israelitass e palestinianos na Faixa de Gaza. Segundo a CNN, enquanto Obama participava na terça-feira na cerimônia de posse, cerca de 20 assessores já estavam na Casa Branca para preparar a reunião de hoje. Eles disseram também que Obama planeia realizar um discurso sobre a economia no dia 23 de fevereiro para dizer aos americanos que, apesar do plano de estímulo, a crise econômica ainda vai durar por muito tempo.

Equipe

Obama também estará empenhado, nos próximos dias, em concluir a formação da sua equipe de governo. Vários nomes têm que ser submetidos ao Senado, que tende a agir com rapidez para aprovar o gabinete indicado pelo presidente americano.

Nesta quarta-feira, também está prevista a aprovação do nome da senadora Hillary Clinton como secretária de Estado. A sua confirmação no cargo foi adiada após um senador republicano ter pedido um debate a respeito das doações feitas ao marido da senadora, o ex-presidente Bill Clinton, que poderiam constituir conflito de interesses.

Barack Obama falou da América para o mundo (*)

O discurso de tomada de posse de Barack Obama não foi uma peça de oratória brilhante, iluminada, como algum romantismo poderia desejar, mas cumpriu com o que, realisticamente, se devia esperar: palavras fortes, ideias claras, uma comunicação da nova era global dirigida da América para o mundo.


Em cerca de 20 minutos, o 44. º Presidente dos Estados Unidos bateu substantivamente em todas as áreas delicadas deste seu princípio de mandado, internas e externas.



Obama falou com a dimensão que as suas origens lhe permitem e com o modernismo que lhe está associado. Foi religiosamente pluralista, aludindo às várias crenças americanas (cristãos, muçulmanos, judeus e hindus); mostrou as preocupações ambientais e energéticas que dominam a actualidade (pedindo as apostas no uso da energia do sol, do mar e do vento); e, sobretudo, insistiu no diálogo com todos os países democráticos e pacíficos para se encontrarem soluções globais para problemas globais, entre eles os da segurança e os da fome.



Após as promessas de campanha, foi também notório que o novo Presidente quis desfazer algumas das ilusões que existiam em seu redor, porque está consciente da dura realidade que o espera perante a mais grave crise económico-financeira dos últimos 80 anos e sabe que os Estados Unidos já não são o único país que reboca o mundo.



Durante o discurso viu-se igualmente um líder que apostou em pequenos sinais para mostrar quem é e o que quer ser. O Presidente da era tecnológica, de PDA na mão, que vai construir o futuro a partir do seu passado, quando o pai não conseguia entrar em alguns restaurantes. Dessa preocupação com os sinais nasceu a escolha de uma cubana para estilista da mulher e a selecção dos dois momentos musicais da tarde, com Aretha Franklin, a voz da soul, símbolo da América negra, e uma orquestra mista com uma hispânica ao piano, um asiático no violoncelo, um negro no clarinete e um judeu no violino.



A essência do discurso mostrou um Obama realista, que não assume sozinho a responsabilidade de resolver todos os problemas actuais. Fazendo uma reinterpretação da frase mítica de John F. Kennedy -- "não perguntem o que o vosso país pode fazer por vocês; perguntem o que podem fazer pelo vosso país" -, apelou à cidadania e à mobilização de todos como única forma de restabelecer a confiança na economia e no sistema financeiro, assumindo que é preciso a consciência de estarmos a viver uma nova era. O mundo mudou e é preciso que todos repensem o seu papel de cidadãos livres.



O novo Presidente americano pode, ainda, sentir-se orgulhoso da participação que conseguiu incutir aos seus compatriotas. Washington assistiu ontem ao terceiro maior movimento de massas expontâneo da história moderna com mais de um milhão de pessoas. De semelhante, antes, só a confraternização dos cidadãos das duas Alemanhas logo após a queda do muro de Berlim e a mobilização, apesar dos riscos, dos timorenses para o referendo.



