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sábado, 8 de outubro de 2011

Visão alternativa do Congo colocou moçambicano Mauro Pinto na final do BES PHOTO 2012

Com um trabalho que apresenta uma visão alternativa do Congo, o moçambicano Mauro Pinto, que recusa "rotular" as suas próprias criações, foi um dos quatro seleccionados para a final do prémio BES Photo 2012, anunciou hoje (sábado) a Agência Lusa.

"Maputo - Luanda - Lubumbashi" é o título do trabalho de Mauro Pinto apurado pelo júri do BES Photo 2012, um projecto do fotógrafo que visita as capitais de Moçambique, Angola e Congo.

Inicialmente, o trabalho de Mauro Pinto estava relacionado com uma pesquisa individual sobre antigas rotas de escravos, mas, no Congo, decidiu recolher imagens que apresentassem visões alternativas, fotografias do país que o mundo não está acostumado a ver.

"Eu sempre que via fotografias do Congo, observava uma coisa má, agressiva, de guerra. Não é possível que um país como aquele só tenha isto. E então fiz este projecto, 'Lubumbachi: Interiores-Exteriores', com o que me tocou de uma outra maneira", disse Mauro Pinto à agência Lusa.

Visivelmente satisfeito com a nomeação para a final do concurso fotográfico, "que tem grandes nomes" seleccionados, Mauro recusa "rotular" as suas próprias criações.

"Os rótulos são os outros que nos colocam. Eu não posso dizer o que eu sou. Simplesmente sei dizer que gosto de fotografar e vou fotografar. Se é jornalismo, se é artístico, se é documental, cabe aos outros dizer isso", comentou.

Através de Mauro Pinto, Moçambique estará pelo segundo ano consecutivo representado na final deste galardão da área da fotografia, que atribui 40 mil euros ao vencedor.

Os outros finalistas seleccionados para o Prémio BES Photo são o português Duarte Amaral, a brasileira Rosangella Rennó e o colectivo brasileiro Cia de Foto.

Os quatro vão defrontar-se numa exposição individual, financiada pelo galardão, a ter lugar em Março de 2012 no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, onde será apurado o derradeiro vencedor do concurso.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Brana expõe “Pontos de Vista” ao lado de Gonçalo Mabunda e Mauro Pinto

A conhecida pintora servia Branislava Stojanovic, artisticamente conhecida por "Brana", volta a expor no Maputo, mais concretamente no Centro Cultural Brasil-Moçambique.

Há sensivelmente dois anos e meio a residir em Moçambique, Brana traz, agora, uma marca ainda mais evoluída comparativamente às suas anteriores exibições ao expor um conjunto de obras de arte em “Pontos de Vista”, onde se apresenta ao lado do escultor Gonçalo Mabunda e do fotógrafo Mauro Pinto.

Igual ao título que leva a presente mostra, cuja inauguração teve lugar ontem, esta um verdadeiro momento de demonstração dos diferentes pontos de vista que cada um dos três expositores têm sobre o dia-a-dia que hoje se vive. “Esta colectiva junta três formas de expressão artística, designadamente a pintura, a escultura e a fotografia. É essa diversidade de formas de manifestação artística que vai dar lugar a diferentes pontos de vista”, considerou a Brana.

No seu caso concreto, a artista plástica Brana, que falava recentemente à nossa reportagem, disse que a grande particularidade que caracteriza a sua arte tem a ver com o facto de ter introduzido o uso da capulana como tela, substituindo assim a tela tradicional.

A sua arte passou por várias fases e ela mesma lembra que começou a pintar de maneira clássica tendo, somente mais tarde, começado a mudar aos poucos para um formato cada vez mais espontâneo e original.

Nasceu na Sérvia e viveu na Itália, onde adquiriu diversas formas artísticas de expressar os seus sentimentos, emoções e pensamentos. Mas agora, que vive em Moçambique há sensivelmente dois anos e meio, a sua arte adquiriu novas formas, resultantes das influências das cores, cheiros e sabores locais. “É natural que a minha arte tenha influências de outros países por onde passei, mas sinto que ganhei mais ainda mais ao introduzir a capulana, sobretudo na estética, na temática e no pensamento”, descreveu a artista.

Enquanto falava da sua forma de se manifestar nas artes plásticas, Brana ilustrava com os conteúdos de cada uma das obras que estavam no seu atelier no momento em que a visitamos. Em “Encantamento” – onde se vê uma mulher negra a abraçar um antílope depois de descobrir nele as características de um homem –, está reflectida a sua paixão pelas histórias mágico-tradicionais que fazem parte do dia-a-dia de muitos moçambicanos, retratos de um lugar comum onde ninguém acredita que os homens são capazes de se transmutar e virarem animais.

Para além de histórias do universo mágico-tradicional, Brana aborda problemas relacionados com o racismo, como, por exemplo, em “Arco Íris”, onde um homem branco e uma mulher negra se descobrem. “Não que seja uma história pessoalmente minha, mas faz parte do nosso quotidiano, contrariando algumas manifestações de racismo que ainda existem tanto de brancos para negros quanto de negros para brancos”, como explicou.

Os temas que abordam são satisfatoriamente diversificados, a avaliar pelo facto de os temas políticos, que também não escapam ao seu olhar crítico. É o que se pode atestar em “Óculos para não ver”. “São óculos para cegar as pessoas. Não cegá-las literalmente, mas fazê-las verem outras coisas que lhes entretém no lugar de encararem os problemas reais que hoje existem, como a pobreza e a indigência”, elucidou Brana, que já participou em diversas exposições individuais e colectivas.

Fonte: jornalnoticias.co.mz