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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Maestro russo diz que ataque da Geórgia foi o 11/09 da Ossétia

O maestro russo de origem ossétia Valery Gergiev regeu na quinta-feira um concerto de Tchaikovsky em meio aos edifícios bombardeados da Ossétia do Sul, querendo, segundo ele, chamar a atenção do mundo para o sofrimento na região.
Gergiev, um dos músicos mais reconhecidos da Rússia, comparou os ataques georgianos contra a Ossétia do Sul aos atentados islâmicos de 11 de setembro de 2001 nos EUA.


O maestro, criado na vizinha Ossétia do Norte, que pertence à Rússia, visitou o devastado bairro judeu de Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul. Em seguida, regeu um concerto na praça central. No dia 7 de agosto, a Geórgia iniciou uma operação militar para tentar recuperar o controle da Ossétia do Sul, uma região etnicamente diversa que desde 1992 goza de autonomia sob a proteção da Rússia. Moscovo reagiu enviando tropas e ocupando também outras partes da Geórgia.

"Quando os EUA perderam 3,5 mil pessoas no 11 de setembro, a Rússia foi o primeiro país a manifestar seu apoio", disse Gergiev. "Para a Ossétia do Sul, perder 1.500 ou 2.000 pessoas hoje é uma tragédia terrível, mas ninguém sabe disso. Alvejar meninos, crianças de cima de um tanque é uma vergonha, e o mundo deveria saber dessa vergonha."

A Geórgia rejeita esse número de mortos e nega que tenha usado força excessiva na acção. Tbilisi alega ainda que os russos e as milícias separatistas é que cometeram abusos contra pessoas de etnia georgiana na Ossétia do Sul.

Vestido de preto, Gergiev regeu a 5a e a 6a Sinfonias de Tchaikovsky em um palco montado em frente ao arruinado Parlamento local. Sob a vigilância de dois blindados e de policiais, crianças sentaram-se com velas na platéia, e algumas pessoas agitavam bandeiras russas. O ponto alto do concerto foi a 7a Sinfonia, dita "Sinfonia de Leningrado", associada pelos russos à resistência contra o cerco nazista à actual São Petersburgo, durante a Segunda Guerra Mundial.

"Torço muito para que a música ajude a evocar as melhores lembranças, e estamos aqui para lembrar dos que morreram nos trágicos dias desta agressão", disse o maestro em inglês. Atualmente diretor do teatro Mariinsky, em São Petersburgo, Gergiev nasceu em Moscovo numa família de etnia ossétia e foi criado na Ossétia do Norte.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Os efeito de mais uma guerra na Europa

Soldados a ajudar uma velha, inválida, a ser retirada da zona de combates na Ossétia do Sul

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Rússia envia tropas e tanques para a Geórgia

TBILISI - Tanques russos entraram na Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia apoiada por Moscovo, nesta sexta-feira, 8.

Aviões de combate russos bombardearam uma base militar perto de Tbilisi, a capital da ex-república soviética, informou Shota Utiashvili, porta-voz do Ministério de Interior do país.

A notícia foi anunciada horas depois de o primeiro-ministro e ex-presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter advertido à Geórgia que sua ofensiva contra a Ossétia do Sul era passível de retaliação. O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, denunciou a incursão em território do seu país e confirmou que blindados russos entraram na região separatista.

As tensões começaram na madrugada desta sexta (horário local), quando tropas georgianas lançaram uma ofensiva militar para retomar o controle da província rebelde.

Autoridades do governo da Ossétia do Sul disseram que pelo menos 15 pessoas morreram durante a ofensiva.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Morre Alexander Soljenítsin, símbolo de resistência na URSS