O discurso, tudo somado, esteve à altura do momento histórico que estamos a viver. Teve esperança, mas não vendeu ilusões, que seriam tão desnecessárias quanto absurdas. E algumas das suas palavras, sobretudo as dedicadas à participação dos cidadãos no afrontar dos problemas, são válidas e oportunas em todos os cantos do mundo.

(*) Editorial do Diário de Notícias, 21/01/2009

Obama promete reconduzir os EUA à liderança mundial

WASHINGTON - Diante de mais de dois milhões de pessoas, Barack Hussein Obama, de 47 anos, assumiu nesta terça-feira, 20, como o 44.º presidente dos Estados Unidos - o primeiro negro a chegar ao posto. Com a promessa de reconduzir o país à liderança mundial, Obama anunciou uma "nova era de responsabilidade". "Há um medo de que a América comece a declinar. Mas nossos desafios serão enfrentados. Escolhemos a esperança sobre o medo". "Continuamos como a nação mais próspera do mundo. Não mais fracos. Nossa capacidade continua firme. O tempo ruim passou. Começando hoje, devemos nos colocar à frente e reconstruir a América. Aonde quer que olhamos, há trabalho a fazer. Tudo isso nós podemos fazer. Tudo isso nós faremos". "Estamos prontos a conduzir uma vez mais"

Apresentado como Barack H. Obama, o presidente disse o seu nome completo, inclusive o sobrenome Hussein, ao jurar sobre a Bíblia que pertenceu ao presidente Abraham Lincoln (1861-65), trazida especialmente da Biblioteca do Congresso. "Juro solenemente que vou exercer em boa fé o cargo de presidente dos Estados Unidos e vou, ao máximo de minha capacidade, preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos. Que Deus me ajude."

Durante o discurso, Obama afirmou que a economia se debilitou enormemente por conta da avareza e da irresponsabilidade. "O presidente Bush serviu a essa nação, e foi gentil durante a transição. Falei várias vezes sobre prosperidade e paz. Neste momento, a América continua em frente. A economia está enfraquecida como consequência de ganância, assim como sistema de saúde. Mas tenho confiança. Temos que acreditar."

O presidente ainda prometeu reformar a infraestrutura do país, com investimentos em alta tecnologia e energia limpa, numa menção ao seu projecto para tirar a economia da crise. "Para onde olhamos, há trabalho a fazer". "A discussão não é se o governo é grande ou pequeno, mas se ele funciona ou não". "Neste dia, proclamo o fim das queixas mesquinhas e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados que durante tanto tempo estrangularam a nossa política".

Obama prometeu ainda uma nova aproximação com o mundo muçulmano. "Procuramos uma nova via de agora em diante, baseada no interesse e respeito mútuo". Ele viveu durante vários anos na Indonésia, o país com a maior população muçulmana do mundo. Obama ainda mandou uma mensagem aos terroristas: "Não vamos nos desculpar pelo nosso estilo de vida, nem iremos ceder na sua defesa, e para os que procuram promover os seus objectivos induzindo o terror e abatendo inocentes, dizemos a vocês agora que nosso espírito está mais forte e não pode ser rompido; vocês não podem nos suplantar, e vamos derrotá-los."

"Para as pessoas das nações pobres, prometemos trabalhar ao lado de vocês. O mundo mudou, e nós precisamos mudar também"."Àqueles líderes mundiais que buscam o conflito, ou culpam o Ocidente pelos problemas da sua sociedade, e silenciam dissidentes, saibam que o seu povo irá julgá-lo pelo que você constroem, não pelo que destroem".

"Por nós, os nossos ancestrais atravessaram o oceano, lutaram e sacrificaram para que vivamos melhor. A América é melhor do que ambições individuais". "Um homem cujo pai 60 anos atrás não podia entrar num restaurante, está aqui hoje diante de vocês"

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama chega a igreja em Washington

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, e sua esposa, Michelle, chegaram às 15h53 (8h53 horário local) para uma cerimônia religiosa na Igreja de Saint John's, próxima a Casa Branca. Obama chegou em um carro preto. Eles foram recebidos pelo reverendo Luis Leon. O democrata traja um fato preto com gravata vermelha, coberto por um sobretudo. Michelle está com um vestido dourado.

