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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Brana expõe “Pontos de Vista” ao lado de Gonçalo Mabunda e Mauro Pinto

A conhecida pintora servia Branislava Stojanovic, artisticamente conhecida por "Brana", volta a expor no Maputo, mais concretamente no Centro Cultural Brasil-Moçambique.

Há sensivelmente dois anos e meio a residir em Moçambique, Brana traz, agora, uma marca ainda mais evoluída comparativamente às suas anteriores exibições ao expor um conjunto de obras de arte em “Pontos de Vista”, onde se apresenta ao lado do escultor Gonçalo Mabunda e do fotógrafo Mauro Pinto.

Igual ao título que leva a presente mostra, cuja inauguração teve lugar ontem, esta um verdadeiro momento de demonstração dos diferentes pontos de vista que cada um dos três expositores têm sobre o dia-a-dia que hoje se vive. “Esta colectiva junta três formas de expressão artística, designadamente a pintura, a escultura e a fotografia. É essa diversidade de formas de manifestação artística que vai dar lugar a diferentes pontos de vista”, considerou a Brana.

No seu caso concreto, a artista plástica Brana, que falava recentemente à nossa reportagem, disse que a grande particularidade que caracteriza a sua arte tem a ver com o facto de ter introduzido o uso da capulana como tela, substituindo assim a tela tradicional.

A sua arte passou por várias fases e ela mesma lembra que começou a pintar de maneira clássica tendo, somente mais tarde, começado a mudar aos poucos para um formato cada vez mais espontâneo e original.

Nasceu na Sérvia e viveu na Itália, onde adquiriu diversas formas artísticas de expressar os seus sentimentos, emoções e pensamentos. Mas agora, que vive em Moçambique há sensivelmente dois anos e meio, a sua arte adquiriu novas formas, resultantes das influências das cores, cheiros e sabores locais. “É natural que a minha arte tenha influências de outros países por onde passei, mas sinto que ganhei mais ainda mais ao introduzir a capulana, sobretudo na estética, na temática e no pensamento”, descreveu a artista.

Enquanto falava da sua forma de se manifestar nas artes plásticas, Brana ilustrava com os conteúdos de cada uma das obras que estavam no seu atelier no momento em que a visitamos. Em “Encantamento” – onde se vê uma mulher negra a abraçar um antílope depois de descobrir nele as características de um homem –, está reflectida a sua paixão pelas histórias mágico-tradicionais que fazem parte do dia-a-dia de muitos moçambicanos, retratos de um lugar comum onde ninguém acredita que os homens são capazes de se transmutar e virarem animais.

Para além de histórias do universo mágico-tradicional, Brana aborda problemas relacionados com o racismo, como, por exemplo, em “Arco Íris”, onde um homem branco e uma mulher negra se descobrem. “Não que seja uma história pessoalmente minha, mas faz parte do nosso quotidiano, contrariando algumas manifestações de racismo que ainda existem tanto de brancos para negros quanto de negros para brancos”, como explicou.

Os temas que abordam são satisfatoriamente diversificados, a avaliar pelo facto de os temas políticos, que também não escapam ao seu olhar crítico. É o que se pode atestar em “Óculos para não ver”. “São óculos para cegar as pessoas. Não cegá-las literalmente, mas fazê-las verem outras coisas que lhes entretém no lugar de encararem os problemas reais que hoje existem, como a pobreza e a indigência”, elucidou Brana, que já participou em diversas exposições individuais e colectivas.

Fonte: jornalnoticias.co.mz

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

“A Italiana”: Anulado leilão da última obra de Malangatana

O leilão da última obra de Malangatana, “A Italiana”, vai ficar sem efeito, revelou ontem à Lusa o filho do artista, Mutxhini Malangatana, afirmando que as licitações para o automóvel ficaram bastante aquém do “valor pretendido”.

“Não foi vendido, porque não atingiu o valor pretendido”, disse Mutxhini Malangatana, justificando que a oferta deveria situar-se “no triplo” da única proposta pública conhecida, de 150 mil dólares oferecidos pelo Banco Comercial e de Investimentos (BCI), do qual a Caixa Geral de Depósitos é accionista maioritário.

Em Maio, a Fundação Malangatana, em conjunto com a empresa João Ferreira dos Santos, doadora do automóvel Fiat 500, lançou o leilão da obra, na internet.

A obra consiste numa pintura sobre a superfície do automóvel. O leilão, que terminou no dia 6 de Julho, apenas obteve duas propostas, mas apenas a do BCI foi tornada pública.

Mutxhini Malangatana disse ainda à Lusa que “A Italiana” irá novamente a leilão, mas, desta vez, este será feito “directamente por especialistas na área”, apontando um prazo nunca “inferior a dois anos”.