Morreu ontem, aos 89 anos, o escritor russo Morreu ontem, aos 89 anos, o escritor russo Alexander Soljenítsin, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1970 e conhecido por suas ferozes críticas ao regime soviético - e em especial às prisões e aos campos de trabalhos forçados em que eram confinados os dissidentes, denunciados em sua célebre obra Arquipélago Gulag. De acordo com o seu filho Stephan, Soljenítsin morreu de insuficiência cardíaca aguda às 21h45 de Maputo.
Ele era considerado o maior escritor russo vivo. Nos últimos anos o autor, já muito debilitado, não aparecia mais em público. Raras imagens captadas pela TV russa o mostravam numa cadeira de rodas a receber convidados na sua casa nos subúrbios de Moscovo. O presidente russo, Dimitri Medvedev, transmitiu as suas condolências à família.
Nascido em 1918, Soljenítsin formou-se em matemática, mas sua paixão sempre foi a literatura. Ele serviu no Exército soviético durante a 2ª Guerra até ser preso, em 1945, por criticar o modo como o ditador Josef Stalin conduziu o conflito. As críticas renderam-lhe uma década na prisão (período no qual enfrentou e venceu um cancro) e em campos de trabalhos forçados na Sibéria - experiências que marcariam as suas obras.
Ele começou a tornar-se um escritor conhecido em 1962, com Um dia na vida de Ivan Denisovich, novela baseada na sua vivência em campos de trabalho forçados - e a sua única obra publicada na sua terra natal durante o regime soviético, por ordem do então líder Nikita Kruchev, ansioso em denunciar os abusos de Stalin. Com a queda de Kruchev, em 1964, Soljenítsin voltou a ser perseguido.
Em 1970, ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura por uma série de livros publicados no exterior, como O Primeiro Círculo e O Pavilhão de Cancerosos. Em O Primeiro Círculo , Soljenítsin descreve três dias na vida dos prisioneiros de Mavrino, "prisão especial" criada numa propriedade rural perto de Moscvo logo depois da 2.ª Guerra. O título é uma referência à Divina Comédia, de Dante Alighieri, e os seus círculos concêntricos do inferno.
O vencedor do Nobel, porém, recusou-se a receber o prêmio em Estocolmo com medo de ser proibido de voltar para casa. Em 1973, publicou em Paris a sua obra mais conhecida, Arquipélago Gulag - um relato minucioso em 1.800 páginas dos campos de trabalhos forçados (ler abaixo). Por causa das denúncias contidas no livro, Soljenítsin foi considerado um "traidor" pelo regime, teve a sua cidadania suspensa e acabou expulso da URSS em 1974.
Do exílio - ele morou na Suíça e nos EUA, onde viveu 18 anos recluso no interior de Vermont - o escritor tornou-se um ícone da resistência ao regime soviético. E um crítico mordaz da cultura ocidental, que ele chamava de "decadente".
RETORNO
Após o colapso da URSS, em 1989, o governo russo lhe devolveu a cidadania. Mas ele só voltaria para a sua pátria em 1994, após concluir A Roda Vermelha, um gigantesco apanhado sobre a Revolução Russa. O retorno foi marcado por uma viagem de comboio de 8.800 quilômetros pela rodovia transiberiana. Em vez de celebrar o início da democracia russa, Soljenítsin passou a denunciar o liberalismo econômico, a corrupção, permissividade sexual e a destruição dos valores nacionalistas da Rússia, entre eles a religião cristã-ortodoxa. As suas obras mais recentes - O Colapso da Rússia, um apocalíptico ataque político aos males da sociedade, de 1998, e Duzentos Anos Juntos, sobre o judaísmo na Rússia, de 2004 - encontraram a indiferença do público. Soljenítsin chegou a ter um programa de entrevistas, cancelado por falta de audiência. "No fim de minha vida, me atrevo a esperar que o material histórico que recolhi entre na consciência e na memória dos meus compatriotas", disse Soljenítsin en 2007, quando o então presidente Vladimir Putin lhe entregou o Prêmio de Estado russo .

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sai em inglês a versão integral de 'O Arquipélago Gulag'