Este é o primeiro evento público do dia do futuro casal presidencial. Após a cerimônia religiosa, Obama e Michelle seguem para a Casa Branca, onde serão recebidos por George W. Bush e sua esposa, Laura.

EUA: milhares de pessoas começam a dirigir-se para o Capitólio

Ainda é de madrugada em Washington mas milhares de pessoas já se estão a dirigir para o Capitólio, num ambiente festivo, para assistir à cerimónia de tomada de posse de Barack Obama.

A partir das 04h00 (11h00 em Maputo), o centro da cidade já estava em efervescência. Os cafés e os supermercados abertos enchem-se de norte-americanos e turistas que se “abastecem” antes de se aventurar no frio glacial das ruas.

A cerimónia de tomada de posse só começa às 10h00 (17h00 em Maputo), mas milhares de pessoas preferiram dirigir-se já para o Capitólio, berço da democracia americana, ainda de madrugada para conseguir um bom lugar. O movimento de pessoas é seguido de perto pelas forças de segurança.

Às 04h15 (11h15 em Maputo), a abertura das portas da estação do metro Friendship Heights provocou gritos de alegria de jovens que rumam ao Capitólio, com bonés com a cara de Obama. Várias famílias, com cobertores debaixo do braço, juntaram-se a eles.

Equipa de Barack Obama sem tempo para paradas

Enquanto o primeiro presidente negro dos Estados Unidos estiver a prestar juramento sobre a Bíblia de Lincoln na escadaria do Capitólio, hoje às 18 horas, alguns membros da sua Administração já estarão a mudar-se para a Casa Branca. Amanhã, Obama começa o trabalho efectivo.

44.º Presidente vai ter uma primeira semana preenchida

Quando acordar amanhã, Barack Obama já terá deixado para trás os juramentos, discursos, paradas e bailes da sua tomada de posse. No seu primeiro dia de trabalho efectivo como presidente dos Estados Unidos, o primeiro negro a ocupar o cargo já tem a agenda preenchida. Reuniões com os conselheiros económicos são a prioridade num tempo de crise financeira como já não se via desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Hoje, enquanto os Obama se estiverem a instalar na parte privada da Casa Branca, as carrinhas da Administração vão começar a levar os funcionários da nova Administração do Capitólio, onde estiveram instalados desde a eleição de Obama, a 4 de Novembro, para a residência oficial do presidente, onde vão continuar o seu trabalho, como explicou um membro da equipa ao site The Politico. Nada, portanto, de assistir à parada ao longo da Pennsylvania Avenue, onde a organização espera mais de dois milhões de pessoas para assistir a um dia histórico. É que depois de oito anos de presidência Bush, Obama vai herdar um mundo cheio de desafios.

Para amanhã, além da reunião com os conselheiros económicos, Obama tem previsto um encontro com as chefias militares para planear a retirada do Iraque nos próximos 16 meses, uma das suas promessas de campanha. Segundo confessaram três membros da equipa do novo presidente à CNN, este deverá ainda aproveitar a sua primeira semana no cargo para nomear um enviado ao Médio Oriente. Apesar do cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza, a situação na região continua a ser preocupante e será uma das prioridades do novo presidente. Numas primeiras cem horas intensas, Obama tem ainda prevista a emissão de decretos de lei relativos ao meio ambiente e à detenção de suspeitos de terrorismo.