“A Italiana” foi a última e única obra do género de Malangatana Valente Ngwenya, que morreu em Janeiro deste ano, em Matosinhos, Portugal, aos 74 anos.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Malangatana Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora

"Juizo final", 1961
A Universidade de Évora atribui na passada quarta-feira, 10, o doutoramento honoris causa ao pintor moçambicano Malangatana, no ano em que se assinalam 50 anos da sua obra. Com a laudatio da responsabilidade de Marcelo Rebelo de Sousa, a cerimónia decorreu na Sala de Actos da instituição.

No dia do doutoramento, foi inaugurada a exposição «Malangatana - 50 Anos de Pintura», no Palácio D. Manuel, que tem como objectivo traçar uma retrospectiva da vasta obra de artista, representada em inúmeros museus e colecções privadas em todo o mundo. A mostra reúne 50 trabalhos produzidos de 1950 até aos dias de hoje, ilustrativos das suas diferentes fases. A exibição está patente até 28 de Março.

Malangatana Valente Ngwenya nasceu na vila de Matalana, província de Maputo, em 1936. Frequentou a Escola da Missão Suíça protestante, onde aprendeu a ler e a escrever em ronga. Após o encerramento desta instituição, transitou para a Escola da Missão Católica em Bulázi, onde conclui, em 1948, a terceira classe.

O seu pai era mineiro e passava longos períodos afastado da sua família. Por isso, Malangatana cresce muito ligado à sua mãe, de quem aprecia o desenho e as cores com que esta decorava cabaças ou bordava cintos de missangas. Mas esta educação não o afastou das raízes culturais: foi iniciado nos costumes ancestrais, aprendendo os elementos da medicina tradicional (nyamussoro) com a médica que tratou sua mãe, quando esta adoeceu.

Na sua aldeia, foi pastor de bovinos e aos 12 anos começou a trabalhar em Lourenço Marques, onde desempenhou diversas tarefas, como 'criado' de meninos, apanhador de bolas no clube de ténis e, mais tarde, como empregado de mesa. Posteriormente, teve o seu talento artístico reconhecido e foi, por isso, encorajado a estudar arte, tendo tido como mestre o Arquitecto Garizo do Carmo.

Pintor “engagé”

E, em 1959, as suas obras foram, pela primeira vez, expostas publicamente. Tornou-se artista profissional em 1960 graças ao apoio do arquitecto Miranda Guedes, que lhe cedeu a garagem para atelier e lhe adquiria dois quadros por mês, para que se pudesse manter. Mas foi em 1961 que organizou a sua primeira exposição individual, no Banco Nacional Ultramarino.

A sua actividade de pintor “engagé”, concomitante com a publicação de poemas no jornal “Orfeu Negro” e na “Antologia da Poesia Moderna Africana”, indiciaram-no como membro da Frelimo, o que o fez ser preso, conjuntamente com José Craveinha e Rui Nogar. Julgado em Tribunal Militar, é absolvido a 23 de Março de 1966, sendo de novo preso a 17 de Junho desse ano, sendo restituído à liberdade a 11 de Novembro. Data, dessa época, a notável colecção “Desenhos de Prisão”.

Obteve uma bolsa da Fundação Gulbenkian que lhe permitiu ainda estudar gravura e cerâmica. Conseguindo vencer a oposição da PIDE, trabalhou em gravura na “Gravura – Sociedade Cooperativa dos Gravadores Portugueses” e em cerâmica, na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego.

Com a independência de Moçambique, Malangatana envolve-se directamente na actividade política (foi eleito deputado em 1990 nas listas da Frelimo; foi eleito em 1998 para a Assembleia Municipal de Maputo e reeleito em 2003), participa em acções de mobilização e alfabetização e, a partir de 1978, na organização das aldeias comunais na Província de Nampula. Foi um dos fundadores do “Movimento Moçambicano para a Paz”. Em 1984, integra os "Artistas do Mundo contra o Apartheid", expondo em diversas cidades da Europa. Tem colaborado intensamente com a UNICEF e durante alguns anos fez funcionar a escola de bairro dominical "Vamos Brincar".

Exposições colectivas e individuais

Desde 1959 que participa em exposições colectivas em várias partes do mundo e, a partir de 1961, realizou inúmeras exposições individuais em Moçambique e ainda na Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Índia, Macau, Portugal e Turquia. Tem murais pintados ou gravados em cimento em vários pontos de Maputo (Mural do Museu de História Natural e Mural do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, entre outros), assim como em outros países.

A sua obra, para além dos murais, sobressaiu ainda em Pintura, Desenho, Aguarela, Gravura, Cerâmica, Tapeçaria, Escultura e encontra-se em vários museus e galerias públicas, bem como em colecções privadas, espalhadas por inúmeras partes do Mundo. Terminou, recentemente, um baixo-relevo, em mármore, na cidade do Barreiro. Malangatana é, sem dúvida, o artista plástico mais famoso – no plano internacional – de Moçambique e um dos mais destacados da África Austral.