NOVA YORK - Uma versão integral de O Arquipélago Gulag, o elogiado e controverso romance de Aleksander Solzhenitsyn publicado há 40 anos, está a ser finalmente lançada em inglês. A grande importância da publicação do livro foi justamente revelar os mistérios e as histórias dos campos de prisioneiros soviéticos na Sibéria.
"O Arquipélago Gulag é um dos romances mais importantes do século 20 e nós estamos radiantes de poder colocar esta obra-prima no mercado em toda sua glória", disse em uma declaração Carrie Kania, vice-presidente da editora Harper Perennial.
A editora Harper Perennial, empresa ligada à Harper Collins, vai lançar O Arquipélago Gulag em 2009. Solzhenitsyn, o escritor que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1970, regressou ao seu país em 1990, após duas décadas de exílio nos Estados Unidos. Actualmente mora em Moscvo.
O romance, terminado em 1964 e proibido por autoridades soviéticas mesmo com o corte de nove capítulos realizado por Solzhenitsyn, passa-se num campo de prisioneiros para onde cientistas e acadêmicos eram mandados sob alegação de subversão contra o regime stalinista.
As primeiras 580 páginas de O Arquipélago Gulag foram lançadas em inglês em 1968. O texto foi misteriosamente contrabandeado da União Soviética - apesar das objecções do seu autor, que acreditava que o seu trabalho poderia ser usado de forma errada e pelos intelectuais, que tinham medo que o livro colocasse as suas vidas em perigo.
Os esforços de Solzhenitsyn - em certa ocasião, um manuscrito da obra foi confiscado pela KGB - deflagraram um debate sobre a Guerra Fria e asseguraram a boa recepção de O Arquipélago Gulag nos Estados Unidos. O Clube do Livro do Mês o lançou no país e com uma primeira tiragem de 200 mil exemplares.
O crítico do jornal The New York Times Thomas Lask classificou o livro "ao mesmo tempo, clássico e contemporâneo. Lendo, sabemos que isso esteve conosco há anos, da mesma forma que as futuras gerações o lerão com curiosidade e assombro."
A edição completa esteve disponível por muito pouco tempo em russo, o que atrasou o lançamento nos Estados Unidos. Segundo o editor da Harper Perennial, ele aprovou um novo texto em inglês há alguns anos. Para a tarefa, foi designado o seu tradutor preferido, Harry T. Willetts, que trabalhou em O Arquipélago Gulag, mas Willetts morreu em 2005, sem completar a tradução, e o editor continuou o trabalho. "Demorou um pouco até o livro chegar a nós", disse Hubbard à agência de notícias Associated Press.
Preso aos 20 anos sob alegação de crimes anti-soviéticos, Solzhenitsyn atingiu a fama mundial em 1962 com Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, um curto romance que conta a história de um companheiro no campo de trabalhos forçados da Sibéria. Na época, a obra foi considerada um ataque ao regime soviético.
O então primeiro-ministro soviético Nikita Khrushchev aprovou pessoalmente o lançamento do livro, mas quando ele saiu do cargo em 1964, a censura apertou e o trabalho de Solzhenitsyn foi proibido por anos.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Corpo de Lenine deveria sair da Praça Vermelha, diz Gorbachev

Moscovo (Reuters) - O corpo embalsamado do líder revolucionário Vladimir Lenine deveria ser retirado da praça Vermelha e enterrado conforme o desejo da família, afirmou o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev nesta quarta-feira.
Lenine comandou a revolução bolchevique de 1917 para fundar o primeiro Estado comunista do mundo, que durou 74 anos, até que, sob a liderança de Gorbachev, a União Soviética esfacelou-se.
O revolucionário morreu no dia 21 de janeiro de 1924 e, não obstante o desejo dos seus parentes, o seu corpo foi embalsamado e colocado num mausoléu na praça Vermelha, ao lado dos muros do Kremlin. O corpo de Lenine continua a ser exibido ao público.
Alguns afirmam que os fantasmas da União Soviética deveriam ser afastados de uma vez por todas e que o corpo de Lenine, um ateu, deveria ser enterrado da forma apropriada.
"A minha opinião é a seguinte - nós não deveríamos, agora, nos preocupar com a abertura de covas. Porém, necessariamente, chegará o momento em que o mausoléu terá perdido o seu significado e em que enterraremos Ilych (como também era conhecido Lenine), em que daremos o seu corpo à terra, conforme desejava a família", afirmou Gorbachev a repórteres.
"Acho que esse momento chegará. Acho que isso vai acontecer."
O destino de Lenine oferece uma questão delicada na Rússia moderna, onde os comunistas lideram o segundo maior partido do país.
A Igreja Ortodoxa russa defendeu que o corpo do revolucionário seja enterrado, mas o Partido Comunista diz que o pai da União Soviética deveria continuar onde está.(X)