Ontem, enquanto George W. Bush se desdobrava em telefonemas para os líderes mundiais no seu último dia na Casa Branca, Obama aproveitou o feriado que assinala o nascimento de Martin Luther King para reafirmar a promessa do sonho americano. Na véspera da tomada de posse, aquele que se vai tornar no primeiro presidente negro dos EUA emitiu um comunicado no qual recordava o líder dos direitos cívicos. Os sonhos que temos em separado devem unir-se num só", escreveu.

Quarenta anos depois do assassínio do reverendo Luther King, o feriado em sua homenagem costuma ser dedicado às obras de caridade. Seguindo a tradição, Obama não hesitou em arregaçar as mangas e pegar nos pincéis. Depois de visitar feridos de guerra no hospital militar Walter Reed, nos arredores de Washington, o presidente eleito ajudou a pintar de azul o muro de um centro de acolhimento para sem-abrigo e adolescentes problemáticos. No local, não faltaram jornalistas e curiosos a aproveitar esta oportunidade de ver de perto um presidente de calças de ganga e em mangas de camisa.

Os sonhos de Barack Obama para o país

Todos os anos, os Estados Unidos assinalam o dia 19 de Janeiro como o dia de Martin Luther King.
Mas nunca a cerimónia de homenagem ao homem que um dia sonhou que ninguém seria julgado pela cor da sua pele fez tanto sentido como hoje.
Na véspera de tomar posse, Barack Obama, o primeiro Presidente afro-americano do país, prometeu “renovar a promessa” do sonho americano.
Washington preparou-se para receber uma das maiores multidões da sua história – esperam-se mais de dois milhões de pessoas.
Mas antes disso, Obama quis prestar homenagem a Martin Luther King, participando em várias iniciativas destinadas a assinalar o dia que por tradição pertence ao activista dos direitos cívicos. Foi assim que, por momentos, Obama vestiu a pele de pintor e decorador para, rodeado por um batalhão de jornalistas, tornar mais agradável um albergue para os chamados sem-abrigo e adolescentes. Também visitou feridos de guerra num hospital militar.
Já no domingo, Martin Luther King tinha estado implicitamente presente quando o próximo Presidente americano se dirigiu duzentas mil pessoas reunidas no National Mall: Obama escolheu o monumento à memória de Lincoln, o seu líder modelo, para falar sobre os desafios que enfrentam os Estados Unidos da América, o mesmo local onde Martin Luther King fez o seu célebre discurso “tenho um sonho”, em 1963, sobre a união racial.
Nas suas palavras de despedida, George W. Bush citou um outro Presidente, Thomas Jefferson, para dizer: “Gosto mais dos sonhos do futuro do que a história do passado”.
Já Obama foi buscar um sonho com mais de quarenta anos, que para alguns ficará em parte cumprido hoje, para falar dos projectos que tem para os Estados Unidos. “Os sonhos que sonhamos em separado formam apenas um”.
A tomada de posse de Obama, filho de pai queninano e mãe branca americana, é um marco na história racial dos Estados Unidos.
Mas o antigo senador de Illionois tentou afastar a questão durante a corrida à Casa Branca, para evitar um factor de divisão eleitoral, lembra o diário Washington Post, que na semana passada o entrevistou.
O diário refere que agora, pelo contrário, Barack Obama gosta de referir que a sua identidade mestiça pode ser um factor de união e transformação do país: “Há uma geração inteira que vai crescer a ter como garantido que o cargo mais alto no mundo é de um afro-americano”, disse Obama, para depois acrescentar que agora está a mudar a forma como as crianças negras olham para si próprias e como as brancas olham para as negras.
Há outras coisas que parecem estar já a mudar também.
Uma sondagem do Washington Post revela que há menos americanos a encarar o racismo como “um grande problema” da sociedade norte-americana.
Mas, o filho de Martin Luther King, que partilha o nome do pai, escreve também no Washington Post que a eleição de Obama não pode ser uma panaceia para as relações raciais do país, chamando a atenção de que a eleição de Barack Obama não torna totalmente realizado o sonho do seu pai. Há ainda um longo caminho a percorrer, escreveu Martin Luther King J.